A exposição temporária “À Margem: Água, Cultura e Território” foi inaugurada na terça-feira (21/03), no Espaço do Conhecimento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), para contar a história das águas da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas. A mostra é uma experiência sensorial que apresenta algumas cidades margeadas pelo Velhas e seus afluentes e oferece aos visitantes uma instalação feita com cordas que reproduz a grandeza da bacia. Além disso, é uma das atividades em comemoração ao Dia Mundial da Água, comemorado no dia 22 de março.

A exposição conta ainda com um Mapa Colaborativo, composto por duas representações gráficas: uma mostra a Belo Horizonte planejada e a outra apresenta a capital mineira atual, revelando por onde passam os córregos. No mapa, os visitantes podem deixar suas impressões sobre a importância da bacia do Rio das Velhas, indicando quais atividades mudariam a atual realidade da Bacia e o que gostariam de desenvolver às suas margens.

O coordenador do Projeto Manuelzão que também é presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) Marcus Vinícius Polignano, fala sobre o projeto e da exposição que mostra a luta pela preservação e revitalização do Rio das Velhas. “Os rios estão marginalizados, destituídos de identidade no meio urbano. A exposição vai contar um pouco da história da bacia, do projeto e mostrar à sociedade a importância do Velhas”, afirma.

A cerimônia de abertura da exposição contou com integrantes, parceiros, escolas, amigos do rio e comunidades envolvidas com o Projeto Manuelzão para uma homenagem aos 20 anos de trabalhos ligados a melhoria das condições ambientais e promoção da qualidade de vida à população. A mostra integra também as comemorações dos 90 anos da UFMG e sete anos do Espaço do Conhecimento.

Com um verso de um poema consagrado de Guimarães Rosa, a vice-reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, abriu a exposição. “Porque eu só preciso de pés livres, mãos dadas e olhos bem abertos”, declara. A vice reitora esclareceu que a frase simboliza pontos caros à missão do centro de divulgação da cultura científica e artística. “Uma posição crítica em relação ao contexto em que vivemos e a importância das parcerias, que possibilitam realizações como a nova mostra”, afirma.

Até 18 de junho, os visitantes poderão entender o caminho do Rio das Velhas, desde sua nascente até seu curso por campos e cidades, e compreender como áreas verdes preservadas e de um saber tradicional próprio da cultura dos povos ribeirinhos convivem com esgoto, resíduos industriais, agrotóxicos e assoreamento.

Serviço

À Margem: Água, Cultura e Território
Data: 21 de março a 18 de junho
Local: Segundo andar do Espaço do Conhecimento UFMG – Praça da Liberdade, 700, Funcionários, BH

Veja fotos da cerimônia de abertura e da exposição

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20 anos do Projeto Manuelzão 

No mês de março de 2017, o Manuelzão comemora 20 anos. O Projeto teve início em 1997, com professores e alunos do internato rural da Faculdade de Medicina da UFMG que observaram não bastava medicar a população. Era preciso combater as causas das doenças. A partir da percepção de que a saúde não deve ser apenas uma questão médica, foi esboçado o horizonte de trabalho do Projeto Manuelzão: lutar por melhorias nas condições ambientais para promover qualidade de vida, rompendo com a prática predominantemente assistencialista.

A bacia hidrográfica do Rio das Velhas foi escolhida como foco de atuação. Essa foi uma forma de superar a percepção municipalista das questões ambientais. A bacia permite uma análise sistêmica e integrada dos problemas e das necessidades de intervenções.

Em 2003, o Projeto realizou a Expedição Manuelzão desce o Rio das Velhas. Foram percorridos de caiaque os 804 Km do Velhas, da nascente em Ouro Preto à foz, em Barra do Guaicuí, em 29 dias. Em cada parada, a Expedição foi recebida pelas comunidades locais, escolas e membros dos Núcleos Manuelzão. A descida do rio resultou na publicação do livro “Navegando o Rio das Velhas das Minas aos Gerais”, que apresenta, no primeiro volume, o diário de bordo da expedição, e, no segundo volume, uma enciclopédia sobre a bacia hidrográfica. Também foi desenvolvido um vídeo documentário de 55 minutos. Da expedição realizada em 2003, o Projeto Manuelzão também desenvolveu a proposta de revitalizar o Velhas até o ano de 2010. A proposta, denominada Meta 2010: navegar, pescar e nadar no Rio das Velhas em sua passagem pela região metropolitana de Belo Horizonte virou um projeto estruturador do Governo do Estado de Minas Gerais.

Assista ao vídeo Navegando o Rio das Velhas das Minas ao Geraes
Expedição Projeto Manuelzão (2003)

Em 2005, o Projeto Manuelzão inaugurou uma nova agenda: a cultural. Em novembro daquele ano foi realizado, em Morro da Garça, o Festivelhas Manuelzão: arte e transformação, que contou com a participação de artistas vindos de várias regiões da bacia hidrográfica. O sucesso do Festivelhas repetiu-se em setembro de 2007, com a realização do Festivelhas Jequitibá: arte e cultura na capital mineira do folclore.

Assista ao vídeo Festivelhas Manuelzão – Arte e Transformação (2007)

Em 2009, o Festivelhas assumiu proporções maiores, tendo sido realizado em maio e junho em Ouro Preto, Santa Luzia, Curvelo, Barra do Guaicuí e Belo Horizonte como parte da programação da Expedição pelo Velhas 2009: encontros de um povo com sua bacia.

Assista ao vídeo Expedição Manuelzão Rio das Velhas (2009)

As reflexões e atividades do Projeto Manuelzão encontram-se registradas em publicações como os Cadernos Manuelzão e o livro Projeto Manuelzão: a história da mobilização que começou em torno de um rio.

Livro disponível para DOWNLOAD

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Assessoria de Comunicação CBH Rio das Velhas
comunicacao@cbhvelhas.org.br