Na oportunidade, indústria, CBH Rio das Velhas e órgãos envolvidos discutiram propostas de um pacto social pelas águas.

A crise hídrica é efetivamente grave e de longa duração. É o que comprova o Fórum Econômico Mundial que classificou a crise de água como a de maior impacto que o mundo irá enfrentar nos próximos dez anos. No Brasil a situação não é diferente e menos preocupante. Para dialogar sobre a crise e sugerir propostas de um pacto pelas águas, a Fiemg realizou no último dia 27, o Seminário Internacional “Minas Potência Hídrica do Brasil?”.

O evento contou com a presença de especialistas da área, entre eles, Marios de Sousa, que relatou sobre os “Mecanismos de alocação como instrumento de gestão”; Glauco Kimura de Freitas, da WWF, que versou sobre “Oferta x Demanda – Qualidade e investimento em saneamento para aumento de disponibilidade hídrica” e o presidente do CBH Rio das Velhas, Marcus Vinicius Polignano, que proferiu sobre a “Pactuação do setor industrial e minerário na bacia do Rio das Velhas – o desafio de novos rumos para a preservação do rio”.

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De acordo com gerente de Meio Ambiente da FIEMG, Wagner Soares Costa, o intuito do Seminário foi conhecer as características da disponibilidade hídrica do Estado de Minas Gerais, sua importância geopolítica e a atual situação hídrica, considerando os múltiplos usos da água frente aos desafios do cenário de escassez. “A solução ao desafio atual de crise da água passa, necessária e obrigatoriamente, por políticas públicas construídas de forma pactuada entre os diversos segmentos da sociedade e capazes de gerar ações emergenciais, de curto, médio e longo prazo”, afirmou ao declarar que a gravidade do cenário exige transparência, planejamento e eficaz comunicação com os usuários. Ainda segundo ele, o percentual das empresas que reutilizam até metade da água que consomem dobrou nos últimos anos e em muitas delas, o reaproveitamento é superior a 80%.

Para o presidente do CBH Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano, é preciso ir adiante. “Precisamos, agora, estabelecer novos paradigmas a partir da premissa de que a água é um recurso escasso e finito. Nesse momento precisamos da união de todos, num pacto que reúna indústrias, comitês de bacias hidrográficas, sociedade e todos os órgãos responsáveis pela gestão dos recursos hídricos”.

Coleta e tratamento de esgotos

“Para dimensionar bem as soluções a serem adotadas, também precisamos reconhecer que os índices nacionais de coleta e tratamento de esgotos são baixos e inaceitáveis para um país da dimensão do Brasil”, ressaltou Glauco Kimura de Freitas, da WWF ao avaliar que: “O setor saneamento básico, tem importante contribuição para a melhoria da situação dos corpos hídricos”.
Outro ponto que os palestrantes ressaltaram foi as também inaceitáveis e quase criminosas, taxas de desperdício de água tratada em razão de problemas – vazamentos e outros – que ocorrem nas redes de distribuição de todo o país e que variam de 30% a quase 50%. “Resolver essa questão é passo fundamental para equacionar o problema de oferta de água e, também, uma significativa contribuição para reduzir as tarifas extorsivas cobradas dos consumidores”, afirmaram.

Perspectivas

“A divergência de pensamentos não pode ser vista de forma negativa. O que não pode haver é uma busca por convicções que não dê liberdade a todos de fazerem o diferente. Temos que pactuar pelo coletivo, mas deixando com que todas as pessoas possam contribuir com suas sugestões. Teremos que exercitar nesse pacto a união de ideias que implicará no bem estar comum”, destacou Polignano.

O Seminário terminou com as perguntas dos presentes que abordaram várias situações desde as medidas tomadas para a revitalização e preservação das bacias, mineração e trabalhos desenvolvidos pela indústria na área.

 

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