O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), em parceria com o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba, realizaram o primeiro seminário conjunto “Os Dois Lados da Moeda: Crescimento Econômico x Produção de Água”, no dia 18 de novembro, no auditório da Cemig, em Belo Horizonte. O objetivo do evento foi debater a relação entre o crescimento econômico e a produção de água no Sinclinal Moeda (formado pela Serra da Moeda) e discutir os potenciais hídricos, pressões ambientais e impactos no território de convergência dos dois Comitês. A iniciativa foi o primeiro passo para a construção, fortalecimento e integração das duas regiões hídricas de Minas Gerais.

O Sinclinal Moeda é um sistema montanhoso com grandes reservas de água subterrânea que começa ao sul de Belo Horizonte, na divisa com Nova Lima, e segue até Congonhas. No entanto, nem só de suas belezas naturais vive a região onde encontram-se condomínios de luxo, mineradoras, uma fábrica de refrigerantes, em Itabirito e o projeto urbanístico CSul, que engloba 27 milhões de m² entre Nova Lima e Itabirito e que pretende atrair cerca de 145 mil moradores nos próximos 45 anos.

O presidente do CBH Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano, explica que o Sinclinal Moeda é um dos maiores reservatórios de água, sendo responsável por afluentes importantes das Bacias Hidrográficas dos Rios São Francisco, Velhas e Paraopeba e que por isso, é fundamental definir uma política pública de proteção para esta área. “É de extrema importância a adoção de medidas de proteção e preservação para evitar riscos de danos permanentes e de longa duração para a manutenção das suas funções ambientais, especialmente para a produção de água”, esclarece.

Polignano acrescenta que é preciso entender que não será possível ocupar todo o entorno da Serra da Moeda. É necessário realizar uma avaliação ambiental integrada da região. Além disso, também é preciso realizar um estudo quanto aos aspectos hidrogeológicos e definir um projeto de Uso e Ocupação do Solo da APA-SUL a fim de proteger suas nascentes e cursos de água.

O presidente do CBH Rio Paraopeba, Denes Martins da Costa Lott, fala sobre a preocupação dos dois Comitês com os impactos que os novos empreendimentos vão trazer principalmente para os aquíferos e nascentes da região e afirma: “Como entidades que congregam diversos setores da sociedade, poder público e usuários, o CBH Rio Paraopeba e o CBH Rio das Velhas têm a função de fazer a gestão pública dos rios e garantir a qualidade de vida no entorno das Bacias”, afirma.

Assista a abertura com os presidentes. 

As palestras do Seminário “Os Dois Lados da Moeda: Crescimento Econômico x Produção de Água foram divididas em quatro painéis. O primeiro teve como tema “Formação e Aspectos Socioambientais” e teve como um dos temas debatidos a formação e os aspectos socioambientais do Sinclinal Moeda que forma uma montanha com um platô central e que é fundamental para alimentar as nascentes nas Bacias do Velhas e Paraopeba. Assista ao primeiro painel na íntegra.

O segundo painel “Expansão Metropolitana e Crescimento Econômico no Sinclinal Moeda” abordou o Plano Metropolitano de Belo Horizonte, a Trama Verde e Azul e a importância de proteger os mananciais na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), agricultura sustentável e o crescimento imobiliário na região da Serra da Moeda.

“Produção de água no Sinclinal Moeda” foi o tema do terceiro painel. Foi mostrado que existem 46 Unidades de Conservação (UC) na região do Sinclinal Moeda e a importância da conservação destas áreas para a biodiversidade. Também foi mostrada a importância da integração dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos visto que a natureza sempre trabalha de modo integrado. Além disso, a Copasa apresentou no painel o funcionamento do Sistema Integrado de Abastecimento de Água da Região Metropolitana de Belo Horizonte e as estratégias de operação das captações nos Rios das Velhas e Paraopeba. E o SAAE-Itabirito mostrou o funcionamento da Unidade de Tratamento de Água (UTA) localizado na BR-040 e que entrou em operação em setembro de 2015.

O quarto e último painel teve como tema “Mobilização e Organizações Sociais”. Esse painel teve um momento para mostrar as discussões abordadas durante o II Seminário do Alto Rio das Velhas: Segurança Hídrica. Além disso, foram destacadas a atuação das ONGs Abrace a Serra da Moeda, Veredas e Cerrado, na luta pela preservação da água realizada por meio do Movimento pela Preservação da Serra do Gandarela. Finalizando o painel, a Fiemg apresentou uma palestra mostrando a Rede de Recursos Hídricos da Indústria mineira. 

Assista as entrevistas dos presidentes dos Comitês:

Encaminhamentos 

Após as apresentações do Seminário “Os Dois Lados da Moeda: Crescimento Econômico x Produção de Água” os presidentes e os representantes dos CBH Rio das Velhas e o CBH Rio Paraopeba decidiram criar um documento com as discussões e as proposições oriundas do evento, que será encaminhada, ainda em novembro, para as autoridades ambientais. Tendo em vista a importância do Sinclinal Moeda para a segurança hídrica da RMBH, continuarão sendo realizadas, periodicamente, reuniões entre os dois Comitês para análise hídrica e ambiental dessa região.

Veja as fotos do Seminário

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Carta dos Comitês de Bacia

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