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Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água inicia nova etapa no Rio Bicudo

15/10/2026 - 11:50

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) iniciou uma nova etapa do Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água na microbacia do Rio Bicudo, no Baixo Velhas. O Seminário Inicial do projeto foi realizado nesta quarta-feira (14), na comunidade de Riachinho, em Morro da Garça, reunindo produtores rurais, representantes do Subcomitê Rio Bicudo, da Agência Peixe Vivo e da empresa responsável pela execução dos trabalhos.


O encontro apresentou os objetivos do projeto, as etapas previstas e as possibilidades de participação dos proprietários rurais. A iniciativa busca ampliar o potencial de produção de água na microbacia por meio de Soluções Baseadas na Natureza (SbN), com medidas de conservação do solo, proteção de nascentes, recuperação da vegetação e melhoria das condições ambientais das propriedades rurais.

O trabalho será executado pela DHF Consultoria e Engenharia, com apoio técnico da Agência Peixe Vivo, e tem previsão de conclusão em fevereiro de 2027.

Projetos sob medida

Nesta etapa, o projeto prevê o cadastramento de propriedades rurais que poderão ser beneficiadas e a elaboração dos Projetos Individuais por Propriedade (PIPs). Cada documento será desenvolvido a partir das características e necessidades da propriedade, indicando as intervenções mais adequadas para favorecer a conservação ambiental e a produção de água.

Entre as possibilidades estão a construção de barraginhas e bacias de contenção, o terraceamento agrícola, a adequação de estradas e carreadores, a recuperação de matas ciliares, a restauração ecológica, os Sistemas Agroflorestais (SAFs), a proteção de nascentes e o manejo de pastagens. Também poderão ser propostas medidas de conservação do solo, adequação de estruturas de abastecimento de água para animais e implantação de soluções de saneamento rural.

A definição das ações dependerá das avaliações técnicas realizadas em cada propriedade. Para isso, estão previstas visitas de campo, elaboração dos PIPs e atividades de mobilização para adesão dos proprietários. Um ponto de apoio temporário também deverá ser disponibilizado para cadastro e esclarecimento de dúvidas, seguido de uma reunião final para apresentação dos projetos elaborados.

Uma conquista para a região

Coordenador do Subcomitê Rio Bicudo e conselheiro do CBH Rio das Velhas, Leandro Vaz Pereira acompanha a iniciativa desde a seleção das microbacias contempladas pelo programa. Segundo ele, a chegada do projeto representa a concretização de uma expectativa antiga do Subcomitê. “A gente acompanha esse projeto desde o início, desde quando o CBH lançou o chamamento. Na época, tínhamos ficado em segundo lugar, mas agora fomos contemplados. Estamos aqui na região do Alto Bicudo, em Morro da Garça, e temos muito interesse nesse projeto de Conservação e Produção de Água”, afirmou.

Leandro destacou ainda a importância de integrar a nova iniciativa a outras ações já desenvolvidas no território. “Posso dizer que o município virou um canteiro de obras com o Programa de Saneamento Rural e, agora, com esse Programa de Produção de Água. Esperamos potencializar de verdade as ações ambientais aqui no Bicudo, principalmente de conservação do solo”, ressaltou. Para ele, o envolvimento do Subcomitê, do Comitê, da Agência Peixe Vivo, da empresa executora e dos moradores será fundamental para o desenvolvimento do projeto.


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Participação dos produtores

A mobilização dos proprietários é uma das etapas centrais da iniciativa. Especialista técnica da Agência Peixe Vivo, Fernanda Laurinda explicou que o trabalho de aproximação com a comunidade já está em andamento, com visitas às propriedades e apresentação da proposta aos moradores. “Já estamos na fase de mobilização, de porta em porta, e hoje tivemos esse momento para apresentar o Programa e tirar as dúvidas do pessoal. É um momento importante para a comunidade”, destacou.

Fernanda também chamou a atenção para a abrangência territorial do projeto, que envolve áreas dos municípios de Morro da Garça e Corinto. “Temos um público-alvo bem grande, e a comunidade é extremamente engajada. Por isso, esse foi um momento muito importante para o Programa de Conservação e Produção de Água do Rio das Velhas”, completou.

Para o produtor rural Daci Oliveira Soares, a iniciativa abre possibilidades que nem sempre estão ao alcance de pequenos proprietários, especialmente quando se trata de intervenções que exigem equipamentos e recursos financeiros. “Eu estou aqui há 24 anos e nunca tinha chegado uma oportunidade dessas para a nossa região. A gente é pequeno e não tem condições de cuidar da nascente, de ter uma máquina para fazer as barragens, as bacias e as curvas de nível. A gente faz o que dá para fazer”, relatou.

Daci contou que já construiu uma pequena represa em sua propriedade, mas que a estrutura acabou assoreada. Para ele, o apoio técnico e a realização de intervenções adequadas podem ajudar a enfrentar problemas como esse e a conservar os recursos naturais para as próximas gerações. “Se não tiver alguém para cuidar disso junto com a gente, vai chegar uma hora em que a nossa geração não vai ter nem água, porque vai acabar tudo. Isso, para nós, é uma glória que Deus está mandando. Fico muito grato por ver o pessoal vindo aqui para colaborar com a gente”, afirmou.

Segundo ciclo do programa

A microbacia do Rio Bicudo integra o segundo ciclo do Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água do CBH Rio das Velhas. A iniciativa tem como objetivo maximizar o potencial de produção de água nas sub-bacias, priorizando territórios que demandam ações de conservação ambiental e manejo de recursos hídricos em áreas rurais.

A indicação inicial das áreas prioritárias é feita pelos Subcomitês, enquanto a análise e a validação técnica cabem ao Grupo de Acompanhamento Técnico (GAT), considerando as metas do Plano Diretor de Recursos Hídricos (PDRH).

No primeiro ciclo, foram contempladas as microbacias do Rio Maracujá, nas UTEs Nascentes e Itabirito; do Ribeirão Ribeiro Bonito, na UTE Rio Taquaraçu; do Córrego Soberbo, na UTE Rio Cipó; e do Córrego Pedras Grandes, na UTE Guaicuí.

Além do Rio Bicudo, o segundo ciclo abrange as microbacias do Ribeirão Urubu, na UTE Ribeirão da Mata; do Rio Paraúna, na UTE Rio Paraúna; e do Córrego São Vicente, na UTE Guaicuí.


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Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Fotos: Rogério Alves