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Comunicação e engajamento social pautam a reunião da CTECOM

20/04/2026 - 15:56

A comunicação como ferramenta de mobilização social e o fortalecimento do protagonismo da sociedade civil marcaram a reunião da Câmara Técnica de Educação, Comunicação e Mobilização (CTECOM) do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), realizada de forma on-line nessa sexta-feira (17). O encontro reuniu representantes de Subcomitês e da equipe de Mobilização Social para discutir estratégias voltadas à educação ambiental e ao engajamento das comunidades na gestão das águas.


Um dos principais destaques da pauta foi a proposta apresentada por Rafael Magalhães para a criação de um perfil no Instagram da Unidade Territorial Estratégica (UTE) Águas da Moeda, monitorado e alimentado de forma colaborativa pela sociedade civil. A iniciativa tem como objetivo dar mais visibilidade às ações do território, ampliar a comunicação com as comunidades e traduzir pautas técnicas de forma mais acessível.

Segundo Rafael, a proposta também pode servir de referência para outros territórios da bacia. “O apoio e a parceria de cada entidade são fundamentais. Esta iniciativa pretende instrumentalizar a comunicação e a mobilização estratégica da unidade territorial, fortalecendo o papel articulador da sociedade civil, além de aproximar as comunidades das pautas, possibilitando diálogo”, disse Rafael. Ele destacou ainda que a experiência pode ser replicada por outras UTEs, ampliando o alcance da comunicação do Comitê em toda a bacia.

A proposta foi bem recebida pelos membros da Câmara Técnica, que reconheceram o potencial da iniciativa para fortalecer a participação social e modernizar os canais de comunicação.

Integração entre saberes tradicionais e técnicos

Outro ponto da reunião foi a apresentação do projeto “Raízes do Saber – Os Saberes da Terra” conduzido pelo Subcomitê Nascentes. A iniciativa foi apresentada por Saulo Filardi, que destacou a proposta de integrar educação ambiental, cultura e saberes tradicionais em uma abordagem sensível e territorializada. Durante sua fala, ele também solicitou o apoio dos membros da Câmara na divulgação e na realização do evento, reforçando a importância do engajamento coletivo para o sucesso da iniciativa.

O projeto propõe a criação de espaços de diálogo — simbólicos e práticos — onde comunidades locais, especialmente moradores de áreas rurais e tradicionais, possam compartilhar seus conhecimentos sobre o uso da terra, da água e das práticas sustentáveis.

A proposta parte do entendimento de que a gestão das águas não deve se restringir ao conhecimento técnico, mas deve incorporar também os saberes populares, valorizando experiências vividas no território. Nesse sentido, o “sentar-se à mesa” representa o encontro entre diferentes formas de conhecimento — técnico, científico e tradicional — promovendo escuta ativa, troca de experiências e construção coletiva de soluções para os desafios da bacia.

Além disso, o projeto busca fortalecer o sentimento de pertencimento das comunidades em relação ao Rio das Velhas, estimulando práticas de cuidado com as nascentes, o uso consciente da água e a valorização da cultura local como ferramenta de mobilização socioambiental.



Consulta aos Subcomitês

Na sequência, foi apresentado o resultado da consulta realizada junto aos Subcomitês sobre a “Caravana Piraju dá a letra: navegando e aprendendo sobre o Rio das Velhas”, uma das principais ações previstas no Plano de Educação Ambiental do CBH Rio das Velhas. A apresentação foi conduzida por Dimas Correa, da Agência Peixe Vivo, com explicações complementares da equipe de Mobilização Social, representada por Bruno Von Sperling.

O documento reúne contribuições de diferentes territórios da bacia e traz um panorama abrangente sobre prioridades, estratégias e expectativas para a ação. De forma geral, a consulta aponta como temas prioritários a preservação das nascentes e matas ciliares, o saneamento básico, a gestão de resíduos sólidos, a escassez hídrica e os impactos das atividades humanas na bacia.

Entre as estratégias sugeridas para a Caravana, destacam-se atividades práticas e participativas, como oficinas, mutirões, trilhas ecológicas, apresentações culturais e ações educativas em escolas. O uso de linguagem acessível, recursos lúdicos e a valorização da cultura local aparecem como elementos-chave para ampliar o envolvimento da população.

A consulta também reforça a importância de combinar mobilização presencial com estratégias de comunicação digital, incluindo redes sociais, rádios comunitárias e parcerias com lideranças locais. Além disso, propõe mecanismos de avaliação baseados tanto em indicadores quantitativos — como número de participantes — quanto qualitativos, como mudanças de percepção e comportamento das comunidades.


Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiza Baggio
*Foto: Ohana Padilha