Apesar das últimas chuvas que caíram em Minas Gerais, a situação dos rios e nascentes ainda pode ser considerada crítica. O rio das velhas também se encontra em condições desfavoráveis. Responsável por 40% do abastecimento da região metropolitana de Belo Horizonte e por 60% da capital, ele ainda está com pouca vazão, o que ocorreu há poucos dias com a estiagem na região de sua nascente, em Ouro Preto.

De acordo com o coordenador do Subcomitê Nascentes, Ronald Carvalho, com as chuvas de janeiro, a nascente deveria estar com o dobro de sua vazão. “Para um período de chuva, a nascente deveria estar com maior volume de água, mas ele é igual ao de seca”, alertou. O problema segundo ele seria a longa estiagem.

Morador na região da nascente e acostumado a ver o rio das Velhas, Ronald, deu um alerta no mês passado sobre a situação preocupante do rio. “Nunca ocorreu uma vazão tão pouca da nascente. Isso preocupa toda a bacia”, disse. “Apesar das chuvas ainda precisamos cuidar de nosso rio. Temos que criar mecanismos, para que a situação não volte a se repetir. Queremos um rio das Velhas limpo, navegável e com boa qualidade de águas e isso depende de todos”, alerta.

“Essa questão de falta de água nos rios e geral e está ligada aos efeitos climáticos ligados ao grande período de estiagem. Em cada região isso vai repercutir de uma determinada maneira. Como a nossa região que é a cabeceira do rio das Velhas e ainda tem muitas áreas florestadas, de Mata Atlântica, nativa, esse efeito é mais lento”, declarou ao afirmar que apesar de a região da nascente ter uma área relativamente preservada está chovendo muito pouco, com isso, o lençol freático não está armazenando muita água, o que faz com que as nascentes fiquem com pouco volume. “Isso é sinérgico, vai somando e reflete nos cursos do rio. Sempre digo não é somente a nascente que abastece o rio, o sistema é dinâmico, o rio está sempre recebendo água do lençol”, revelou.

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Ainda segundo ele, a nascente contribui, mas também está recendo do solo, dos lençóis freáticos. “O fato é que não vimos o rio com tão pouca água, mesmo num período chuvoso. Fizemos uma Expedição em 2003, continuei mantendo essa atividade e aqui num trecho que fica na cabeceira, cerca de 6 km, nunca remei com tão pouca água. Mesmo no período de estiagem, esse trecho que fica a montante de São Bartolomeu continua com muita água. O que nos surpreende é isso, que mesmo num período chuvoso estamos com comportamento hídrico dos rios pior que num período de estiagem. A água ainda está muito superficial e somente as chuvas mais prolongadas para saturar os lençóis freáticos”, alerta.

Vazão do rio

De acordo com a Agência Nacional das Águas (ANA) que monitora o volume e a vazão do rio das Velhas, a vazão em meados de janeiro era de 0,95 metros³/s (ou 950 litros por segundo). Já em fevereiro de 2010, a média foi de 4m³/s ou 4.000 litros por segundo.

Rio das Velhas próximo a ETA (Estação de Tratamento de Água) de Bela Fama)

Plano Municipal de Saneamento Básico

Desde que foi entregue pelo CBH Rio das Velhas à prefeitura de Ouro Preto, o Plano Municipal de Saneamento (PMSB) local vem passando por ajustes devido à constatação de erros no projeto da empresa responsável. Para o Secretário de governo da prefeitura local, Flávio Andrade, correções tiveram que ser feitas, mas as propostas continuam a de melhorar a situação do saneamento básico no município e consequentemente a qualidade dos rios. “Estamos todos empenhados em fazer o melhor para o município, assim que fizermos as mudanças pretendemos implantar o projeto”, declarou.

Para Ronald, não adianta ter um plano de saneamento se ele não é incorporado como política de governo. “O PMSB deve ser tratado com o devido cuidado e valor pelos órgãos responsáveis para que seja um instrumento para a gestão do governo. Se isso não for colocado em prática, ele não avança. O plano tem que se tornar uma política de Estado e não apenas de um governo, os governos passam”, disse.


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