Em mais um alerta sobre a crise hídrica e os problemas que atingem o rio das Velhas, a diretoria ampliada do CBH Rio das Velhas reuniu em sua sede no último dia 10 de setembro, representantes do Sindiextra, IGAM, FIEMG, FAEMG, FETAEMG, Copasa, SAAE Itabirito e prefeituras de Nova Lima e Santa Luzia para debater e definir ações estratégicas e emergenciais com o objetivo de orientar a demanda relativa aos recursos hídricos na região do Alto rio das Velhas.

O presidente do CBH Velhas, Marcus Vinícius Polignano, apresentou em gráficos e mapas, no início da reunião, os problemas enfrentados pela Bacia e como eles estão afetando a gestão de todo o curso d’água. “Queremos expor os problemas e após ouvir e escutar a todos os entes envolvidos com a bacia do rio das Velhas. O momento é crítico e mesmo com as chuvas ainda precisamos redobrar a atenção, pois a crise não é apenas de precipitação, mas de gestão”, disse ao revelar que se não melhorar a atual vazão do rio, que já é baixa, cerca de 8 a 9 m³/s – antes das chuvas – a situação será de conflito total. “O rio que vemos e que temos é que nos avalia não os números relacionados a ele”, alertou Polignano.

Veja apresentação sobre a situação do rio das Velhas:

De acordo com o vice-presidente do Comitê, Ênio Resende de Souza, é grave a situação do rio das Velhas. “A vazão do rio é muito baixa, e estudada, nos diz da pior das médias históricas”, disse ao ressaltar que: “A situação ainda é mais crítica, pois temos uma Região Metropolitana muito próxima a cabeceira do rio”.

No Velhas atualmente há apenas dois pontos de medição de vazão e isso, de acordo com o presidente da instituição, precisa mudar. “Não tem como fazer o acompanhamento do rio com apenas esses pontos, precisamos de mais pontos de medição da vazão”, alertou o presidente que disse irá levar aos órgãos competentes essa demanda.

“Chamar os atores é necessário e importante para que todos discutam propostas concretas para a bacia”, afirmou o representante da Copasa, Nelson Guimarães. Segundo ele, a empresa já trabalha com um plano emergencial. “Precisamos entender o que está acontecendo com o rio para buscar em uma gestão única as soluções. Em parceria precisamos encontrar estratégias e ações que garantam a vazão mínima e necessária do rio. A Copasa já está trabalhando para a segurança da prática de captação, caso ocorra uma redução drástica”, revelou.

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“A crise atual não pode deixar de ser um exemplo. Temos poucos investimentos ligados à produção de água e isso deveria ser o principal assunto a ser debatido”, destacou Ronald Carvalho Guerra, coordenador do Subcomitê Nascentes. Para ele, as prefeituras devem estar mais envolvidas. “Temos muitos diagnósticos agora precisamos implementá-los. Falta gestão pública dos recursos hídricos. Nosso maior receio é que essa cultura não muda. Amanhã poderemos ter outras crise e piores. Por isso precisamos mudar essa cultura de destruição”, reforçou.

Não podemos observar a gestão hídrica apenas pelo conceito da demanda, destacou o vice-presidente do CBH Rio das Velhas, Ênio Souza. Para ele é necessário falar da melhoria de qualidade do solo. “O melhor reservatório é o solo”, disse. “O Plano Diretor e suas Agendas propõem estratégias concretas e altamente realizáveis. A crise está nos dando uma oportunidade de discutir proposições novas. Estamos vivendo uma crise ecossistêmica e não apenas de abastecimento. Temos que olhar a bacia como um todo. Nosso olhar tem que ser ampliado e sair do tradicional”, afirmou.

Veja as fotos da reunião

Encaminhamentos

Do encontro foram levantadas propostas e encaminhamentos. Ficou acordado que o IGAM irá fazer o levantamento quantitativo da vazão, outorgas e demandas do Alto Rio das Velhas e os projetos e propostas que envolvem a bacia e estão sendo realizados serão levantados e levados ao conhecimento de todos para fortalecimento dos processos.

Outras propostas foram: promover reuniões setoriais com os órgãos públicos e civis da Bacia, fortalecer os Subcomitês, criar um sistema de informação para o Velhas e discutir com as prefeituras a implantação do Plano Diretor e as agendas propostas por ele.

A próxima reunião ficou agendada para o dia 15 de outubro na sede do Comitê. “O rio diz do que não vemos. Por isso é preciso pensar ações urgentes para ele. Não será no curto prazo, mas temos que começar a dar passos para mudar a atual realidade”, afirmou Polignano.


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