Fortalecer os subcomitês e reforçar o sentido de pertencimento da população que os compõe é o objetivo do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas nos projetos hidroambientais espalhados pela bacia. No Paraúna, não é diferente e um projeto aprovado recentemente já trabalha a melhoria da qualidade e quantidade de água dos cursos d’água da região.

“A bacia do rio Paraúna tem qualidade ambiental e boa qualidade de água, porém sofre com o problema de assoreamento dos cursos d’água que foi verificado em diversos pontos da bacia, inclusive no rio Paraúna”, afirmou o geógrafo Michel Jeber, um dos responsáveis pela implantação do projeto.

“Como o rio Paraúna é muito importante, é fundamental cuidarmos dele. O problema maior na região é o assoreamento, pois vários pontos da bacia estão nesta situação. Foi realizado um estudo pelo CBH Rio das Velhas e constatado que a bacia tem uma pré-disposição natural a erosão. Isso acontece devido a ação humana errada, a alguns fatores de risco ambiental como: mineração abandonada ou a agropecuária sem manejo do solo. Esse processo causa a diminuição das áreas de produção, da biota aquática, falta da entrada de luz e diminui a navegabilidade dos córregos, o que prejudica a qualidade das águas”, explicou.

De acordo com o projeto, a proposta é diminuir os impactos sobre os cursos d’água da bacia e através do plano de ação melhorar esses problemas. “Após o diagnóstico será realizado um trabalho de campo em quatro sub-bacias que foram escolhidas nas regiões mais suscetíveis à erosão. Logo após será produzido um mapa com todas as áreas e pontuadas todas que foram verificadas em campo. O Plano de Ação definirá o trabalho com intervenções físicas, que acontecerão desde contenção de voçoroca, retirada de areia dos cursos d’água até a orientação e educação ambiental.

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Projeto

O projeto tem prazo de oito meses para ser realizado. Serão realizados cinco produtos, o primeiro um plano de trabalho, que já foi entregue; o segundo, o diagnóstico macro ambiental da bacia, que também já foi entregue e está em análise; no terceiro serão trabalhadas imagens de satélite sobre assoreamento remoto – quando será feito o mapeamento de uso do solo da bacia do Paraúna – ; o quarto produto será o trabalho de campo, quando serão visitadas as sub-bacias escolhidas e o quinto produto, um plano de ação que será compartilhado com todos.

De acordo com o projeto, os municípios foram escolhidos por estarem na porção central da bacia onde foram verificadas mais predisposições a perda de solo e erosão. Essas bacias estão bem degradadas e além de terem maior urgência para serem tratadas servirão como piloto e os planos de ação poderão ser replicados em outras sub-baciais.

Reuniões

As oficinas aconteceram nos dias 10, 11 e 17 de junho, nos municípios de Gouveia, Conceição do Mato Dentro e Presidente Juscelino. “Chamamos esse processo de oficinas porque ele tem um caráter participativo e descentralizado, pois não há quem saiba mais dos impactos da bacia que sua população. Elas acontecem tanto para informar a população sobre o projeto quanto para pedir a colaboração de todos para nos indicar as áreas, nos acompanhar, dar apoio durante o projeto e nos dizer o que estão sofrendo com os impactos. Esse é um trabalho conjunto”, acrescentou o geógrafo.

Segundo ele, as oficinas foram construtivas e as cidades envolvidas participaram efetivamente. “Sentimos em todas as cidades que a população tem entendido bastante o projeto, tem compreendido e conseguiram enxergar que as propostas irão melhorar muito a qualidade de vida local e da bacia como um todo”, destacou ao revelar que o público foi diverso e os questionamentos vários. “Estiveram presentes, desde crianças a idosos de 80 anos, que questionaram sobre como recuperar uma voçoroca a como salvar um rio seco. Além das perguntas eles colaboram indicando os pontos principais de degradação”, disse.

Envolvimento da comunidade

Para um dos coordenadores do Subcomitê Paraúna, Renato Júnior, a comunidade está se envolvendo e questionando muito, pois estão sofrendo com a crise hídrica que vivemos. “As atividades trouxeram muitos questionamentos de como preservar as nascentes e cuidar da água”, afirma ao declarar que: “Quando chega à comunidade trabalhos sérios como o realizado, ela fica feliz sabendo que o Comitê está preocupado e atento aos problemas que estão afetando a todos, seja no ambiente urbano ou rural”.
Ainda segundo Renato, o projeto é uma aspiração antiga da população. “Ficamos felizes com a conquista. O projeto vem fortalecer a parceria Comitê/Subcomitês, pois ajuda o CBH Rio das Velhas a se fazer presente dentro de seu território e ressalta a existência dos subcomitês que é muito importante. Hoje nossas comunidades rurais e urbanas se sentem pertencentes, sabem muito mais da existência do Comitê, do nosso Subcomitê e das ações que ambos estão fazendo no território do Paraúna”, declarou.

 

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