Cerca de 30 pessoas participaram, neste sábado, 11 de novembro, da segunda aula de campo do Curso de Sensibilização Ambiental focada na gestão de resíduos sólidos. A aula aconteceu no Centro de Vivência Agroecológica / CEVAE Serra Verde na Regional Venda Nova de Belo Horizonte, das 9:00 às 13:00 com oficina e palestra.

A programação incluía uma visita à horta comunitária do CEVAE, cancelada em função de ocorrência de chuva durante todo o evento, de modo que apenas algumas pessoas foram até os canteiros voluntariamente. O curso faz parte do projeto hidroambiental Diagnóstico de Nascentes Urbanas da Bacia Hidrográfica do Ribeirão Onça em Belo Horizonte, que está sendo realizado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) e Subcomitê Ribeirão Onça, com apoio técnico da Agência Peixe Vivo.

Durante a aula, o agrônomo Caio Vieira Vasconcelos, funcionário da Subsecretaria de Segurança Alimentar da Prefeitura de Belo Horizonte, mostrou como transformar parte do lixo doméstico em composto orgânico utilizado para adubar plantas de todos os tipos, de vasos, jardins, hortas e pomares. A compostagem é uma das mais eficientes alternativas para tratar o lixo orgânico doméstico, resultando em um produto útil e com valor comercial. O objetivo da aula foi demonstrar a técnica simplificada para produzir composto orgânico, utilizando apenas caixas ou baldes adaptados para receber o lixo, recolher o chorume (parte líquida da decomposição) e promover a ação das bactérias que vão produzir o humus.

“Não há motivo para se ter nojo do lixo orgânico. Quando o processo de compostagem é bem feito não há mau cheiro ou ação de insetos e animais. Depois de pronto, o cheiro do composto é suave e agradável”, esclareceu Neuza Maria de Souza Cruz, Coordenadora do Centro de Educação Ambiental de Venda Nova, que mantém o CEVAE Serra Verde.

Adubo feito em casa

Uma das frequentadoras da oficina, Maria do Porto, já tem ampla experiência na fabricação de compostos orgânicos. Ela mora numa casa, com sete pessoas e faz a compostagem num velho carrinho de mão, no quintal, utilizando basicamente o lixo doméstico. Tem como resultado três produtos: o humus comum, um composto mais ativo que obtém com o acréscimo de farinha de cascas de banana, e um super adubo que contém torta de mamona e farinha de osso. “Por mês eu produzo mais de 25 quilos de composto orgânico que utilizo na minha horta e nas plantas do quintal; e o resto dou para os vizinhos”, finaliza.

Além da oficina de compostagem houve uma palestra sobre a utilização de biodigestores, sistemas de conversão de lixo orgânico em adubo e gás metano, que pode ser utilizado para cozinhar e para iluminação, como é muito comum no interior da Índia e da China. A palestrante foi Cláudia Assunção Chaves, estudante do curso de Engenharia de Energia.

Cuidadores de nascentes

O Curso de Sensibilizaçao Ambiental terá 24 aulas, incluindo visitas de campo, realizadas concomitantemente nas três regiões de abrangência do projeto hidroambietnal: Vilarinho, Isidoro e Baixo Onça. As aulas tiveram início em agosto e devem seguir até dezembro deste ano.

O curso acontece paralelamente às ações de cadastramento, caracterização e georreferenciamento de nascentes urbanas nas três regiões e são complementares entre si.

Ao final, espera-se que o curso seja um subsídio importante para garantir o cadastro e a formação de cuidadores para as nascentes já existentes e para as novas que estão sendo cadastradas nessas regiões pelo projeto hidroambiental Diagnóstico de Nascentes Urbanas na Bacia Hidrográfica do Ribeirão do Onça.

O projeto prevê ainda as fases de elaboração de catálogo impresso com as nascentes cadastradas para distribuição pública e curso de capacitação e elaboração de um Plano de Manejo Comunitário de Nascentes a partir das ações acumuladas no decorrer do projeto, que tem duração de 18 meses. Para divulgar e compartilhar as informações sistematizadas do projeto serão realizados ainda um simpósio com a participação de professores e estudiosos de temas ligados à preservação das nascentes urbanas e um seminário de encerramento das atividades.

Todas as atividades estão sendo executadas NMC Projetos e Consultoria, vencedora da licitação pública promovida pela Agência Peixe Vivo.

Fonte: NMC Projetos e Consultoria Ltda