Logo CBH Rio das Velhas

Seminário em Sete Lagoas fortalece debate sobre proteção do carste e recursos hídricos da região

23/03/2026 - 16:03

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) participou, na última sexta-feira (20), do VI Seminário Águas no Carste, realizado em Sete Lagoas, dentro da programação especial em comemoração ao Dia Mundial da Água. O evento foi promovido pelo Monumento Natural Estadual Gruta Rei do Mato, por meio do Instituto Estadual de Florestas (IEF), e contou com o CBH Rio das Velhas como parceiro.


Com o tema “Desenvolvimento Científico e Boas Práticas para Proteção do Carste e dos Recursos Hídricos”, o seminário teve como objetivo fomentar o debate sobre a exploração, o uso e a conservação dos recursos hídricos em áreas de relevo cárstico — regiões marcadas pela elevada fragilidade ambiental e grande importância para o abastecimento hídrico. O encontro reuniu importantes nomes do meio acadêmico e científico, que apresentaram estudos de abrangência local e nacional.

A participação do CBH Rio das Velhas foi marcada pela presença institucional e por ações de mobilização, como a exposição educativa “Velhas, Faço Parte”, que atraiu o público ao longo do evento. Representantes de diferentes instâncias do Comitê também estiveram presentes, entre eles a secretária-adjunta Poliana Valgas e membros de subcomitês atuantes na região, como os Subcomitês Ribeirão Jequitibá, Carste e Ribeirão da Mata.

Para Poliana Valgas, a presença do Comitê reforça o compromisso com a pauta ambiental na bacia. “O Comitê de Bacia do Rio das Velhas se faz presente mais uma vez, como parceiro neste importante evento para toda a bacia. Na Bacia do Velhas se localiza uma extensa área cárstica, uma região frágil e de grande importância, com questões ambientais que demandam atenção, especialmente das municipalidades, do Comitê de Bacia e do órgão gestor. Nossa expectativa em relação a este evento é promover um debate ainda mais aprofundado, visando a busca por soluções para a proteção e conservação desse território”.

Importância do debate contínuo

A gestora do monumento, Honorina Rocha, destacou o papel do seminário ao longo dos anos na construção de conhecimento e engajamento social. “Esta é a sexta edição do evento, que tem como objetivo discutir temas relevantes sobre a fragilidade do sistema cárstico, e, em particular, de Sete Lagoas. Ao longo dos anos, o seminário tem promovido debates importantes, e neste ano, trouxemos a contribuição da comunidade científica, tanto para o debate teórico quanto para a apresentação de boas práticas no âmbito do carste. Desejamos que a população compreenda que a discussão sobre o carste não se restringe ao ambiente acadêmico; é fundamental envolver a comunidade e as escolas. Hoje, apresentamos temas que ilustram essas boas práticas, incluindo exemplos de aprendizado. É crucial que tenhamos consciência da necessidade de preservar e valorizar o nosso aquífero cárstico, dada a sua fragilidade e sensibilidade.”

Destaques da programação científica

Entre os destaques da programação esteve a palestra “Diagnóstico Ambiental Espeleológico do MONA Gruta Rei do Mato”, apresentada pela professora e pesquisadora Mariana Barbosa Timo, da Spelayon Consultoria, que trouxe resultados de estudos voltados à ampliação da Unidade de Conservação em Sete Lagoas.

O evento também contou com a apresentação de iniciativas voltadas às boas práticas para proteção e conservação do carste e dos mananciais hídricos subterrâneos, reforçando a importância da integração entre ciência, gestão pública e sociedade.


Clique aqui e confira todas as fotos do 6º Seminário Águas do Carste:


Educação ambiental em foco

A segunda parte do encontro foi dedicada ao compartilhamento de experiências de educação ambiental exitosas, que trabalharam diretamente com a realidade da espeleologia na região do Médio e em outras partes do país.

As explanações ficaram por conta do professor de Geografia da rede de educação de Prudente de Morais, Eduardo Teixeira – que apresentou trabalhos desenvolvidos no pelos alunos – e da membro da Escola Brasileira de Espeleologia (eBRe), Carla Pereira – que focou no detalhamento da publicação de cartilhas educativas pela eBRe.

Olhares sobre o território

A coordenadora do Subcomitê Ribeirão Jequitibá, Rose Calixto, ressaltou a importância da continuidade do evento para o acompanhamento das pesquisas e discussões. “Como nos últimos seis anos, o Subcomitê Ribeirão Jequitibá se faz presente e acompanha com muita atenção e felicidade o ‘Águas no Carste’. É muito importante que possamos acompanhar os dados científicos, as pesquisas aqui apresentadas e discutir, junto a diversas outras entidades, com destaque para as universidades, o futuro dessa região, tão sensível e relevante para nosso Médio Rio das Velhas.”

Ciência e sensibilização para o futuro

Do ponto de vista científico, os debates reforçaram a necessidade de ampliar a compreensão sobre o carste e sua relação com a vida urbana. O pesquisador Ícaro Assis, da UFMG, destacou essa conexão. “Em nossas pesquisas, no âmbito da UFMG, entendemos que essa estrutura invisível está completamente associada à cidade, às pessoas, e é a partir dessa relação que poderemos pensar os caminhos futuros dessa cidade e dessa região, tendo em vista, inclusive a educação ambiental como cerne. Não podemos mais ignorar esse gigante invisível tão presente aqui na região.”

Já o pesquisador e espeleólogo Daniel Menin chamou atenção para a relevância ecológica e histórica das cavernas. “As cavernas e áreas cársticas, como as que temos aqui em Sete Lagoas, são como marcadores, máquinas do tempo. Podemos, a partir desse ecossistema complexo, nos transportar para outro tempo, dezenas de milhares de anos ficam preservados, com pouquíssima interferência. Estudos sugerem que ambientes de espeleologia sustentam 75% dos serviços ecossistêmicos do planeta. São marcadores geológicos muitíssimo importantes, daí a relevância de eventos como este, que discutem e apresentam a situação atual desses ecossistemas. O desafio é trabalhar esse conhecimento para que a sociedade se envolva, cada vez mais com a proteção das cavernas.”



Ícaro Assis e Daniel Menin contribuíram com as discussões propostas pelo Seminário


Ao reunir ciência, gestão e participação social, o VI Seminário Águas no Carste reafirma seu papel como espaço estratégico de diálogo e construção coletiva, fortalecendo ações voltadas à preservação dos recursos hídricos e à proteção dos frágeis sistemas cársticos presentes na bacia do Rio das Velhas.


Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Fotos: Arthur de Viveiros