A visita técnica realizada nesta segunda-feira (16) à Mata da Baleia, na região Leste de Belo Horizonte, marca mais um passo no processo de mobilização institucional e social pela ampliação do Parque Estadual da Baleia. A atividade foi conduzida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e contou com a participação de representantes do poder público, especialistas e membros do Subcomitê Ribeirão Arrudas.
A agenda dá continuidade ao debate iniciado em audiência pública realizada em outubro de 2025, convocada a partir de demanda do Subcomitê Ribeirão Arrudas, instância colegiada vinculada ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas). Na ocasião, ambientalistas, pesquisadores e gestores públicos defenderam a incorporação da Mata da Baleia — especialmente a área no entorno do Hospital da Baleia — à unidade de conservação estadual.
Durante a visita, a deputada Beatriz Cerqueira anunciou que irá apresentar um projeto de lei para ampliar em 103 hectares a área protegida do parque, que atualmente possui cerca de 102 hectares. A proposta busca incluir trechos de mata ainda desprotegidos, localizados principalmente ao longo do Córrego Navio Baleia, entre os bairros Taquaril e Paraíso.
Segundo a parlamentar, a medida é necessária diante das pressões crescentes sobre o território, como a especulação imobiliária e o interesse minerário, já que a região possui minério de ferro de alto teor. Além disso, ela destacou a importância sociocultural da área, que abriga práticas tradicionais de comunidades como o Quilombo Manzo.
Recursos hídricos e biodiversidade em foco
A relevância da Mata da Baleia para a segurança hídrica foi um dos pontos centrais da visita. A gerente do parque e conselheira do Subcomitê Ribeirão Arrudas, Laudicena Curvelo Pereira, ressaltou que a ausência de instrumentos legais mais robustos compromete a proteção dos aquíferos e da biodiversidade local, predominantemente de Mata Atlântica.
Já a gerente de Recursos Hídricos da Prefeitura de Belo Horizonte, Caroline Craveiro, também integrante do subcomitê, destacou a singularidade do Córrego Navio Baleia, um dos poucos cursos d’água do município que ainda corre em leito natural — ou seja, sem canalização ou intervenções estruturais. Essa característica contribui para a manutenção da qualidade da água e para a formação de um corredor ecológico estratégico até o Ribeirão Arrudas.
A preservação desse sistema hídrico é considerada essencial no contexto da bacia do Rio das Velhas, reforçando o papel do CBH Rio das Velhas na articulação de políticas públicas integradas de gestão das águas.
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Encaminhamentos e próximos passos
Entre os encaminhamentos discutidos, está a necessidade de delimitação e georreferenciamento da área a ser incorporada, etapa fundamental para viabilizar a ampliação da unidade de conservação. Posteriormente, deverá ser realizada consulta pública com as comunidades do entorno.
Um dos fatores que podem facilitar o processo é o fato de a área pertencer ao Governo de Minas Gerais, o que dispensa, em tese, desapropriações e pode reduzir custos e entraves administrativos.
Um processo construído coletivamente
A visita técnica reforça o papel do Subcomitê Ribeirão Arrudas como articulador das demandas territoriais no âmbito do CBH Rio das Velhas. Desde a audiência pública de 2025, o colegiado tem contribuído para consolidar evidências técnicas e mobilizar diferentes atores em torno da proteção da Mata da Baleia.
Além de sua importância ecológica — com registro de espécies da fauna ameaçadas e vegetação nativa —, a área integra um corredor verde fundamental para a regulação climática, a qualidade do ar e a proteção dos recursos hídricos de Belo Horizonte.
Com a elaboração do projeto de lei anunciada, a expectativa é de que o tema avance no Legislativo estadual, fortalecendo a agenda de conservação ambiental e gestão sustentável das águas na bacia do Rio das Velhas.
Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Com informações da Assessoria de Comunicação da ALMG
*Fotos: Daniel Protzner/ALMG
