Com uma vasta programação, o intuito do Festivelhas é privilegiar artistas locais, favorecendo assim o intercâmbio cultural por meio da participação de representantes da arte e cultura da bacia numa expressão voltada à diversidade cultural existente nestes territórios.

A partir da experiência das Expedições 2003 realizadas por água, o Projeto Manuelzão desenvolveu a proposta de organizar um movimento cultural que acompanhasse, por terra, a viagem dos caiaqueiros. Das muitas aventuras, o movimento precisava também convocar as populações ribeirinhas e diversos atores da Bacia a se reunirem e manifestarem pacificamente, usando a arte como principal linguagem.

Daí surgiu o Festivelhas, que desde sua primeira edição em 2005 procura unir a Bacia Hidrográfica do rio das Velhas em um momento de descontração e reflexão sobre o futuro. Desde sua concepção, o festival tem o propósito de fortalecer ações culturais condizentes com o imaginário que povoa a Bacia, condicionando essa rede cultural a permanentes trocas de experiências, difusão de informações e ações propositivas.

Chegando a sua quinta edição, o festival já envolveu vários temas como a transformação pela arte. Além da riqueza da biodiversidade local e, o rio, que alimenta uma correnteza cultural e compartilha seu destino.

“O Projeto Manuelzão sempre se empenhou em mudar o paradigma de progresso sem conservação, que aniquila as veredas e a fauna das Gerais, desfigurando suas características naturais e o modo de vida dos povos que habitam a região do Velhas”, disse o coordenador do Projeto Manuelzão, Marcus Vinícius Polignano, ao destacar que a cultura da preservação é parte fundamental do Projeto que, desde seu surgimento, anunciou que a revitalização da bacia do rio das Velhas depende da construção de novos imaginários. “Nosso objetivo é fazer da cultura o motor da mudança de mentalidade, através de um movimento cultural que convoque as populações ribeirinhas a se manifestarem usando a arte como linguagem”, esclarece.

História e transformação

“Centenas de artistas, escritores, dançarinos, violeiros, contadores de histórias, homens e mulheres de toda a bacia se reuniram no primeiro “FestiVelhas Manuelzão em Morro da Garça”, em 2005, que procurou demonstrar a diversidade cultural da bacia. No “FestiVelhas Jequitibá 2007” fortalecemos os debates e procuramos sinalizar a riqueza do passado através do folclore presente em todas as regiões da bacia. Já o “FestiVelhas 2009” foi itinerante, e aconteceu durante a expedição de 2009 pelo rio das Velhas, o objetivo foi sensibilizar todas as comunidades da bacia para o processo de revitalização proposta pela Meta 2010”, disse Polignano.

Seguindo essa trajetória de transformação pela arte, a quarta edição do festival aconteceu em Belo Horizonte, em 2011, e focou no teatro do “absurdo” as ações antrópicas insustentáveis movidas por um modelo econômico sem preocupação com a gestão ambiental. “Passada a Meta 2010-2014 é necessário estabelecer novos rumos e metas a serem alcançadas”, reforça Polignano.

Veja como foram as edições anteriores

FestiVelhas 2005 – Arte e Transformação – Morro da Garça / MG

FestiVelhas 2007 – Arte e Transformação – Jequitibá / MG

 

Edição 2015

A edição do Festivelhas 2015, que acontecerá no dia 4 de julho, em Itabirito, tem como objetivo resgatar o movimento sociocultural da bacia, integrando povos e pensamentos através da arte e cultura na busca da transformação da mentalidade em tempo da escassez hídrica. A proposta é criar condições que favoreçam novas perspectivas para a bacia do rio das Velhas e por meio deste movimento cultural, transitar do particular ao universal, compreendendo os determinantes culturais da relação socioambiental, propondo novos paradigmas. “Nosso desejo desde o início foi reunir a bacia e num pensamento único fortalecer os laços que nos unem para transformá-los em projetos e propostas em prol da coletividade”, reforça Polignano.

AGENDA: “Festivelhas: Cultura da Escassez”, acontecerá no dia 4 de julho, de 9 as 22 hs, em Itabirito, no Parque Ecológico. A entrada é franca. Mais informações pelo telefone (31) 3409-9818 ou pelos sites: www.manuelzao.ufmg.br ou www.cbhvelhas.org.br

VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

8:45 ALTO BATUQUE
Com batidas fortes e um som vibrante, o grupo de BH usa a percussão para encantar o público,
fazendo com que todos participem do show.

9:10 ABERTURA OFICIAL: PROSA ECOLÓGICA

9:40 LIBRE CANTARE
O coral de Itabirito representa um marco da cultura local. Coro de Câmara Libre Cantar: Maestro Leandro Dantas; Coro Infanto-Juvenil: Maestrina Polliana Martins.

10:30 INTERVENÇÃO POÉTICA
O poeta Severino Iabá dedicará um poema a nossa mãe Terra e, em especial, aos guardiões das nossas águas.

10:35 CARLOS BOLÍVIA
O “cantautor” mescla gêneros como samba, rock e música caribenha em canções sobre o cotidiano da cidade, num diálogo próximo com o público.

11:05 VILMAR E O TRILAPINHÔ
A banda de Lapinha da Serra, representa a cultura popular da Serra Espinhaço, a cantoria regional brasileira e a preservação ambiental das serras.

11:35 FLOR DO CERRADO
Formado por professores de Geografia, Artes e Literatura, além de cantores e compositores, o
grupo canta para falar de amor, poesia e sertão.

12:05 PROSA ECOLÓGICA
Bate-papo com convidados ligados à área de Ecologia e à preservação ambiental. Participação especial de Frei Chico.

12:35 CIRCO EM CENA
Com o objetivo de difundir a cultura circense, a companhia encanta crianças e adultos com espetáculos, oficinas e intervenções nos mais diversos espaços.

13:00 CAPOEIRA CATIVEIRO
Fundado em 1978 por cinco mestres, incluindo o Miguel Machado, hoje o grupo itabiritense é coordenado pelo Mestre Beto Braga e dá verdadeiras aulas de capoeira.

13:00 ABRAÇO NA LAGOA
Os participantes do Festivelhas darão um grande abraço na Lagoa do Parque Ecológico, simbolizando um abraço real na causa da preservação ambiental.

13:40 ORQUESTRA JOVEM VALLOUREC
Orquestra formada por crianças e adolescentes de escolas públicas da RMBH, idealizado e produzido há dez anos pela Imago Mundi Cultural.

14:30 FANPAZ
A Fanfarra da Paz de Itabirito trabalha com crianças, jovens e adultos, promovendo o desenvolvimento musical e cultural de seus integrantes em apresentações por Minas Gerais.

15:00 GANGA BRUTA + CONGADOR
De um lado, a banda Ganga Bruta carrega em suas músicas uma marca de Blues, do outro o Congadar representa o Congado; ambos estilos originados da África.

15:30 LOLLIPOP CHINATOWN
Desde 2012 a banda reúne músicos com trajetórias musicais diferentes, mas um objetivo em comum: criar um som visceral a partir das vivências com rock, eletro e MPB.

16:00 ROMERO BICALHO
O músico de Nova Lima canta sobre as coisas simples da vida, como os valores humanos e a beleza de sua terra, numa mescla de samba, reggae e MPB.

16:30 PROSA ECOLÓGICA
Bate-papo com convidados ligados à área de Ecologia.

17:00 CIA. BELKISS AMORIM
Há 32 anos o premiado grupo de dança clássica e contemporânea de Lagoa Santa encanta com suas coreografias ecléticas associadas à cultura brasileira.

17:30 GRUPO URUCUM
Grupo que se reuniu para criar um bloco caricato e levar para as ruas grandes nomes da bossa, da tropicália, do baião, das cirandas de roda, da MPB e do axé.

18:00 ROSAS DO SÃO BERNARDO
Grupo de senhoras que têm por trabalho a divulgação da cultura popular e o resgate da memória do patrimônio cultural.

18:30 CIA. PRIMITIVA DE ARTE NEGRA
O rico e importante histórico africano, se faz presente na companhia que se caracteriza pela força da raça e suas conquistas. O grupo apresentará o espetáculo de dança “Poetoria Afro”.

19:00 LIL RINOX
Atual e com estilo próprio, os MCs tomam conta da nova geração. Lil Rinox não é diferente e com seus shows de rap e duelo de MCs chama a galera para dançar.

19:30 MENINAS DE SINHÁ
O grupo formado por mulheres do bairro Alto Vera Cruz, foi criado em 1996 e resgata cirandas e cantigas de roda, tocando o coração de quem as assiste.

20:00 SAMBA DE CUMPADRE
Ricardo Coelho e Vinicius Nascimento tocam canções autorais e interpretam grandes artistas do samba de raiz.
Já se apresentaram em vários locais.

20:30 GABRIEL GUEDES
Compositor, luthier, piloto de ultraleve, músico ligado ao Clube da Esquina, fez no seu primeiro disco uma homenagem ao avô Godofredo Guedes.

21:00 PEREIRA DA VIOLA
Violeiro, rabequeiro, cantor e compositor, tem uma carreira sólida e reconhecida em todo território brasileiro.

OFICINAS

BIOMONITORAMENTO

O Manuelzão irá apresenta as informações que vêm sendo obtidas no biomonitoramento da Bacia do Rio das Velhas, buscando sensibilizar para o trabalho conjunto entre a comunidade. Conceitos sobre peixes e bentos existentes na bacia serão explicados, além de mostrar como a revitalização traz o peixe de volta.

BACIA HIDROGRÁFICA

Serão apresentados conceitos sobre bacia hidrográfica e, principalmente, analisados sob a perspectiva da Bacia do Velhas, buscando demonstrar ao participante a sua inserção nesse espaço geográfico e social, junto ao impacto das suas ações no cotidiano, estimulando
um uso sustentável da água.

SAÚDE

Você sabe a importância dos hábitos e costumes para a saúde, especialmente ligadas ao consumo de sal, açúcar e gordura? Nessa oficina, atividades interativas com a apresentação de frutas e outros materiais farão o participante entender melhor o ‘peso’ de uma alimentação de má qualidade.

POESIA E LITERATURA

O poeta Cláudio Bento propõe exercícios dinâmicos, de leitura em voz alta, para desinibir o aluno a se expressar através das palavras e despertar a curiosidade do participante pela arte da escrita, fazendo-o avançar nesse ofício. No final será exposto um varal de poesias com os trabalhos realizados na oficina.

JOGOS

Os participantes conhecerão jogos de tabuleiro, dentre eles o “Terra Preta do Índio” e o “Afluentes”, jogo desenvolvido pelo ministrante Luís Coelho cujo objetivo é despoluir os afluentes do rio. Ao final de cada jogo será desenvolvida uma discussão acerca do uso de jogos como meio cultural, de integração social e de divulgação de conhecimento.

BRINQUEDOS

Baseado numa pesquisa do sociólogo, folclorista e produtor cultural Luiz Trópia sobre as tradições do bairro Santa Tereza, em BH, a oficina trata sobre o folclore lúdico e a importância do resgate dos brinquedos e brincadeiras na educação formal e informal, por pais e professores, além de políticas públicas.

* As inscrições para as oficinas serão feitas no sábado, dia 04/07

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