Dando início à programação das comemorações ao Dia Mundial da Água, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), APA Carste Lagoa Santa e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizaram o seminário “Águas Subterrâneas na APA Carste Lagoa Santa: Monitoramento para uma Gestão Sustentável”, na tarde de ontem (20), no auditório da Escola Municipal Dr Lund, em Lagoa Santa.

A região do Carste é uma das regiões brasileiras mais importantes em termos de paisagem cárstica carbonática e da história das ciências naturais do país, pois localiza-se na sub-bacia do Ribeirão da Mata, afluente do Rio das Velhas, o qual é um importante tributário do Rio São Francisco em terras mineiras. Além disso, a região possui um destaque histórico, pois é onde foram encontrados os primeiros fósseis humanos e pré-históricos do continente americano.

Porém, mesmo com esse importante contexto histórico e natural a região é ameaçada com pressões diretas e indiretas advindas das atividades humanas, como a exploração minerária, a abertura de estradas, a perfuração de poços que impactam no fluxo subterrâneo das águas, a ocupação urbana desordenada, a falta de esgotamento sanitário e etc.

Diante desse contexto, o seminário teve o objetivo de apresentar à comunidade da Bacia os estudos que estão sendo realizados na APA Carste, de ampliar a discussão com a sociedade sobre o Plano de Manejo da APA e de discutir os variados usos e impactos existentes na região.

O Diretor de Operações Metropolitana da Copasa, Rômulo Perilli, falou durante o seminário sobre os estudos que estão sendo realizados na APA, a respeito do Plano de Manejo, e a relação deles com a questão do abastecimento público da região.

“Há anos, a Copasa explorou o lençol subterrâneo do Carste para o abastecimento público da comunidade da região e com o passar do tempo percebeu-se que esses poços entraram em colapso. Assim, a Copasa trouxe para a região o Sistema de Abastecimento Metropolitano Integrado, onde possui uma adutora que transporta águas dos rios das Velhas e Paraopeba para o abastecimento, e a Copasa vem deixando de utilizar o manancial subterrâneo. Em 2015, terminando o Plano Diretor Metropolitano de Águas percebeu-se uma lacuna em relação ao manancial subterrâneo e foi feito, então, um apanhando sobre a situação subterrânea cárstica, que verificou o tesouro que é do ponto de vista da água. Assim, em parceria com o ICMBIO e Ministério Público Federal, a Copasa começou a propor ações de melhorias dos impactos do esgotamento sanitário das águas superficiais e a revisão do Plano de Manejo da APA Carste Lagoa Santa. Para isso, atualmente estão sendo realizados com o auxílio da universidade, estudos de monitoramento das águas subterrâneas que realmente reflitam sobre as especificidades da região”, explicou Perilli.

O presidente do CBH Rio das Velhas, Marcus Vinicius Polignano, faz um alerta sobre a cultura dos poços. “O Alto Rio das Velhas não possui água suficiente para as outorgas existentes na região e nos meses de estiagem a situação ainda piora, pois com a falta de água superficial há a perfuração de mais poços, que alteram todo o sistema hidrológico da água”.

Polignano, ainda chama a atenção para as demais atividades humanas que impactam no fluxo hidrológico do Carste. “A produção de água é um sistema natural que depende da permeabilidade do solo e da capacidade de armazenamento. E isso, se transforma em afluentes e nascentes que irão sustentar o sistema hídrico. Assim, se não considerarmos esse sistema e continuarmos a usar o solo do jeito que estamos fazendo, como a construção de empreendimentos que não levam em conta o sistema hídrico, entraremos em um cenário de colapso”.

Sobre o seminário, o presidente do Comitê, espera que a iniciativa seja o primeiro passo para a conscientização dos empreendedores, da sociedade e do poder público sobre aquilo que pode e não pode fazer com o uso da água. “Precisamos conhecer o sistema do Carste para gerir os recursos hídricos de forma sustentável”, finalizou.

Ciclo de palestras:

Iniciando as apresentações, Alan Vieira Gonzaga, representante do ICMBio e gerente da APA Carste Lagoa Santa, contextualizou a situação atual da APA e ressaltou que o Plano de Manejo existente se encontra desatualizado, por isso a importância dos novos estudos para a construção de um Plano mais eficiente.

Saiba mais sobre a APA Carste Lagoa Santa.

Sobre o estudo do “Programa de Monitoramento de Águas Subterrâneas na APA Carste Lagoa Santa”, a professora e doutora Leila Nunes Menegasse Velásquez da UFMG, falou sobre o projeto de adequação e implantação de uma rede de monitoramento de águas subterrâneas em áreas com cavidades cársticas da Bacia do Rio são Francisco aplicado à área piloto da APA Carste Lagoa Santa.

Veja a apresentação:

A doutoranda Manuela Corrêa Pereira da UFMG apresentou as fragilidades, antropismos e gestão territorial e ambiental na região cárstica de Lagoa Santa.

Veja as fotos do evento:

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O seminário também contou com o apoio do Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (IGC/UFMG), do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDNT), Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV), da Empresa Pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia (CPRM Serviço Geológico do Brasil), Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (ABAS –MG), Projeto Manuelzão, Subcomitê Carste e Subcomitê Ribeirão da Mata.


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Assessoria de Comunicação CBH Rio das Velhas
comunicacao@cbhvelhas.org.br