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CBH Rio das Velhas contribui para debate sobre integração e governança hídrica no Rio São Francisco

31/03/2026 - 21:28

Na última sexta-feira (27), a Diretoria do Comitê da Bacia Hidrográfica Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) participou do VII Encontro de Comitês Afluentes da bacia do Rio São Francisco. O colegiado foi representado pelo presidente, Valter Vilela, e pela secretária-adjunta, Poliana Valgas. O evento, promovido pelo Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), reuniu representantes de diferentes regiões com o objetivo de fortalecer a atuação integrada e ampliar a participação na construção do Plano Integrado de Recursos Hídricos da bacia.


A programação reuniu representantes da bacia e de instituições públicas, como a Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), a Agência Peixe Vivo, além de secretários e outros representantes do poder público, consolidando o encontro como um espaço de diálogo, articulação institucional e construção coletiva. A iniciativa reforça o papel estratégico dos comitês afluentes na gestão descentralizada e integrada dos recursos hídricos, ao mesmo tempo em que amplia a escuta e a cooperação entre os diferentes territórios.

Rio das Velhas

Além de ser o colegiado do maior afluente em extensão do Rio São Francisco, o CBH Rio das Velhas já conta com diversos projetos financiados pela cobrança pelo uso da água. Nesse sentido, sua participação no encontro contribui para o compartilhamento de experiências e vivências na gestão dos recursos hídricos.

Representando um dos comitês mais estratégicos da bacia, Vilela destacou a singularidade do território do Rio das Velhas, que abriga as cabeceiras responsáveis pelo abastecimento direto de Belo Horizonte. “Nós estamos em uma região extremamente sensível, com diversas atividades minerárias nas nascentes. Qualquer incidente pode comprometer diretamente o abastecimento da capital”, afirmou.

Segundo ele, atualmente são fornecidos cerca de 7 mil litros de água por segundo para a cidade, em um sistema de captação sem reservatórios, o que aumenta ainda mais a vulnerabilidade. O presidente ressaltou que o Comitê mantém monitoramento constante das atividades minerárias na região, diante do risco de rompimentos e seus possíveis impactos. “Se houver qualquer problema, Belo Horizonte pode sofrer consequências graves. É uma responsabilidade enorme”, pontuou.

Ao abordar a integração entre os comitês da bacia, Vilela reconheceu avanços, mas relembrou entraves históricos. Ele citou conversas anteriores, ainda durante gestões passadas do comitê do Rio São Francisco, quando não houve consenso sobre a definição de vazões de entrega entre os estados. “Foi um debate intenso, mas não conseguimos avançar. É um tema complexo, com interesses diferentes e critérios técnicos que nem sempre convergem”, explicou.

Apesar das dificuldades, o CBH Rio das Velhas manifestou apoio ao processo de integração em curso. No entanto, Vilela fez um alerta enfático sobre a necessidade de maior diálogo institucional, especialmente diante de projetos estruturantes em andamento na bacia.

Ao final, Vilela reiterou o posicionamento favorável do CBH Rio das Velhas à construção de um plano integrado para a bacia do Rio São Francisco, mas enfatizou que o sucesso desse processo depende do fortalecimento do diálogo entre os diferentes atores envolvidos. “Somos totalmente favoráveis à integração, mas ela precisa acontecer de forma participativa e responsável”, concluiu.


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IGAM

Para Marcelo da Fonseca, do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), o desafio de integrar os comitês evidencia a complexidade da gestão do São Francisco, mas também seu potencial. Ele destaca que momentos de convergência, como os encontros entre comitês, ampliam a compreensão do território e permitem avanços significativos. Segundo ele, o principal ganho ocorre quando se consegue enxergar a bacia de forma integrada, compreendendo os impactos das intervenções desde as nascentes até a foz.

Marcelo também ressaltou a necessidade de superar a fragmentação na gestão dos recursos hídricos, reconhecendo a bacia como uma unidade. Nesse sentido, o plano integrado surge como uma oportunidade de alinhar o planejamento ao território real, articulando instrumentos de gestão e promovendo maior harmonia entre os estados.

Manifesto pela integração

Durante o encontro, os presentes apresentaram a Carta Manifesto pela Integração e Cooperação na elaboração do Projeto Integrado de Recursos Hídricos do São Francisco (PIRH-SF), reafirmando o compromisso dos comitês afluentes, do CBHSF, da Agência Nacional de Águas e Saneamento e dos órgãos gestores com uma atuação articulada, transparente e colaborativa ao longo de todo o processo. O documento reconhece a bacia do Rio São Francisco como um território diverso e interdependente, que exige coordenação entre diferentes esferas, poderes e o fortalecimento da governança no âmbito do sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos.

O manifesto destaca o PIRH-SF como uma oportunidade estratégica para equiparar os instrumentos de planejamento entre a calha do rio e suas bacias afluentes, integrar dados e conhecimentos técnicos, fortalecer processos participativos e ampliar a segurança hídrica frente aos desafios climáticos.

Ao formalizar esse compromisso, os signatários, incluindo o CBH Rio das Velhas, reforçam que a integração não se limita a uma diretriz técnica, mas se consolida como um pacto político e institucional em favor do futuro da bacia do São Francisco e das populações que dela dependem.


Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: João Alves
*Fotos: João Alves