Por sua crescente forma de participação dentro da sociedade, com forte influência nas decisões das políticas de desenvolvimento, a mulher está diretamente relacionada à causa ambiental e ao desenvolvimento sustentável. O avanço das sociedades tem trazido à mulher melhores condições de vida e o reconhecimento do papel de importância fundamental que exerce na vida das comunidades onde estão inseridas. Por isso, nesta quarta-feira, 8 de março, quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), por meio de suas coordenadoras-gerais de Subcomitês de Bacia Hidrográfica, homenageia todas aquelas que contribuem para a preservação ambiental, conscientização social e manutenção da quantidade e qualidade das águas do Rio das Velhas e de seus afluentes.

São mulheres que se destacam e fazem a diferença quando o assunto é meio ambiente e recurso hídrico. Elas atuam nas áreas de educação, gestão e planejamento e contribuem, decisivamente, para a preservação das áreas ambientais e da qualidade de vida das populações onde atuam.

Sensibilidade feminina 

Cristiane Shirley de Oliveira é coordenadora-geral do Subcomitê Rio Paraúna desde 2015. Formada em Letras e Pedagogia, atualmente cursa Direito. A coordenadora iniciou sua participação no Subcomitê em 2008, quando acompanhava o representante da Prefeitura de Presidente Juscelino nas reuniões ordinárias da entidade. A partir daí, Cristiane começou a se interessar pela causa ambiental. Para incrementar sua atuação no Subcomitê, se especializou em Gestão Ambiental. “Fui estudar para ter vez e participar de forma mais ativa dos problemas do rio”, destaca. Cristiane relata ainda que quando ingressou no Subcomitê Rio Paraúna, era diretora de escola municipal e, que por meio de sua atuação no Subcomitê, foi implementada a disciplina de Educação Ambiental no currículo escolar de todas as escolas municipais.

Segundo a coordenadora, sensibilidade é a palavra da mulher nas ações voltadas para preservação do meio ambiente. “Temos um olhar mais clínico para as causas ambientais, observando necessidades e com a intenção de sempre poder fazer algo”, diz. Para o futuro ela espera que a qualidade e quantidade das águas da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas possam ser melhoradas e também, que as matas ciliares sejam preservadas. “Meu sonho seria que todos os problemas fossem resolvidos, mas sabemos que os resultados vêm a longo prazo e que depende do envolvimento e participação de muitas pessoas. Sabemos também que os municípios têm suas responsabilidades e que os governantes precisam, cada vez mais, ver o meio ambiente como uma necessidade urgente de preservação”, destaca.

O instinto natural de cuidar

Simone Alvarenga Bottrel é coordenadora geral do Subcomitê Águas da Moeda. Formada em Recursos Humanos, com especialização em Meio Ambiente, é pós graduanda em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral.

Simone lembra que iniciou suas atividades na área ambiental trabalhando como voluntária, no Projeto Manuelzão, criando o Subcomitê Cardoso Cristais. Destaca o trabalho de mobilização em uma escola, destinado a cuidar e preservar uma cachoeira, no Vale do Sereno, que estava prestes a ser enterrada. “Conseguimos pelo menos salvá-la e hoje a cachoeira sobrevive entre muitos prédios”, lamenta a coordenadora do Águas da Moeda.

Bottrel passou um tempo fora de Belo Horizonte e, quando retornou em 2007, o Subcomitê Cardoso Cristais estava praticamente desativado. Foi então, que ela ajudou na criação do Comitê Macacos, cuja atuação e projetos tornaram-se referência estadual para gestão de bacias para a Secretaria de Estado de Ciências e Tecnologia. “Foi uma época fantástica. Realizamos estudos na bacia, expedições e muitas pesquisas foram feitas com apoio da UFOP, PUC Minas e Milton Campos.  Nesse período também foi criado o primeiro núcleo de mediação de conflitos”, destaca

Entretanto, havia a necessidade de criar um Subcomitê forte, com atuação em todos os rios que compõem a região do Sinclinal Moeda. Então, em 2012, com a composição dos Subcomitês Cardoso Cristais, Macacos e Peixe, foi criado o Subcomitê Águas da Moeda com a participação dos municípios de Itabirito, Nova Lima, Raposos, Rio Acima e Sabará.

Em 2017, Bottrel foi eleita coordenadora geral do Subcomitê Águas da Moeda. “Eu me candidatei pois acredito que o Águas da Moeda precisa de uma gestão forte. Temos potencial e muitos planos. Como gestora acho imprescindível trabalhar o planejamento estratégico, como metas sólidas, divisão de trabalho e de responsabilidades”, ressalta. Dentre as metas de sua gestão está o cuidado com as nascentes da região, especialmente em locais de invasão.

Em relação à atuação no meio ambiente, Bottrel destaca que a mulher já nasceu cuidadora, ela tem em seu DNA o cuidado com a casa, com os filhos com as pessoas e com a natureza.  “A mulher possui uma a sensibilidade incrível para perceber a beleza das coisas, os detalhes. Tem o instinto natural de proteção. Adquirimos outras habilidades e vamos evoluindo na vida, mas todas as essas habilidades nos empoderam para cuidar do meio ambiente com profissionalismo e amor”, destaca.

Flexibilidade ao entender os ciclos naturais

Fernanda Souto Loyola, coordenadora-geral do Subcomitê Rio Cipó é formada em Geografia e é especialista em Gestão Ambiental. O interesse pela causa do meio ambiente surgiu durante a graduação. Fernanda também é professora na rede estadual desde 2009. Foi coordenadora de Curso Técnico de Meio Ambiente, onde ministrou a disciplina Gestão de Recursos Hídricos.

Há dez anos, Fernanda passou a residir na Serra do Cipó onde buscou participar das ações de preservação naquela importante região ambiental. Atuou também como condutora ambiental. Nessa época mantinha o diálogo permanente e participava ativamente de reuniões do Codema e com a equipe do Parque Nacional da Serra do Cipó.

Loyola relata que a discussão em torno do meio ambiente no local ainda é muito recente. Há aproximadamente 15 anos, com o adensamento urbano e suas imediatas consequências para a qualidade das águas dos rios, iniciou-se o trabalho local de preservação das águas do Cipó, que é considerado berçário natural da bacia do Rio das Velhas, oferecendo condições naturais para reprodução dos peixes e para a vida do rio.

Fernanda relata que foi durante o Encontro Nacional de Comitês de Bacias, em 2009, realizado em Uberlândia, que surgiu a ideia de criar um Subcomitê para a gestão das águas na Serra do Cipó. Em 2012, com apoio do setor e com grande participação popular, Fernanda participou da criação oficial do Subomitê Rio Cipó.

Loyola explica que devido a seu conhecimento da legislação, a experiência na sala de aula e o incansável engajamento na causa ambiental, acabou ocupando, por duas vezes, a coordenação geral no Subcomitê Rio Cipó. “Nossa meta é estimular a participação efetiva dos municípios nos projetos e ações do Subcomitê e fazer valer a Lei dos Recursos Hídricos. Queremos trazer a sociedade para o diálogo e buscar recursos para melhoria da qualidade e quantidade de nossas águas”, destaca a coordenadora.

Sobre a importância do envolvimento da mulher nas questões ambientais, a professora destaca que a mulher tem uma sensibilidade que se manifesta de forma latente e que ela consegue pensar em todos os lados, com flexibilidade em diversas situações. “A mulher tem um carinho e uma forte ligação com a natureza. Tem também uma propensão maior a entender os ciclos naturais e se entender como parte ativa deles. A mulher, principalmente por ser mãe, pensa com mais carinho e atenção no futuro”, ressalta.

Participação da mulher

Entre 18 Subcomitês na área de abrangência do Rio das Velhas, destaca-se que somente três deles são geridos por mulheres, ou seja, apenas 17% do total. Os números do CBH Rio das Velhas demonstram que ainda há uma pequena participação das mulheres nos cargos de gestão à frente de políticas públicas e de ações de preservação ambiental na bacia do Rio das Velhas.

Entretanto, o presidente do CBH Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano, ressalta que o Comitê tem buscado, cada vez mais, a participação das mulheres em todas as áreas de atuação no território da bacia. “Temos nos esforçado em mobilizar e trazer as mulheres, não somente para os cargos de coordenação mas para o trabalho diário e direto na defesa das águas. Já são muitas mulheres que desempenham diversas atividades no CBH Rio das Velhas, que são conselheiras e também aquelas que tem atuação direta nos Subcomitês contribuindo para construir uma visão mais feminina da nossa relação com o ambiente e com a vida”, frisa.

De acordo com Polignano, a mulher tem uma relação mais intrínseca com a natureza e por ser geradora de vida, possui uma sensibilidade maior em relação ao meio ambiente. “A mulher ocupa lugar de destaque na luta pela preservação da água, da vida, dos rios como um fator simbólico na construção de um mundo melhor”, conclui o presidente.

O Dia Internacional da Mulher foi criado, em 1977, pela Organização das Nações Unidas (ONU) para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres.

montagemCristiane Shirley, coordenadora geral do Subcomitê Rio Paraúna, Simone Alvarenga Bottrel, coordenadora geral do Subcomitê Águas da Moeda, Fernanda Souto Loyola, coordenadora geral do Subcomitê Rio Cipó

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