
Moradores, especialistas e representantes do poder público se reuniram no último sábado (29), na Paróquia Verbo Divino, em Contagem, para o primeiro encontro do Grupo de Mobilização e Educação Ambiental e Sanitária (GMEA) Pampulha. O evento teve como objetivo mobilizar a população e unir esforços para a recuperação de córregos, lagoas e nascentes da região.
Com uma programação diversificada, o encontro contou com oficinas, apresentações musicais e depoimentos de moradores engajados na preservação ambiental. A iniciativa buscou promover a troca de experiências e conscientizar a comunidade sobre a importância da preservação dos recursos hídricos, em especial do Córrego Bom Jesus, próximo a localidade do evento.
A coordenadora do Subcomitê Ribeirão Onça, Sirlene Santos, destacou que o evento marca o início de um trabalho coletivo voltado para a revitalização da bacia. “Nosso objetivo é ampliar a conscientização ambiental e impulsionar políticas públicas que garantam a recuperação dos ecossistemas da região”, afirmou.
O GMEA Pampulha surgiu da necessidade de fortalecer a mobilização social e o engajamento comunitário nas ações de recuperação ambiental da região. Como parte do Programa Reviva Pampulha, o grupo tem o objetivo de articular moradores, lideranças comunitárias, usuários de água, representantes do poder público e organizações ambientais para atuar na preservação e revitalização dos recursos hídricos da bacia. Estes objetivos estão alinhados com o Plano de Educação Ambiental (PEA) do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), que por sua vez, tem contribuído para nortear as ações do Grupo de forma mais ampla.
Logomarca do GMEA traz o simbolismo das águas de Contagem e BH que se encontram na lagoa, inspirada na identidade de Cândido Portinari
A presidente da Ecovida (Associação de Defesa da Natureza da Região do Nacional), Maria Antonieta Pereira, ressaltou a importância do Córrego Bom Jesus, sub-bacia escolhida para o lançamento do GMEA Pampulha. “Esse córrego é fundamental não apenas para a manutenção da Lagoa da Pampulha, mas também para o abastecimento de cidades com água potável”, explicou. Segundo ela, a especulação imobiliária tem ameaçado nascentes essenciais para o equilíbrio hídrico da região.
A Pampulha é reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade e sua bacia tem um papel estratégico na qualidade da água do Rio das Velhas. A lagoa e seus cursos d’água compõem parte da sub-bacia do Ribeirão Onça, que deságua no Rio das Velhas. Dessa forma, a poluição e degradação ambiental na Pampulha afetam diretamente a saúde do rio e, consequentemente, o abastecimento de milhões de pessoas que dependem de suas águas.
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Reviva Pampulha
O Programa Reviva Pampulha foi criado como parte de um acordo judicial para enfrentar a poluição da Lagoa da Pampulha. Em resposta a ações civis públicas que cobravam soluções para a degradação ambiental do reservatório, o Governo de Minas Gerais, em parceria com as prefeituras de Belo Horizonte e Contagem, assinou um convênio de cooperação. O compromisso, coordenado pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), tem como objetivo a implementação do Sistema de Governança e Gestão da Bacia da Lagoa da Pampulha.
A iniciativa visa integrar esforços para a despoluição da lagoa, promovendo saneamento, fiscalização, educação ambiental e recuperação das áreas degradadas. O programa reforça a necessidade de ações coordenadas entre os municípios e órgãos estaduais para garantir a revitalização e a segurança hídrica da bacia.
Dentro do Programa Viva Pampulha, a Copasa é responsável pelas obras de infraestrutura para interligar 9.759 imóveis ao sistema de esgotamento sanitário. De acordo com o relatório trimestral mais recente, 44% das ligações planejadas já foram concluídas.
Além disso, a Copasa iniciou a ampliação das redes de água e esgoto em 30 comunidades de Contagem, beneficiando cerca de 18 mil pessoas. O representante da Educação Ambiental e Sanitária da Copasa, Claus Roberto Alves, destacou o trabalho de conscientização realizado junto à população. “Temos desenvolvido um trabalho de mobilização social de porta em porta, explicando aos moradores a importância da adesão à rede de esgoto e seus benefícios para a saúde e o meio ambiente. Até o momento, conseguimos adesão de 96% das famílias”, afirmou.
As prefeituras de Belo Horizonte e Contagem são responsáveis por notificar os moradores que ainda não aderiram às redes de esgoto e por conduzir processos de desapropriação e licenciamento ambiental necessários para a implantação da infraestrutura.
O primeiro encontro do GMEA reforçou a importância do envolvimento da comunidade na recuperação da Bacia da Pampulha. Com novas atividades previstas para os próximos meses, a iniciativa pretende fortalecer o debate e incentivar ações concretas para garantir um futuro mais sustentável para a região.
Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiza Baggio
*Foto: Bianca Aun