Nesta quinta-feira (5), o Subcomitê Ribeirão Arrudas, instância do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), realizou uma visita técnica a três nascentes urbanas da sub-bacia do Ribeirão Arrudas que já passaram por ações de recuperação promovidas pelo Comitê. A iniciativa teve como objetivo avaliar as condições atuais dessas áreas e os resultados das intervenções realizadas ao longo dos últimos anos.
O roteiro incluiu uma nascente urbana localizada no bairro Nações Unidas, em Sabará, além das nascentes situadas no terreno da Escola Municipal Santos Dumont, no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte. A agenda foi encerrada com a visita à nascente recuperada na Vila Acaba Mundo, também na capital. Durante o deslocamento entre os municípios, os participantes fizeram ainda uma parada na foz do Ribeirão Arrudas com o Rio das Velhas.
Durante a visita, o Subcomitê fez observações técnicas e definiu encaminhamentos. Na nascente do bairro Nações Unidas, em Sabará, foi destacado o maior cuidado observado em áreas particulares, embora entraves jurídicos levem a própria Agência Peixe Vivo (APV) a priorizar, no próximo Programa de Mananciais e Nascentes Urbanos, áreas públicas sob gestão municipal. Diante disso, o grupo apontou a necessidade de retomar o debate e apoiar projetos de lei que criem incentivos aos cuidadores de nascentes em Belo Horizonte e Sabará.
Nas nascentes da Escola Municipal Santos Dumont, inseridas na bacia do Ribeirão Cardoso, verificou-se que as intervenções estruturais estão em boas condições, com manutenção realizada por alunos e estagiários da própria escola. Na nascente da Vila Acaba Mundo, embora as ações de valorização tenham ocorrido em espaço de uso comunitário, o acesso foi murado para a implantação de um projeto social. Como encaminhamento, o Subcomitê irá dialogar com a comunidade e o poder público para avaliar os impactos e benefícios desse novo cenário.
Resultados e reflexões
Integrante do CBH Rio das Velhas desde a criação do colegiado, Cecília Rute participou da implementação do Programa de Valorização de Nascentes Urbanas em 2016 e, dez anos depois, retornou às áreas para avaliar de perto os resultados das intervenções. Ela destacou a importância da revitalização das nascentes e avaliou positivamente a agenda. “A nascente em Sabará está muito bem cuidada, a Dona Rose faz um trabalho exemplar. Na Escola Santos Dumont, o lago está cuidado, embora não exatamente como esperávamos. Já na Vila Acaba Mundo, a quantidade de água impressiona, é uma maravilha, mas há problemas relacionados ao cercamento da área, o que impede o uso pela comunidade. Isso é algo que vamos estudar”, afirmou. Para Cecília, apesar dos desafios, as iniciativas são essenciais: “Vale muito a pena revitalizar as nascentes urbanas, porque, se a gente não cuida das nascentes, não tem água”.
Ao relacionar a necessidade de aprimoramento do amparo legal à valorização dos cuidadores de nascentes, a professora e geógrafa Márcia Marques, também conselheira do Subcomitê Ribeirão Arrudas, destacou que a preservação de áreas naturais em meio ao ambiente urbano é resultado direto do cuidado contínuo das pessoas que vivem nesses territórios. “Se hoje existem áreas preservadas dentro da cidade é porque alguém cuidou.
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É preciso reconhecer e valorizar essa prestação de serviço ambiental feita ao longo de uma vida inteira”, afirmou. Para ela, não basta valorizar apenas o espaço físico, mas também quem garantiu sua conservação, ressaltando a importância de instrumentos como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e incentivos fiscais. Márcia lembrou ainda que, no passado, iniciativas como a isenção de IPTU enfrentavam grandes resistências, reforçando que o fortalecimento dessas políticas ainda precisa avançar para assegurar o reconhecimento efetivo de quem manteve vivas as nascentes em áreas urbanas.
Representando a Secretaria de Meio Ambiente de Contagem, o gerente de Mobilização Socioambiental, Miqueias Maia, destacou que a participação na visita técnica contribui para o intercâmbio de experiências entre os municípios da bacia. Segundo ele, a agenda permitiu conhecer de perto iniciativas de recuperação de nascentes conduzidas no âmbito do Subcomitê Ribeirão Arrudas, que podem servir de referência para ações semelhantes em Contagem. “É uma oportunidade muito boa para que esses exemplos sejam replicados no nosso território, que também integra a bacia do Arrudas”, afirmou.
Miqueias ressaltou ainda que as experiências observadas podem fortalecer o Programa Contagem das Nascentes e ampliar ações de educação ambiental e mobilização socioambiental já desenvolvidas no município.
Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: João Alves
*Fotos: João Alves
