A terceira etapa do projeto reuniu 120 alunos, professores e pesquisadores da UFMG em seis escolas localizadas na região cárstica.

O projeto Rede Asas do Carste, trabalho de extensão da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) idealizado pelo professor Eugênio Cortes, com apoio dos subcomitês Carste e Ribeirão da Mata e do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, tem o objetivo de fortalecer o diálogo entre escolas, alunos e professores da rede pública de ensino através do monitoramento das lagoas cársticas.

A terceira fase do Rede Asas do Carste foi realizada durante os dias 10 e 12 de agosto nos municípios de Prudente de Morais, Funilândia, Matozinhos, Pedro Leopoldo, Lagoa Santa e Confins, com a proposta orientar crianças da 7ª à 9ª série e professores para realizarem o trabalho de campo que começa nas próximas semanas. Ao todo serão dois anos e meio de monitoramento em seis lagoas dos municípios que integram a Bacia do rio das Velhas.

Veja as fotos da capacitação em Confins

Leandro Silva, biólogo (ornitólogo), colaborador do projeto e responsável pelo trabalho de campo com as crianças, trouxe aos alunos, durante os encontros realizados nas escolas, algumas orientações importantes para o trabalho, como por exemplo como diferenciar os tipos de aves, como realizar a observações nas lagoas e registrar o que foi visto através da produção de relatórios, quais as roupas adequadas para realização do monitoramento, entre outros pontos. As crianças vão atuar na identificação, documentação e monitoramento continuado da avifauna local, integrando a atividades às matérias ministradas na escola durante as aulas de ciências, geografia, matemática, história, informática, belas artes, português, etc. A primeira visita dos alunos das Escola Municipal de Tavares e Escola Municipal São José está marcada para o dia 01 de setembro para monitoramento da lagoa no município de Confins.

Veja a apresentação que foi exibida para os alunos

Guia de Campo

Durante a capacitação os alunos receberam o Guia de Campo, material que inclui o mapa onde estão todas as lagoas que serão monitoradas, espaço para preenchimento de dados de cada aluno participante, instruções gerais de como proceder no campo, informações sobre as regiões cárstica com dados sobre sua geologia e aves aquáticas, como identificar e descrever uma ave e a ficha de campo para anotar informações sobre as espécies observadas. Só na região são cerca de 53 espécies de aves já catalogadas.

Conheça o Guia de Campo

Curiosas com o novo trabalho que está prestes a entrar na rotina escolar e na vida das crianças, elas acompanhadas atentamente e tiraram dúvidas durante a explicação do biólogo Leandro, na tarde da quarta-feira, dia 12 de agosto, na Escola Municipal de Tavares, em Confins. Maria Eduarda Ribeiro, Isadora Luiza Silva e Gabriella Barboza Silva, estudantes da 7ª série, estão ansiosas pelo início do trabalho de campo do projeto. “Gostei do projeto e da palestra e acho que vai abrir muitas portas pra gente. Vou aprender a diferenciar aves, que eu não sei.”, relata Maria Eduarda. Já Isadora Luiza enxerga a importância que o projeto tem para o meio ambiente. “No futuro a gente vai saber diferenciar os pássaros, a gente pode passar para as pessoas o que a gente aprendeu e preservar a natureza”, afirma a estudante. Já Gabriella Barboza, que adora a matéria de geografia, está feliz com a novidade. “Eu gostei dessa iniciativa de juntar várias turmas para fazer pra ir nos lagos. É uma novidade pra gente”, comenta a aluna.

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Crédito: CBH Rio das Velhas – TantoExpresso/Ohana Padilha

Por que monitorar lagoas cársticas?

O monitoramento do ciclo de lagoas temporárias e suas aves aquáticas é fundamental para entender as mudanças climáticas e a maneira correta de atuar na conservação ambiental. Questões como a relação entre clima, planeta e desmatamento, as características das lagoas e as espécies de aves que as frequentam, para onde as aves vão quando deixam as lagoas carsticas, dentre outras serão respondidas durante o projeto Rede Asas do Carste, que colocará alunos e professores em contato com a sustentabilidade do ambiente onde vivem.

Para Élio de Oliveira, professor de Geografia da Escola Municipal de Tavares, em Confins, não há como desvincular a sua matéria da educação ambiental. O professsor vê com muito otimismo a mudança que o projeto pode causar na vida dos seus alunos. “Eu vejo uma grande oportunidade nesse projeto porque é uma forma de conscientizar para as mudanças de atitude com relação as questões ambientais. Essa faixa etária é a mais adequada porque eles são novos e vão atuar como multiplicadores com suas famílias. Os alunos estão curiosos será uma grande oportunidade de gerar um impacto na forma de pensar deles, de mudar o comportamento”, relata o professor.

Além de mostrar aos alunos a importância da preservação do meio ambiente, o projeto Rede Asas do Carste vai mais longe e proporciona o intercâmbio entre a escola e a universidade. “Esse projeto vai ultrapassar os muros da escola, pois ele vai possibilitar aos alunos e a comunidade popularizar a ciência, fazendo com que, através do conhecimento e das visitas em campo, conheçam a realidade em que eles  vivem. E isso é o que chamamos de educação ambiental”, relata a bióloga e colaboradora do projeto, Izabela Carvalho Bento, responsável por realizar a capacitação dos professores e a organização dos dados que serão coletados pelos alunos durante as visitas nas lagoas.

Para Izabela o projeto é uma oportunidade de sensibilizar e mobilizar o indivíduo, provocando reflexões e mudanças de comportamento. E para isso é fundamental que o aluno conheça de perto, experimente, observe e analise o cenário rico em biodiversidade em que ele vive, para enxergar a importância e o valor da preservação.

Conheça o mapa do projeto
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Assessoria de Comunicação CBH Rio das Velhas
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