O projeto Produtores de Água vai contemplar cerca de 100 iniciativas rurais que atuam na preservação da água no município de Sete Lagoas (MG).

Para fortalecer projetos que atuam no aumento da oferta de água nas bacias hidrográficas do Brasil, há quase 15 anos a Agência Nacional de Águas (ANA) desenvolveu o Programa Produtor de Água. Através do apoio técnico e financeiro pela política de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), o programa valoriza iniciativas de preservação do solo e das nascentes em áreas rurais das bacias hidrográficas do Brasil que atuem com a construção de terraços e bacias de infiltração, readequação de estradas vicinais, recuperação e proteção de nascentes, reflorestamento de áreas de proteção permanente e reserva legal, saneamento ambiental, entre outros.

A oportunidade do programa veio ao encontro das necessidades da região de Sete Lagoas (MG), onde hoje atua o Subcomitê da Bacia Hidrográfica Ribeirão Jequitibá. Lairson Couto, coordenador do Subcomitê e professor da UNIFEMM, inscreveu o projeto “O Produtor de Água nas Sub-bacias dos Córregos Marinheiro e Paiol, Afluentes do Ribeirão Jequitibá, Sete Lagoas, Minas Gerais” no Chamamento Público Nº 002/2014 onde a Prefeitura Municipal de Sete Lagoas é a proponente. O projeto foi contemplado há cerca de cinco meses com R$700.000,00 (setecentos mil reais) e tem como parceiros a UNIFEMM, AMBEV, EMATER, SAAE, EMBRAPA e o apoio do CBH Rio das Velhas, Subcomitê do Ribeirão Jequitibá, Rural Minas, Comunidades Rurais, dentro outros.

O local escolhido para atuação do projeto tem seus motivos. “Vamos trabalhar em um afluente importante do Jequitibá que é a sub-bacia do Paiol. Ele nasce na serra, onde é uma APA (Área de Proteção Ambiental) e ainda apresenta uma boa qualidade da água, além de ter vários pequenos produtores e comunidades rurais. Também vamos trabalhar em outra sub-bacia que é a Marinheiro. Ela nasce na área urbana e é a principal fonte de irrigação da Embrapa. E como já tem um projeto da Embrapa e da universidade federal no local, vamos investir lá para concentrar nossos esforços e obter resultado mais rápido,” explica Lairson, professor e coordenador do projeto.

Veja o projeto

Resumo

Anexo III

Plano de Trabalho

Serão contemplados cerca de 100 pequenos e médios produtores rurais que receberão o pagamento através do Serviço Autônomo de Água e Esgoto – SAAE. Um trabalho que será realizado durante dois anos e engloba conservação do solo e da água, através da manutenção e construção de cerca de 300 barraginhas, terraços e estradas vicinais.

Sustentabilidade no campo

Um bom exemplo de recuperação e conservação de solo e da água é realizado pelo produtor rural Guilherme Dias de Freitas, que adquiriu a propriedade “Estância Séjor” com a presença de áreas bastante degradadas. Para reverter a situação, Guilherme aplicou diversas técnicas de recuperação em pontos diferentes da Estância. Foram construídas barraginhas em áreas de erosão e voçoroca, que conseguem conter a presença a água e impedem que ela provoque danos no solo, abastecendo o lençol freático. Também foram realizados plantios em curva de nível e terraceamento, técnica agrícola e geográfica de conservação do solo destinada ao controle de erosão hídrica utilizada em terrenos muito inclinados.

montagem

Crédito: CBH Velhas – TantoExpresso (Michelle Parron)

“Se você tem áreas com cobertura vegetal, quando chove a vegetação consegue atenuar a força da água da chuva. Faz com que a água infiltre melhor no solo e tenha menos escoamento superficial. A gente tem que trabalhar com conservação da vegetação, com contenção de processos erosivos, com ações que permitam uma maior absorção da água no solo. Esse conjunto permite que a gente consiga abastecer o lençol freático e conter processos degradadores dos cursos d’água. Se você conserva a vegetação, por consequência a fauna também é conservada”‘, afirma o produtor.

Nos mapas abaixo é possível ver um comparativo da área da Estância Séjour antes e depois de iniciado o processo de recuperação.

Imagem aérea de 2008

Imagem Fazenda Sejour 2018

Imagem aérea de 2015
Imagem Fazenda Sejour 2015

Consciente da importância de proteger o solo, lançando mão de diversas ferramentas para isso, Guilherme mostra que para produzir água é preciso dedicação. “Se você tem um trabalho voltado para conservação de solo, para contenção de água, para favorecer a absorção de água pelo solo, você cria condições na sua propriedade para que ela realmente contribua para permanência da água e também para o fornecimento e produção de água. Depois de você fazer uma série de coisas esse é o resultado que você tem: produção de água.”

O produtor rural será um dos contemplados pelo projeto produtores de água e vê com bons olhos a iniciativa, mas também alerta que é importante pensar na proteção do meio ambiente como um todo. “Como produtor rural e proprietário de área rural, eu vejo que a atuação em área rural tem que contemplar a proteção do meio ambiente. E eu tento conduzir os trabalhos neste contexto de conciliar produção e retorno financeiro com preservação ambiental. E como é que se insere a produção de água, para mim ela é resultado das coisas que estão sendo feitas”, afirma.

Veja mais fotos das áreas de recuperação na Estância Séjour


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Assessoria de Comunicação CBH Rio das Velhas
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