Foi concluída, no último sábado (02/12), às margens do Ribeirão Onça, no trecho da Rua Antônio Ribeiro de Abreu, a série de três aulas de campo do Curso de Sensibilização e Educação Ambiental voltada para o plantio de mudas nas regiões de abrangência do projeto hidroambiental Diagnóstico de Nascentes Urbanas da Bacia Hidrográfica do Ribeirão do Onça em Belo Horizonte. As duas aulas anteriores aconteceram, respectivamente, na Região do Isidoro, no dia 25/11, e na Região do Vilarinho, no dia 18/11. O plantio de mudas corresponde à terceira aula de campo do curso, que teve ainda aulas expositivas em sala num total de oito módulos. O projeto é realizado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio das Velhas e Subcomitê da Bacia Hidrográfica (SCBH) do Ribeirão Onça, com apoio técnico da Agência Peixe Vivo e execução da NMC Projetos e Consultoria.

Todos os eventos de plantio foram conduzidos pelo engenheiro agrônomo Sérgio André de Souza Oliveira, funcionário da Gerência de Áreas Verdes e Arborização Urbana da Prefeitura de Belo Horizonte, que apresentou, na prática, quais os procedimentos básicos para efetuar o plantio de mudas de modo a garantir maior possibilidade para o desenvolvimento das espécies nativas plantadas. Ele ressaltou ainda a importância da vegetação para a recuperação ambiental das nascentes e quais os melhores locais e condições para efetuar o plantio.

Região do Baixo Onça

Cerca de 35 pessoas participaram do plantio em uma das margens do Ribeirão Onça na altura do número 720 da Rua Antônio Ribeiro de Abreu, local destinado à implantação de um Parque Linear por iniciativa popular, com o apoio do Conselho Comunitário Unidos pelo Ribeiro de Abreu (Comupra), de um grupo formado por alunos e professores da Escola de Arquitetura da UFMG e do Movimento Oásis BH e de moradores locais que se reúnem periodicamente sob o nome de Turma do Parquinho. Representantes de todos esses grupos participaram do plantio, além da publicitária Patrícia Tavares, idealizadora do projeto Verbo Gentileza, que também apoia os movimentos pela implantação do parque e instalou no local um portal de fitas com frases otimistas colhidas da comunidade local.

Antes do inicio do plantio, o membro do Subcomitê da Bacia Hidrográfica (SCBH) do Ribeirão Onça e representante do Comupra, Itamar de Paula Campos, destacou o papel da mobilização da comunidade na definição dos projetos a serem executados na área do parque, que deverá ter cerca de 5,5 quilômetros e passar por oito bairros de Belo Horizonte. O representante da Turma do Parquinho, Roberto Blasig, italiano que mora na região há quase 20 anos, também reforçou a importância da participação popular na condução das ações de preservação do Ribeirão Onça.

Regiões do Izidoro e Vilarinho

A área escolhida para o plantio na Região do Isidoro foi às margens do Córrego Tocinheiro, próximo à Praça Ronan Lasmar no bairro Zilah Spósito. Cerca de 30 pessoas participaram da atividade que teve ainda a presença de alunos da Escola Municipal Professor Daniel Alvarenga. O microempresário José Roberto Trade que mora há 20 anos no local se prontificou para cuidar das árvores plantadas no local. Segundo ele, “é com muita alegria que vejo esse trabalho de recuperação para tentar voltarmos ao que era”. O morador revela que quando jovem utilizava o rio para tomar banho e pescar o que já não é mais possível em função do grau de poluição das águas.

Na Região do Vilarinho, o plantio ocorreu às margens do Córrego do Capão na área do futuro Parque do Conjunto Habitacional da Lagoa. O local contém várias nascentes que contam com proteção por parte de ações ambientais, especialmente das escolas locais. A educadora Elaine Guilhermina, que executa ações de educação ambiental na área com alunos do Projeto Vida Padre Gailhac, da Rede Sagrado Coração de Maria, afirmou que as lições de plantio que recebeu serão replicadas com os seus alunos que já atuam no espaço do futuro parque. Durante o evento, também foi ralizada a limpeza de uma das nascentes existentes no local.

A segunda parte da aula foi realizada na Escola Municipal Adauto Lúcio Cardoso em que a arquiteta e urbanista Priscila Melo, que também é moradora local, apresentou uma proposta de projeto arquitetônico denominado “Parque Linear do Córrego do Capão”, criado como alternativa à proposta definida pela PBH para a área. O projeto alternativo prevê urbanização com arborização e criação de equipamentos públicos de lazer, esporte e de convivência, mantendo o leito natural.


Plantio de mudas às margens da bacia hidrográfica do Ribeirão Onça. Crédito: NMC Projetos e Consultoria

Cuidadores de nascentes

O Curso de Sensibilizaçao Ambiental será concluído com uma oficina prática sobre elaboração de projetos para que os participantes das aulas possam propor ações concretas em suas respectivas regiões. O projeto hidroambiental Diagnóstico de Nascentes Urbanas na Bacia Hidrográfica do Ribeirão do Onça prevê ainda o cadastro de nascentes e a formação de cuidadores para essa fontes de água. Haverá também publicação de um catálogo de nascentes e um curso de capacitação e elaboração de um Plano de Manejo Comunitário de Nascentes a partir das ações acumuladas no decorrer do projeto, que tem duração de 18 meses. Para divulgar e compartilhar as informações sistematizadas do projeto serão realizados ainda um simpósio com a participação de professores e estudiosos de temas ligados à preservação das nascentes urbanas e um seminário de encerramento das atividades.

Fonte: NMC Projetos e Consultoria