A conservação do solo, a recuperação ambiental e a retomada da capacidade de armazenamento de água são algumas das frentes de trabalho que começam a ganhar forma na microbacia do Córrego São Vicente, em Pirapora, na região da foz do Rio das Velhas. Nesta quinta-feira (15), o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) e o Subcomitê Guaicuí realizaram a reunião inicial do Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água, dando início a uma nova etapa de ações no Baixo Velhas.
O encontro reuniu representantes do Subcomitê, da Unidade Gestora do Projeto São Vicente e produtores rurais para apresentar as etapas do trabalho e as formas de participação dos proprietários. A iniciativa busca ampliar o potencial de produção de água na microbacia por meio de Soluções Baseadas na Natureza (SbN), com intervenções planejadas de acordo com as características e necessidades de cada propriedade rural.
O projeto será executado pela DHF Consultoria e Engenharia, com apoio técnico da Agência Peixe Vivo, e integra o segundo ciclo do Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água do CBH Rio das Velhas.
Projetos para cada propriedade
A iniciativa prevê o cadastramento das propriedades rurais interessadas e a elaboração dos Projetos Individuais por Propriedade (PIPs), documentos técnicos que indicarão as medidas mais adequadas para a conservação ambiental e a produção de água em cada área.
Entre as possibilidades de intervenção estão a construção de barraginhas e bacias de contenção, o terraceamento agrícola, a adequação de estradas e carreadores, a recuperação de matas ciliares, a restauração da vegetação nativa, a proteção de nascentes e o manejo de pastagens. Também poderão ser recomendadas práticas de conservação do solo, implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) e soluções de saneamento rural.
As medidas serão definidas a partir de visitas técnicas e diagnósticos das propriedades que aderirem ao projeto. A programação inclui ainda atividades de mobilização, um ponto de apoio temporário para cadastro e esclarecimento de dúvidas e uma reunião final para apresentação dos projetos elaborados.
Conselheira do Subcomitê Guaicuí, Raquel Oliveira destacou a importância dos PIPs para orientar as ações necessárias na microbacia. “Esses projetos vão apontar as ações de conservação do solo necessárias para a produção de água na bacia do Córrego São Vicente”, explicou. Segundo ela, o acompanhamento do trabalho pelo Subcomitê também pode estimular outras localidades a desenvolver iniciativas semelhantes.
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Mobilização em torno do córrego
A chegada do programa se soma a um esforço coletivo de revitalização do Córrego São Vicente, que reúne instituições, produtores rurais e profissionais em torno da recuperação do manancial.
Jefferson Neto, integrante da Unidade Gestora do Projeto São Vicente, destacou o envolvimento de mais de 40 instituições e participantes que trabalham voluntariamente na iniciativa. “É uma alegria imensa, porque esse é o primeiro projeto de três microbacias aqui na região semiárida, que precisa recuperar e revitalizar seus mananciais hídricos e reservar água. Então, estamos muito felizes com o dia de hoje”, afirmou.
A mobilização local é especialmente relevante diante das mudanças percebidas no comportamento do córrego ao longo dos anos. Produtor rural da região, Lucas Pietra relatou que o curso d’água, antes perene, passou a apresentar água apenas durante o período chuvoso. “Antigamente, o córrego era perene, corria água o ano todo. Hoje, é um córrego efêmero, que só tem água durante o período das chuvas. Nós, produtores da região, sofremos muito com isso e esperamos bastante dessa iniciativa”, contou.
Para ele, o projeto representa uma oportunidade de melhorar as condições ambientais da microbacia e beneficiar quem vive e produz às margens do curso d’água. “Minhas expectativas com o projeto são as melhores possíveis. Torço para que todos nós que moramos aqui e temos propriedades na região sejamos beneficiados. Esperamos que o córrego volte a ter vida e a correr pelas propriedades ribeirinhas e próximas”, acrescentou.
Segundo ciclo do programa
O Córrego São Vicente é uma das quatro microbacias contempladas pelo segundo ciclo do Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água do CBH Rio das Velhas. O objetivo é maximizar o potencial de produção de água nas sub-bacias, priorizando territórios em que intervenções ambientais possam contribuir para o manejo dos recursos hídricos em áreas rurais.
A indicação inicial das áreas prioritárias cabe aos Subcomitês, enquanto o Grupo de Acompanhamento Técnico (GAT) realiza a análise e a validação técnica das propostas, considerando as metas do Plano Diretor de Recursos Hídricos (PDRH).
No primeiro ciclo, o programa contemplou as microbacias do Rio Maracujá, nas UTEs Nascentes e Itabirito; do Ribeirão Ribeiro Bonito, na UTE Rio Taquaraçu; do Córrego Soberbo, na UTE Rio Cipó; e do Córrego Pedras Grandes, na UTE Guaicuí.
Já o segundo ciclo abrange, além do Córrego São Vicente, as microbacias do Ribeirão Urubu, na UTE Ribeirão da Mata; do Rio Paraúna, na UTE Rio Paraúna; e do Rio Bicudo, na UTE Rio Bicudo.
Com o início dos trabalhos em Pirapora, o programa avança em uma região onde a disponibilidade de água é uma preocupação central para a população rural. A elaboração dos projetos individuais deverá orientar as intervenções nas propriedades, articulando o conhecimento técnico, a participação dos produtores e os esforços locais para conservar o solo, favorecer a infiltração da água e contribuir para a recuperação do Córrego São Vicente.
Conheça a 1ª etapa do Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água:
Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Fotos: Rogério Alves
