Navegando no hiato de vazão consideravelmente reduzida do Rio das Velhas – entre a Estação de Tratamento de Água (ETA) de Bela Fama, que puxa água, e os Ribeirões Arrudas e Onça, que devolvem parte – a equipe da Expedição ‘Rio das Velhas, te quero vivo’, a bordo de seus caiaques, chegou à cidade de Sabará, nessa sexta-feira (02 de junho). Desde o último domingo (28 de maio), a caravana desce o Rio das Velhas da nascente, em Ouro Preto, com a missão de chegar em Santa Luzia no dia 03 de junho. O objetivo do projeto, idealizado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) e Projeto Manuelzão, é conhecer a realidade atual do Alto Rio das Velhas e mobilizar a sociedade para a imprescindível revitalização do rio.

Nessa sexta-feira, os expedicionários percorreram um total de 14km entre Raposos e Sabará. Um caminho marcado pela vazão reduzida, justamente por se encontrar no trecho entre a ETA de Bela Fama – principal ponto de captação de água para o abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que consome 5 mil litros de água do Rio das Velhas a cada segundo – e as fozes dos Ribeirões Arrudas e Onça, que devolvem ao rio parte de suas águas, ainda que com volumes muito grandes de esgoto e demais efluentes. “A baixa vazão torna a navegação muito difícil e trabalhosa e a pouca água que se tem é extremamente poluída”, conta o canoísta Erick Sangiorgi, mobilizador social do Projeto Manuelzão.

A poluição oriunda da emissão de esgoto in natura no rio também define o caminho percorrido nessa sexta-feira, assim como as dezenas de mineradoras que rodeiam o trecho – e que bebem das águas do rio para beneficiar os minerais extraídos, sendo também responsáveis pelo despejo de sedimentos no corpo hídrico. “O legado da mineração na região a gente vê claramente no rio: um rio muito assoreado, com as margens cheias de bancos de lama de minério”, conta Erick.

O aposentado Valentim de Sá mora há mais de 30 anos às margens do Rio das Velhas, no trecho entre Raposos e Sabará, próximo à foz do Ribeirão Brumado. Ele acompanhou de perto as mudanças sofridas pelo rio. “Antigamente, se tinha três, quatro vezes mais água do que se tem hoje. Era uma fartura só, muito peixe. Hoje em dia a gente vê muito peixe morrendo junto com a lama que desce das mineradoras. É muito triste ver isso”, conta.

Educação Ambiental e Mobilização Social em Sabará

Ao final de mais um dia remadas, os canoístas da Expedição ‘Rio das Velhas, te quero vivo’ foram recebidos na Praça de Esportes de Sabará com apresentação de banda, fanfarra e várias outras atrações de escolas e demais entidades da região. Assim como nas demais localidades visitadas, eles participaram de um bate papo com os moradores sobre os pontos que mais chamaram a atenção durante a viagem entre Raposos e Sabará.

Amanhã, a expedição encerra a navegação pelas águas do Rio das Velhas na cidade de Santa Luzia.

Veja as fotos do sexto dia de Expedição:

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Qualidade das águas do trecho percorrido

O Índice de Qualidade das Águas (IQA) é um indicador utilizado para avaliar a qualidade da água bruta, visando seu uso para o abastecimento público, após tratamento. Os parâmetros utilizados no cálculo do IQA são em sua maioria indicadores de contaminação causada pelo lançamento de esgotos domésticos.

O trecho percorrido é considerado como Classe 2, conforme enquadramento de classe DN COPAM 97, não sendo indicada para irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película. Para o abastecimento humano, recomenda-se também o tratamento convencional da água.

Jornada percorre oito municípios

A Expedição ‘Rio das Velhas, te quero vivo’ acontece entre os dias 28 de maio e 04 de junho e passará pelos municípios de Ouro Preto, Itabirito, Rio Acima, Nova Lima, Raposos, Sabará, Santa Luzia e Belo Horizonte. A iniciativa tem o objetivo de demonstrar que a situação da qualidade e quantidade das águas está cada vez mais ameaçada por ações antrópicas, advindas da ocupação desordenada, da mineração e outras atividades que colocam em risco a segurança hídrica da capital, bem como a vitalidade do Rio das Velhas.

O trecho de abrangência da ação está inserido em uma região que é caraterizada por ser uma zona de recarga fluvial fundamental para o abastecimento de Belo Horizonte e abriga significativos aquíferos que contribuem diretamente para a manutenção do ciclo hídrico da região. Junto à Expedição, profissionais da Universidade Federal de Minas Gerais/UFMG farão coletas e avaliação de parâmetros de qualidade da água em pontos estratégicos do trajeto. O objetivo é elaborar um diagnóstico do Alto da Bacia do Rio das Velhas.

A Expedição ‘Rio das Velhas, te quero vivo’ é uma realização do CBH Rio das Velhas e do Projeto Manuelzão com a parceria da Agência Peixe Vivo, Copasa e apoio das prefeituras municipais de Ouro Preto, Itabirito, Rio Acima, Raposos, Nova Lima, Sabará, Santa Luzia e Belo Horizonte.


Mais informações e fotos em alta resolução:

Assessoria de Comunicação CBH Rio das Velhas
comunicacao@cbhvelhas.org.br
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