Localizada na Serra do Navio, no Conjunto Ribeiro de Abreu, nascente é apresentada como “Nascente Fundamental do Onça”. A nascente foi cuidada desde 1981 pela moradora Júlia Machado, que recém-chegada de Turmalina precisava da água para plantio e manutenção de horta, onde produzia parte do alimento de sua família.

A moradora sempre fez apelos à comunidade sobre a importância da preservação para a sobrevivência. Dona Júlia, como é conhecida na região, fala que “de um tempo para cá pessoas vem invadindo a nascente para construção de casas. Assim, acionei o COMUPRA e os parceiros para ajudarem no cuidado com a nascente.” Dona Júlia ainda alerta que “é preciso cuidar da nascente para a época da falta d´água”.

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Da esq. p/ dir.: Nascente Fundamental do Onça e Dona Júlia Machado. (Crédito: CBH Rio das Velhas – TantoExpresso: Ohana Padilha)

Assim, em comemoração ao Dia Mundial da Água, 22 de março, por meio da articulação do Conselho Comunitário Unidos pelo Ribeiro de Abreu (COMUPRA) foi possível unir esforços com o Subcomitê Ribeirão Onça vinculado ao Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), Copasa, Prefeitura de Belo Horizonte, Projeto Manuelzão, PUC Minas e a Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas, entre outros parceiros, para desenvolver ações diretas de recuperação da nascente, como o cercamento da área, a capina seletiva e plantio de árvores.

“O plantio é importante porque no futuro podemos precisar das plantas que estamos plantando, elas são muito especiais para tirar a sujeira do ar e passar o ar limpo para a gente” afirma Gabriel Henrique do 6º ano da Escola Municipal Acadêmico Vivaldi Moreira.

O professor João Cláudio Drumond, da Escola Municipal Acadêmico Vivaldi Moreira “acredita que a ação é importante para que as crianças possam vivenciar uma experiência que está cada vez mais rara na atualidade”. E ainda completa que, “os nossos ambientes estão cada vez mais destruídos e as pessoas não entendem que mesmo em uma cidade grande é possível cuidar e preservar em prol de um ambiente mais equilibrado”.

O Secretário Municipal de Obras e Infraestrutura de Belo Horizonte, Josué Costa Valadão, reafirmou o compromisso da implantação do Parque do Onça e salientou a importância do mesmo para a comunidade local e para a preservação do meio ambiente.

O evento contou também com a presença do Diretor de Operação Metropolitana, Rômulo Thomaz Perilli, o qual está responsável pela assinatura oficial do Termo de Cessão de Uso de Espaço da Copasa. O Termo tem a assinatura prevista para o dia 17 de março de 2016 e visa a cessão de espaço ao COMUPRA, onde será a nova sede da organização. O espaço que será cedido localiza-se no Conjunto Ribeiro de Abreu, próxima a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Onça e nele serão desenvolvidas e fortalecidas atividades socioambientais junto à todos os parceiros.

A ação teve grande participação de alunos da rede pública de ensino com aproximadamente 580 alunos de 7 escolas da região. Como afirma o coordenador –geral do Subcomitê Ribeirão Onça, Márcio Lima, “o grande papel de todos os parceiros é a capacidade de mobilizar as crianças e esperamos que as questões relacionadas ao meio ambiente entre como conteúdo curricular das escolas”.

O presidente do CBH Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano, ressalta a importância de preservamos as águas. “A água é fundamental para a nossa vida, sem água não vivemos e não conseguimos fazer nada”.

Sobre o problema de saneamento básico da região, Polignano disse que já houve avanços, mas que ainda é necessário mais ações efetivas. E ressalta, “não podemos usar o rio para depositar lixo e esgoto, o rio tem que ser a coisa mais bonita”.

Assim, percebe-se que, embora a meta de pescar, nadar e navegar no Ribeirão do Onça e consequentemente no Rio das Velhas pareça um sonho distante, há pessoas dispostas a lutar para garantir uma melhor qualidade das águas e de vida na bacia do Ribeirão do Onça.

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O Parque do Onça

A área que integra a “Nascente Fundamental do Onça”, faz parte do projeto de construção do Parque do Onça, o qual será um dos maiores da capital mineira. Segundo informações dadas pela Secretaria de Planejamento Urbano em oficinas com a comunidade, o Parque terá a extensão de aproximadamente 5 km e seu percurso passará por trechos dos bairros São Gabriel, Vila São Gabriel, Ouro Minas, Vila Fazendinha, Novo Aarão Reis, Belmonte, Ribeiro de Abreu, Conjunto CBTU (Novo Tupi), Conjunto Ribeiro de Abreu, Casas Populares (Ribeiro de Abreu) e Monte Azul.

O parque terá a função de promover a melhoria ambiental e da qualidade de vida da população, ao converter as áreas situadas às margens do Ribeirão do Onça em espaços públicos voltados ao lazer, prática de esportes e educação ambiental. Também irá proteger áreas críticas vulneráveis às inundações do Ribeirão e recuperar a mata ciliar com o plantio de árvores.

É importante ressaltar que, o Parque é uma reivindicação que representa as várias conquistas sociais da comunidade local. As reivindicações são pautadas pelo movimento “Deixem o Onça Beber Água Limpa” e são elas: relocalização das famílias que estão em áreas de risco, interceptação de 100% dos esgotos da região, construção do novo acesso ao Ribeiro de Abreu e municipalização da rodovia MG-20.

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O protagonismo do Conselho Comunitário Unidos pelo Ribeiro de Abreu (COMUPRA)

O COMUPRA é uma organização comunitária, sem fins lucrativos, e desde a sua criação em 2001, realizou diversas ações que visam contribuir para a melhoria da qualidade de vida da comunidade do Bairro Ribeiro de Abreu e proximidades. Sendo assim, realiza ações coletivas nas áreas de educação, saúde, trabalho, lazer, geração de renda, ecologia e cidadania. Para Itamar de Paula, articulador e idealizador da organização, “a luta não é fácil, mas com a união teremos um Onça limpo. Na região temos cachoeiras e nascentes que poderão ser usadas para nadar e pescar, mas isso depende da contribuição de todos da comunidade”, conclui.

O COMUPRA é o idealizador do movimento “Deixem o Onça Beber Água Limpa”. O movimento foi criado em 2007, e propõe pautas socioambientais em prol da melhoria da qualidade de vida e justiça social da população local.

Em junho de 2016 está previsto a 8° edição do evento “Deixem o Onça Beber Água Limpa” com o tema “Nossa Moradia: dignidade com qualidade, uma conquista”. Segundo informações divulgadas pelo COMUPRA, “o momento agora é de discutir o rumo que tomarão cada uma das famílias que vivem hoje em condição de risco às margens do Ribeirão Onça.” Essa questão dialoga com a campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 e também com a Campanha do CBH Rio das Velhas, “Água como Direito Humano”.

O contexto da bacia e a importância do Subcomitê Ribeirão Onça

A bacia do Ribeirão Onça localiza-se no Alto Rio das Velhas e é composta pelos municípios de Belo Horizonte e Contagem, além disso, é a área que possui a maior concentração populacional na Bacia do Rio das Velhas. Encontra-se em situação de degradação ambiental, com impactos sociais diretos, pois a população que vive às margens do Ribeirão sofre com os problemas recorrentes pelo lançamento de esgotos e efluentes industriais.

A formação dos Subcomitês fundamenta-se da necessidade do debate entre os diferentes atores sociais da sociedade, por isso, há a participação de representantes da sociedade civil organizada, do poder público e dos usuários de água. Nesse sentido, organizações que representam as comunidades locais, Copasa e Prefeituras de Belo Horizonte e Contagem , como exemplo, integram a composição do Subcomitê com proposições frequentes sobre as intervenções na localidade.

Na atual gestão do Subcomitê, o representante do Consórcio de Recuperação da Bacia da Pampulha e coordenador – geral, Márcio Lima, articula ações e propõe ao Comitê as demandas e parcerias necessárias para a recuperação da bacia do Ribeirão Onça. Além disso, conta com o apoio da coordenadora de usuários de água, representante da Copasa, Marluce Nogueira Quaresma e do coordenador do poder público, representante da Regional Nordeste da Prefeitura de Belo Horizonte, José Liberato de Sá Moraes, além da atuação e apoio de 25 conselheiros que compõe o Subcomitê.

Para Márcio, “a maior meta do Subcomitê e de seus parceiros é de fazer o Ribeirão sobreviver e voltar a ser bonito, além de se firmar e melhorar em prol das águas do Rio das Velhas e São Francisco”, conclui.

Com a finalidade de encaminhar propostas efetivas para a melhoria das condições ambientais das nascentes, o Subcomitê do Ribeirão Onça atua também por meio do projeto hidroambiental “Valorização de Nascentes Urbanas”, que foi custeado pelo recurso da cobrança pelo uso da água na Bacia do Rio das Velhas. Até o momento foi concluída a etapa de levantamento das áreas de nascentes hídricas e cadastramento dos respectivos cuidadores, no qual foram cadastradas 163 nascentes. Na próxima fase, prevista para 2016, será executada intervenções para a recuperação de 8 nascentes urbanas, além de atividades de mobilização social e educação ambiental na bacia.

Para mais informações sobre o Subcomitê Ribeirão Onça.

Como participar das discussões locais?

As reuniões do Subcomitê da Bacia do Ribeirão Onça são mensais, previstas para acontecer na 3° terça feira do mês, sendo a próxima reunião confirmada para o dia 19 de abril, às 14 horas, no Centro de Apoio e Convivência (CAC) do bairro São Paulo. Mais informações: (31) 3222-8350 / izabella.resende@cbhvelhas.org.br

As reuniões do COMUPRA são mensais, previstas para a 2° terça feira do mês, sendo a próxima reunião confirmada para o dia 12 de abril, às 14 horas, R. Remi Pereira Lopes, 140 – Bairro Ribeiro de Abreu. Mais informações: (31) 3434-2754 / comupra@comupra.org.br


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