Logo CBH Rio das Velhas

Seminário marca início da segunda etapa de revitalização da bacia do Rio Maracujá

22/05/2026 - 15:39

A comunidade de Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto, recebeu na última quinta-feira (21) o seminário inicial do projeto de Elaboração de Projetos Executivos de Conservação do Solo, Produção de Água, Recuperação de Áreas Degradadas e Saneamento Rural na Bacia do Rio Maracujá – Parte II. A iniciativa é realizada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) e pelo Subcomitê Nascentes, com apoio técnico da Agência Peixe Vivo, execução da GAMA Engenharia e Recursos Hídricos e parceria da Prefeitura de Ouro Preto.


O encontro reuniu moradores, produtores rurais, lideranças locais e representantes das instituições envolvidas para apresentar os objetivos, etapas e soluções previstas para a recuperação ambiental da bacia do Rio Maracujá, uma das áreas mais sensíveis do Alto Rio das Velhas.

A sub-bacia enfrenta atualmente um cenário de intensa degradação ambiental, marcado pelo avanço de voçorocas, assoreamento dos cursos d’água, descarte irregular de esgoto e ocupação inadequada de Áreas de Preservação Permanente (APPs). O manejo inadequado do solo, aliado aos impactos da mineração — especialmente de topázio imperial na região da cabeceira —, compromete a qualidade da água e a capacidade de reservatórios estratégicos, como a Represa de Rio de Pedras.

Durante o seminário, foram apresentadas as cinco etapas que estruturam o projeto: caracterização geral da microbacia; mobilização social e cadastro de propriedades; elaboração dos Projetos Individuais de Propriedade (PIPs); consolidação dos projetos executivos; e elaboração dos projetos voltados à estabilização e recuperação de áreas degradadas.

Diagnóstico e participação social marcam nova etapa

Coordenador do Subcomitê Nascentes pela sociedade civil, Raymundo Barreto destacou a importância da nova etapa para o fortalecimento das ações de revitalização já em andamento no território. “Essa segunda etapa do projeto, voltada ao diagnóstico dos problemas da bacia do Maracujá, traz boas perspectivas para a revitalização da bacia do Rio das Velhas. Temos uma expectativa muito positiva de que essa fase alcance bons resultados, especialmente por se tratar de um trabalho fundamental de diagnóstico e planejamento das ações”, afirmou.

Segundo ele, o projeto foi dividido em três territórios. A primeira etapa já foi concluída, com intervenções realizadas em 26 propriedades rurais. Agora, os trabalhos avançam sobre o segundo território da bacia. “Ao todo, cerca de 150 propriedades serão visitadas, e parte delas já recebeu as primeiras visitas técnicas. A receptividade tem sido muito positiva, porque a população deseja, de fato, a revitalização dos rios e córregos da região, buscando melhorias na qualidade ambiental e na disponibilidade de água”, ressaltou Raymundo.

As atividades previstas incluem mobilização social, levantamento aerofotogramétrico, análises de solo, visitas técnicas e cadastramento socioeconômico, ambiental e produtivo das propriedades atendidas.


Clique aqui e confira todas as fotos:


Conservação do solo e produção de água

Responsável técnico da GAMA Engenharia, o engenheiro civil Pedro Lucas explicou que o projeto está estruturado em quatro grandes eixos: conservação do solo, produção de água, recuperação de áreas degradadas e saneamento rural. “No eixo de conservação do solo, o objetivo é reduzir processos erosivos e melhorar a infiltração da água no terreno. Entre as ações previstas estão a adequação de estradas rurais, a construção de barraginhas e a implantação de terraceamento em curvas de nível, especialmente em áreas de pastagens degradadas”, explicou.

As chamadas barraginhas — pequenas estruturas construídas para retenção da água da chuva — foram destacadas como uma das principais estratégias para reduzir a velocidade da enxurrada, favorecer a infiltração e contribuir para a recarga hídrica local. Também estão previstas ações de adequação de estradas rurais e proteção de áreas sensíveis.

Outro ponto prioritário do projeto é o enfrentamento das erosões avançadas que atingem a região. “As ações de recuperação de áreas degradadas têm como foco principal a correção de processos erosivos já instalados, especialmente as voçorocas, bastante comuns na região. Para as voçorocas de pequeno e médio porte, o projeto prevê soluções com barreiras físicas, como paliçadas de madeira. Já nos casos de grande porte, será realizada uma avaliação técnica mais detalhada por um geólogo especializado”, detalhou Pedro Lucas.

As intervenções também incluem cercamento e reflorestamento de APPs, com o objetivo de proteger nascentes, margens e cursos d’água, favorecendo a regeneração natural e reduzindo o impacto causado pelo pisoteio animal.

Saneamento rural e proteção dos cursos d’água

Na área de saneamento rural, o projeto prevê soluções simplificadas e adaptadas à realidade das propriedades rurais, buscando reduzir a contaminação dos córregos por esgoto doméstico sem tratamento.

Entre as tecnologias apresentadas estão as Bacias de Evapotranspiração (BETs), os Círculos de Bananeiras, as Fossas Sépticas Biodigestoras e os sistemas de Fossa Séptica com Sumidouro. As alternativas têm como foco o tratamento de águas cinzas e esgoto doméstico, contribuindo para a melhoria da qualidade da água e das condições sanitárias nas propriedades atendidas.

Além das intervenções ambientais, os organizadores reforçaram que o projeto busca fortalecer a relação entre conservação ambiental, produção rural e segurança hídrica. A proposta é reduzir a perda de solo, recuperar áreas degradadas e garantir melhores condições para o abastecimento hídrico e para a produção agrícola na região.


Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Fotos: Milena do Carmo