O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) promoveu, entre terça-feira (24) e quarta-feira (25), no município de Várzea da Palma, no Baixo Velhas, o Curso de Capacitação em Agropecuária Sustentável, Práticas Agroecológicas e Agricultura Orgânica. A atividade integra o Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água, iniciativa do Comitê voltada ao desenvolvimento e execução de ações para maximizar o potencial de produção hídrica em sub-bacias hidrográficas, a partir do planejamento e da implementação de Soluções Baseadas na Natureza (SBN).
Nesta etapa, o Programa contempla quatro microbacias prioritárias: Rio Maracujá (Alto Rio das Velhas), Ribeirão Ribeiro Bonito (Médio-Alto), Ribeirão Soberbo (Médio-Baixo) e Córrego Pedras Grandes (Baixo Velhas). É justamente nesta última que o curso foi realizado, reforçando a premissa do CBH Rio das Velhas de que toda intervenção física no território deve ser acompanhada de ações de Educação Ambiental e Mobilização Social junto ao público beneficiado.
As atividades ocorreram no Sindicato Rural de Várzea da Palma, com apoio da Prefeitura Municipal e apoio técnico da Agência Peixe Vivo. A realização foi do CBH Rio das Velhas em conjunto com o Subcomitê Guaicuí.
A programação foi dividida em dois dias. No primeiro, os participantes acompanharam a abertura do evento, a apresentação do projeto e quatro blocos temáticos abordando fundamentos da agropecuária sustentável, agroecologia e agricultura orgânica, tecnologias e boas práticas de produção sustentável, além de organização social e comercialização. No segundo dia, as discussões tiveram foco prático, com conteúdos sobre produção de biofertilizantes e adubos orgânicos, bem-estar animal, processamento limpo e controlado e extrativismo sustentável.
Intervenções concretas na microbacia
Na microbacia do Córrego Pedras Grandes, os resultados do Programa já são expressivos. Foram executados mais de 38 mil metros de cercamento com instalação de tronqueiras para proteção das áreas recuperadas, além do plantio de mais de 22 mil mudas para recomposição da vegetação nativa.
Para controle de processos erosivos, houve plantio consorciado de gramíneas e leguminosas em mais de 15 mil metros quadrados, construção de 515 bacias de contenção (barraginhas), 635 metros de terraços e quase 50 metros de paliçadas. Também foram realizadas ações de controle de erosão em estradas, abrangendo cerca de 92 mil m².
O projeto inclui ainda dois pontos de monitoramento ambiental, acompanhando vazão, turbidez e precipitação, além de atividades socioambientais como seminário, oficinas e cursos de capacitação. A manutenção das intervenções segue em andamento, garantindo a continuidade e a efetividade das ações implementadas.
Quer saber mais sobre o Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água? Assista ao vídeo:
Sustentabilidade e impacto no território
De acordo com Daniel Augusto Martins Corrêa, engenheiro agrônomo da Fortal Engenharia, empresa executora do projeto, o curso foi estruturado para promover diálogo e aplicação prática no campo. “O curso buscou, através de informações e conhecimentos de pessoas que dominam o assunto, trazer essas informações e criar um diálogo com os proprietários rurais, tanto do entorno do Córrego Pedras Grandes, como os outros proprietários que foram convidados, sobre como cada um pode desenvolver essas práticas sustentáveis, trazendo benefícios tanto para o meio ambiente, como para a atividade em que eles desenvolvem na propriedade. Isso também impacta diretamente o ecossistema, em torno dos cursos da água, das nascentes, das reservas.”
Ele destaca ainda a relação direta entre práticas agropecuárias sustentáveis e produção de água. “O desenvolvimento da agropecuária sustentável, por meio de práticas agroecológicas e da agricultura orgânica, contribui de forma expressiva para a produção de água em microbacias hidrográficas. A implementação de técnicas mecânicas, como a construção de curvas de nível em terraços e barragens, aliada a práticas culturais, a exemplo do plantio em nível, rotação e consorciação de culturas e recuperação de pastagens degradadas, demonstra-se fundamental. Tais práticas promovem a permeabilidade e a cobertura do solo, minimizando a erosão superficial e, consequentemente, a erosão em profundidade. Em suma, essa metodologia e suas práticas associadas são elementos-chave para a conservação e o aumento da disponibilidade hídrica.”
Para Álvaro Gomes, coordenador do Subcomitê Guaicuí, a proposta vai além das intervenções físicas. “A iniciativa vai além de um simples programa de recuperação ambiental e de produção hídrica — que, por si só, já teria grande relevância. Trata-se de uma intervenção de caráter multidisciplinar, que não se limita a ações pontuais no território. Além das medidas voltadas à produção de água e à correção do solo, o projeto também investe na capacitação das pessoas que vivem e trabalham na região. A proposta é difundir uma metodologia mais sustentável de uso da terra, incentivando práticas mais responsáveis e um manejo ambientalmente adequado, com foco na preservação do solo e na sustentabilidade dos recursos hídricos.”
Ele complementa. “Ao integrar recuperação ambiental e formação técnica da comunidade local, a ação amplia seus impactos e fortalece a perspectiva de longo prazo. Mais do que uma transformação física do espaço, o programa promove mudança de comportamento e geração de conhecimento, o que torna o investimento no território mais consistente e duradouro.”
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Voz do produtor
Entre os participantes esteve Paulo César Teixeira Reis, produtor rural do Projeto de Assentamento (PA) Correntes, em Várzea da Palma. Ao explicar o que o motivou a participar, ele afirmou: “Eu gosto muito de mexer com plantações. Cuido de horta, crio animais e também me preocupo muito com a preservação das nascentes e da natureza. Quando soube desse curso, decidi participar para aprender mais ainda e, no que a gente puder, estar ajudando.”
Sobre o retorno das práticas sustentáveis para o produtor, ele é enfático: “Pelo meu ver, sim. Se fizesse isso mais vezes, seria melhor. Porque hoje, a gente vê muito o uso de química e veneno. Por isso, é importante abrir o olho do povo para o que foi apresentado aqui sobre o orgânico. É muito melhor, a gente comer uma coisa mais saudável, né!? Uma verdura mais saudável, uma carne mais saudável. Foi ótimo isso aqui.”
E, quanto à aplicação do aprendizado na propriedade, completa: “Tudo viu. O que estiver nas minhas condições e minha capacidade eu vou fazer o melhor para pôr em prática tudo o que aprendi aqui.”
Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Fotos: Álvaro Gomes
