Logo CBH Rio das Velhas

Iniciativa pioneira no Alto Velhas recupera áreas degradadas pela exploração de bauxita e cascalho

29/08/2025 - 16:24

Duas iniciativas inéditas no Parque Natural Municipal das Andorinhas, em Ouro Preto, e em Nova Lima, no Alto Rio das Velhas, vêm revertendo décadas de degradação provocada pela exploração de bauxita nessas regiões. As ações são fruto de um termo de cooperação técnica entre a empresa Civil Master, a Prefeitura de Ouro Preto, a Prefeitura de Nova Lima e a direção do parque, e têm promovido a recuperação ambiental e o retorno da vegetação nativa.


Ouro Preto

O Mirante do Vermelhão, um dos atrativos do Parque das Andorinhas, foi intensamente explorado no início dos anos 2000 para a extração de bauxita — minério essencial à produção comercial de alumínio. Localizado em uma área de 10 hectares que abriga nascentes do Rio das Velhas, o espaço passou a ser contemplado pelo Programa de Governança Socioambiental, conduzido pela Civil Master. Alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 2030) da ONU, a iniciativa, estruturada como um Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD), tem como metas reverter a degradação do solo, restaurar a biodiversidade, regenerar a cobertura vegetal e proporcionar um ambiente ecologicamente equilibrado, apto para o turismo ecológico, práticas esportivas, educação ambiental e fortalecimento da segurança hídrica.

Responsável pela ação socioambiental inédita no local, a Civil Master é uma empresa especializada em engenharia em áreas de difícil acesso e destina parte de seus recursos e mão de obra a projetos de recuperação nos municípios onde atua. No Vermelhão, já foram plantadas 100 mil mudas de espécies nativas, com adubação, irrigação contínua e aplicação de serrapilheira para proteção do solo. O trabalho inclui ainda a construção de barraginhas para retenção de água, a contratação de moradores do entorno e um plano de acompanhamento de quatro anos, visando restabelecer o equilíbrio ecológico e assegurar a recarga hídrica das nascentes do Rio das Velhas.

Para o engenheiro ambiental Breno de Souza, responsável pelo projeto no Mirante do Vermelhão, a iniciativa vai além de um desafio profissional; é uma realização pessoal. “É muito gratificante cuidar do meio ambiente e ver as coisas funcionando novamente. Me sinto como uma pequena peça contribuindo para recuperar essa área”, afirma.

Breno ressalta ainda a importância estratégica do local, que abriga nascentes do Rio das Velhas e funciona como uma “grande caixa d’água” natural, abastecendo o rio e parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). “Ao preservar a vegetação, garantimos habitat para a fauna, estimulamos o turismo, geramos renda para a comunidade e, ao mesmo tempo, asseguramos um benefício global: proteger a nascente de um rio vital para milhões de pessoas”, completa.

Nova Lima

Assim como o mirante, a área da antiga cascalheira do Campo do Pires, na região de Jardins de Petrópolis, em Nova Lima, foi historicamente marcada pela exploração predatória e ainda hoje apresenta impactos ambientais significativos, como erosões, voçorocas e a presença de espécies invasoras. Diante desse cenário, a Secretaria de Meio Ambiente de Nova Lima, em parceria com a Civil Master, realizou diagnósticos que deram origem a um PRAD, construído em conjunto com a comunidade local. Para o secretário Gabriel Coutinho, esse envolvimento garante não apenas resultados ambientais, mas também sociais. As ações já possibilitaram o plantio de mais de 7 mil mudas nativas e a implementação de medidas de biorremediação, como barreiras de contenção e estruturas para infiltração e percolação da água, fundamentais para conter a erosão e permitir o restabelecimento da vegetação.

Ainda segundo o secretário de Meio Ambiente de Nova Lima, a recuperação da cascalheira e de outras áreas degradadas no Alto Rio das Velhas tem um papel estratégico para a qualidade hídrica da região. “Cada ação de plantio e cada PRAD bem executado fortalecem os serviços ecossistêmicos. Além de recuperar a cobertura vegetal e restabelecer a fauna, essas medidas aumentam a capacidade de infiltração e percolação da água no solo, o que impacta diretamente nas nascentes e cursos d’água que alimentam o Rio das Velhas”, destacou.

Segundo ele, o sucesso do projeto depende do monitoramento constante e do acompanhamento técnico para garantir o desenvolvimento das mudas e a melhoria efetiva da qualidade da água.


Veja mais fotos das ações:


Visita do CBH

O vice-presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), Ronald Guerra, visitou recentemente a área do Mirante do Vermelhão, no Parque das Andorinhas, e ressaltou a importância da ação de recuperação ambiental conduzida. Segundo ele, o local é um passivo ambiental deixado pela antiga exploração de bauxita e que, apesar de pesquisas pontuais da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) para avaliar a adaptação de espécies a um solo ácido e rico em alumínio, nunca havia recebido uma iniciativa definitiva de restauração. Ronald lembra que, no passado, movimentos sociais impediram a continuidade da mineração na área, preservando a integridade do parque, mas a degradação permaneceu visível por décadas.

Para o vice-presidente, o trabalho da empresa se diferencia pelo compromisso com a manutenção do reflorestamento, fator essencial para o sucesso do projeto. “Geralmente, os projetos de recuperação não avançam por falta de continuidade, mas ali não, as espécies plantadas estão sendo irrigadas, acompanhadas de perto e se desenvolvendo bem”, destacou. Ele afirmou ainda ter saído da visita com a sensação de compromisso pessoal com cada árvore plantada, na esperança de que, no futuro, essa área antes marcada pela degradação se torne um exemplo de recuperação ambiental bem-sucedida na bacia do Rio das Velhas.

Parcerias

Para Pedro Rodrigues, diretor do Parque Natural Municipal das Andorinhas, a ação no Mirante do Vermelhão é fundamental para cumprir as diretrizes do Plano de Manejo da unidade de conservação, criada, entre outros objetivos, para proteger as nascentes do Rio das Velhas. Ele explica que a intervenção garante o reflorestamento de uma área antropizada e de difícil recuperação, devido ao solo pobre e compactado, e que a conclusão dessa etapa representa um avanço significativo no cumprimento das metas estabelecidas. “Estamos em processo de revisão do Plano de Manejo e, com esse trabalho, conseguimos entregar resultados concretos. O parque tem sido bem cuidado, sem registros recentes de incêndios ou extração ilegal de materiais, e essa parceria com a Civil Master tem se mostrado muito séria e competente. Estamos muito satisfeitos e confiantes de que, com iniciativas como essa, o parque se tornará cada vez mais próximo do ideal”, afirma.

O secretário municipal de Meio Ambiente de Ouro Preto, Chiquinho de Assis, destaca que a recuperação do Antigo Vermelhão integra um conjunto estratégico de ações previstas no Plano Municipal da Mata Atlântica — instrumento adotado por Ouro Preto, Itabirito e Nova Lima para identificar áreas prioritárias à conservação e restauração do bioma no Alto Rio das Velhas. Segundo ele, a parceria com a Civil Master está viabilizando um Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD) em um espaço já previsto para intervenção no Plano de Manejo do Parque Natural Municipal das Andorinhas. “Estamos plantando cerca de 7 mil mudas em uma área de campo rupestre, o que exige um grande esforço devido à baixa fertilidade e à dificuldade de enriquecimento do solo”, afirma.

A iniciativa conta ainda com o apoio da UFOP e envolve o setor de parques da prefeitura, reforçando a vocação da unidade para a restauração da Mata Atlântica. Para o secretário, o projeto consolida um modelo de gestão tripartite, que une poder público, comitê de bacias, usuários e instituições civis em torno de um mesmo propósito.


Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: João Alves
*Fotos: Civil Master