O intuito da proposta é envolver escolas e academia criando uma ponte de acesso ao conhecimento de alunos e professores.

Envolver a escola na proteção e preservação do meio ambiente e fazer com que os alunos se sintam conhecedores e participantes na construção e conscientização das mudanças ocorridas no local em que vivem são os objetivos principais do projeto “Rede Asas do Carste”. A proposta quer envolver os diversos atores da sociedade regional e conta com a participação da equipe da ICMBio, responsáveis pela APA Carste de Lagoa Santa; Instituto Estadual de Florestas (IEF), gestor das diversas unidades de conservação no território, dentre elas os Parques Estaduais do Sumidouro e Cerca Grande; dos membros do Subcomitê Carste, da sociedade civil – através de ONGs de ação local – e do setor empresarial.

O projeto foi apresentado aos professores e representantes de escolas do ensino médio de seis municípios da região, na última reunião realizada pelo Subcomitê Carste, no dia 26 de fevereiro, em Pedro Leopoldo. O intuito é capacitar alunos e professores do ensino médio na identificação, documentação e monitoramento continuado da avifauna local, que será integrado a uma rede de informação. Participarão do projeto escolas de Confins, Funilândia, Lagoa Santa, Matozinhos, Pedro Leopoldo e Prudente de Morais.

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Projeto Rede Asas do Carste

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“Nosso intuito é incentivar o ensino, a aprendizagem e práticas conservacionistas de sensibilização dos alunos e das comunidades locais, integrando o conhecimento de diversas disciplinas como a matemática, geografia e história, divulgando assim a importância das lagoas e suas biodiversidades”, esclarece o coordenador do Subcomitê Carste, Daniel Duarte, ao afirmar que” o CBH Rio das Velhas e o Subcomitê acreditam na educação como transformadora social”.

Para o professor Eugênio Cortes, do Departamento de Biologia Geral da UFMG, parceiro do projeto, as propostas vão além e pretendem que os estudantes monitorem os ciclos das lagoas temporárias e suas aves aquáticas, as mudanças climáticas e a sustentabilidade local. “A necessidade de atuar localmente é maior e passa pela conscientização das pessoas e isso passa por esse projeto. Se as crianças não entendem por que preservar o local onde vivem, não se sentirão responsáveis por ele”, afirma.

O projeto será norteado por indagações que questionem: por que as lagoas secam, qual relação tem com o clima do planeta e os desmatamentos, a relação entre a qualidade de água das lagoas e as espécies de aves que as frequentam, as aves que fizeram e fazem parte do ecossistema.

Ao analisar essas questões, o professor destaca que o projeto ao responder essas perguntas fará um exercício de aprendizado fascinante nas mentes curiosas dos estudantes. “A dinâmica colocará alunos e professores em contato com a teoria de sustentabilidade e seus benefícios vão se estender além das salas de aula fazendo com que os estudantes inspirem seus familiares, amigos e a comunidade a cuidar do meio ambiente e pensar no futuro”, disse.

Metodologia

A metodologia utilizada, de acordo com o professor, será de forma continuada, realizada por um grupo de 20 alunos do ensino médio oriundos de cada município da APA Carste de Lagoa Santa, uma turma por município. Os estudantes farão a documentação fotográfica das aves existentes no local e suas características, através de visitas às lagoas em dias e horários pré-determinados. A orientação dos professores e a formação dos monitores locais serão feita por voluntários capacitados das ONGs e Secretarias de meio ambiente locais, o SCBH Carste e professores e alunos de pós-graduação da UFMG.

Os trabalhos serão desenvolvidos em duas etapas, uma com as visitas de campo, quando ocorrerão a documentação fotográfica e relatórios e outra em que serão realizados os trabalhos dentro de sala de aula e laboratório. De acordo com o cronograma, o projeto deverá ser realizado em três anos e começará em julho de 2015.

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Professores apoiam o projeto

Na oportunidade, professores e representantes das escolas locais puderam conhecer o projeto. Durante apresentação foram levantados vários pontos e dúvidas. Para a bibliotecária, da Escola Estadual São José, de Confins, Celeste Teixeira da Costa Silva, a participação das escolas abre caminho para um conhecimento vivencial. “Nossa escola vai apoiar o projeto, pois hoje precisamos de alunos mais conscientes de seu papel na sociedade”, disse. Já para o vice-diretor da Escola Estadual Lafaiete Gonçalves, Nilson Alves, o projeto vem de encontro à questão preocupante da situação de crise hídrica. “Quando aplicado ele terá uma função importante, levará nossos alunos a conhecer o ambiente em que vivem, a vivenciar a fauna e a flora e estabelecer contato com a natureza. Além de proporcionar a multidisciplinaridade do processo”, ressaltou.


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