Na noite desta quarta-feira (30 de agosto), aconteceu, na Casa do Baile, na Pampulha, em Belo Horizonte, o Cinema Nascente. A mostra contou com a participação de cuidadores de nascentes urbanas do Ribeirão Onça, da comunidade e de pessoas inseridas nas questões ambientais.

A noite de estreia contou com a exibição de três filmes que narram as relações humanas e sociais com as nascentes e ainda, com entrevistas com cuidadores e moradores que vivem no entorno das minas d’água. O Cinema Nascente é fruto da oficina de cinema e vídeo que aconteceu no primeiro semestre desse ano . A oficina contou com 23 participantes e teve como público-alvo alunos de escolas públicas, líderes comunitários, moradores, professores, interessados em audiovisual e membros da rede de ações em prol do Ribeirão do Onça. Além disso, os participantes precisavam ser moradores da Bacia do Ribeirão Onça, ter interesse ou alguma relação com o tema das nascentes e bacia hidrográfica ou com arte, vídeo, comunicação ou educação comunitária.

Emocionados e orgulhosos, os participantes da oficina, da produção dos filmes e do Projeto de Valorização das Nascentes Urbanas falam sobre as suas experiências, expectativas e sonhos. “O cinema e água são laços de encontro”, destacou Poliana Oliveira do Carmo, voluntária e a participante da oficina. Segundo a voluntária, a produção provocou uma visibilidade na Nascente da Felicidade. “O lugar se tornou outro e ganhou um novo retrato. As pessoas começaram a adotar novos hábitos em relação a nascente e ao meio ambiente”, diz. Ela também ressaltou que a atividade deve ser feita em outras nascentes para que outras pessoas se despertem nas questões das águas.

Outro participante da oficina, Paulo César Ventura, fala sobre a experiência em produzir um vídeo. “Participar da produção, filmagem, montagem e roteiro foi uma experiência incrível e gratificante, aprendi muito”.

Gustavo Jardim, responsável pela oficina destacou que o projeto nasceu da ideia de tentar ajudar os cuidadores na produção de um conteúdo de comunicação, mas com a participação de quem está inserido no contexto das nascentes urbanas. “O Cinema Nascente tem a proposta de pensar em um tipo de imagem para além do movimento, incentivando coisas novas com dinâmicas e pensamentos diferentes, que apontam para um olhar de novidade”.

Jardim também reflete sobre a sua experiência pessoal em ter participado do projeto. “Para mim foi excepcional chegar mais perto de uma vida que circunda a nascente, de ter conhecido a diversidade de culturas que existem no entorno delas. A que está no Quilombo possui uma relação de religião; outra está em um ambiente de conflito, como o Brejinho; e a última possui um vigor de vida, que é a Felicidade”.

Assista aos filmes produzidos.

Márcio Lima, que coordenou a gestão 2014 – 2016 do Subcomitê Ribeirão Onça afirma que o Projeto de Nascentes Urbanas, realizado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, foi um trabalho físico e técnico com as ações de plantio de mudas, limpeza, cercamento e paisagismo, mas também uma forma de chamar a atenção para a questão da nascente.

Sobre a mostra, Lima informou que foi uma proposta do Subcomitê em querer registrar opiniões, principalmente dos cuidadores, sobre as nascentes. “Agora é um momento de entrega desse trabalho, e a nossa esperança é que esse registro vire um material pedagógico amplo para escolas, associações e outros locais”, diz.

Já Eric Machado, atual coordenador – geral do Subcomitê Ribeirão Onça, ressaltou sobre a posposta de comunicação das produções. “Os vídeos possuem uma capacidade maior de divulgação e é o início de uma grande possibilidade de mobilização”, reflete.

O Cinema Nascente é o produto final do Projeto Valorização de Nascentes Urbanas do Ribeirão Onça.

Veja as fotos do evento

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Projeto de Valorização das Nascentes Urbanas na Bacia Hidrográfica do Ribeirão Onça

O Projeto de Valorização das Nascentes Urbanas na Bacia Hidrográfica do Ribeirão Onça foi financiado pelo CBH Rio das Velhas com o recurso da Cobrança pelo Uso dos Recursos Hídricos. Teve como foco a execução de intervenções em nove nascentes pré-selecionadas, bem como a promoção de atividades de educação ambiental e divulgação da relevância das ações executadas, além da realização de campanhas de amostragem para conhecimento da qualidade das águas nas nascentes selecionadas.

Ribeirão Onça

O Ribeirão Onça é um afluente da margem esquerda do Rio das Velhas e tem como principais afluentes o córrego Cachoeirinha e o Ribeirão Izidora que recebe os impactos diretos da ocupação de Venda Nova e região norte de Belo Horizonte. A Bacia Hidrográfica do Ribeirão do Onça ocupa parte da cidade de Contagem e da região norte de Belo Horizonte é considerada a que mais polui o Rio das Velhas. Sua bacia abriga mais de um milhão de pessoas e em parte dos 36,8 km de extensão do Ribeirão, tem suas margens ocupadas irregularmente, provocando a degradação ambiental ao longo do curso d’água.

Juntamente com o Ribeirão Arrudas, o Onça encontra-se na região mais populosa da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, em Belo Horizonte, Contagem e Sabará. Os ribeirões Onça e Arrudas são responsáveis pela drenagem da maior parte dos esgotos da Região Metropolitana de Belo Horizonte e sofrem com a diminuição das áreas de drenagem natural e ocupação desordenada de encostas e fundos de vale, devido a sua intensa ocupação.


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