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Transtornos causados pelas chuvas acendem alerta sobre a relação das cidades com os rios da bacia

05/02/2026 - 10:30

Desde que o ano começou, a chuva tem sido frequente em várias cidades de Minas, incluindo os municípios da bacia do Rio das Velhas. Em janeiro, o volume de chuvas superou médias históricas e acendeu sinais de alerta. Em alguns locais, foram mais de 300mm de chuva em apenas alguns dias – o que causou uma série de transtornos, como na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Situação que também levanta discussões sobre a forma com que as cidades convivem com os rios e se preparam para as mudanças climáticas.


Várzea da Palma, no Norte de Minas, região do Baixo Velhas, é um exemplo do cenário que se viu em janeiro em várias partes do estado. Na madrugada entre os dias 23 e 24, um temporal assustou a cidade. Segundo a Defesa Civil, foram registrados aproximadamente 110mm de chuva intensa em cerca de 3 horas. “Eu tenho 34 anos e nunca vi uma chuva como essas. Já vi temporais, mas nada parecido com o volume de chuva que tivemos nesse dia”, conta Álvaro Gomes, coordenador do Subcomitê Guaicuí.

Quando amanheceu, foi possível ter uma dimensão dos prejuízos. Segundo a Defesa Civil de Várzea da Palma, 126 pessoas ficaram desalojadas e 61 imóveis sofreram danos diretos. A estimativa é que cerca de 15 mil pessoas tenham sido afetadas de alguma forma pelo temporal. Ruas, estradas vicinais e pontes sofreram anos. A prefeitura decretou situação de emergência.

O Rio das Velhas e seus afluentes, incluindo os córregos Pedras Grandes e Lameirão, transbordaram. “Nos últimos 65 anos, não se tem registro de uma chuva tão forte. Pra piorar, hoje temos áreas ocupadas em locais muito próximos ao rio, por isso a água subiu muito rápido, invadiu as ruas e as casas”, complementa Álvaro.


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Um alerta para reflexão

Álvaro, que também é geógrafo, diz que a situação de Várzea da Palma é um retrato da realidade de vários municípios, que precisam se preparar para as mudanças climáticas, além de refletir sobre como se relacionam como os rios. “O próprio nome da cidade nos diz muito. Várzea da Palma foi construída em uma várzea, ou seja, o município foi criado em uma área de inundação do Rio das Velhas”, destaca.

A meteorologia aponta que as chuvas tem ficado cada vez mais intensas e com grandes volumes de água concentrados em curtos espaços de tempo. Sinais de um cenário de emergência climática que vai trazer desafios cada vez maiores à população. “A gente precisa repensar a forma como lidamos com os rios, rever as políticas de uso e ocupação do solo. Vivemos em cidades que foram construídas às margens de grandes rios. E os terrenos estão mais impermeabilizados, porque perdeu-se a cobertura vegetal para o asfaltamento das ruas, impactando na absorção de água pelo solo. No passado, o rio subia, mas ocupava áreas que não eram ocupadas”, alerta Álvaro.

Ele complementa, afirmando que situações assim devem servir de incentivo a reflexões. “Hoje essas áreas são ocupadas e precisamos refletir em como mitigar os problemas para quem vive em áreas de risco, em encostas ou regiões ribeirinhas. Pensar em como devemos nos organizar para que esse tipo de acontecimento não impacte tantas pessoas como o que está acontecendo agora”, finaliza.


Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Henrique Ribeiro
*Fotos: Álvaro Gomes