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Subcomitês do CBH Rio das Velhas unem forças para discutir avanço da mineração no Espinhaço

24/08/2026 - 17:37

O avanço da mineração na região do Espinhaço foi o principal tema da reunião ordinária conjunta dos Subcomitês Peixe-Bravo, Rio Paraúna e Rio Cipó, realizada na última sexta-feira (21), na comunidade quilombola do Capão, em Presidente Juscelino, no Baixo Velhas. O encontro reuniu representantes dos três territórios para discutir os impactos da atividade minerária e a necessidade de maior articulação diante do crescimento de diferentes frentes de exploração.


Embora a mineração de ferro tenha presença histórica na região, novas atividades vêm ganhando espaço ou despertando interesse, entre elas a exploração de quartzito, quartzo e manganês, além do garimpo de diamantes. Para os participantes, a multiplicação de empreendimentos e requerimentos minerários em diferentes pontos do Espinhaço amplia a preocupação com os efeitos cumulativos sobre os rios, as áreas protegidas, a biodiversidade e as paisagens que caracterizam a região.

Coordenador do Subcomitê Peixe-Bravo, José Geraldo Silvério, o Zezinho, manifesta preocupação com os impactos da atividade minerária sobre os recursos hídricos e o território de Santana de Pirapama. “A minha preocupação é que a mineração está avançando de uma maneira exacerbada. Lá na minha região, em Santana de Pirapama, nós estamos com um problema com uma mineração nas margens do Rio Preto”, relata.

Para Zezinho, a atividade minerária precisa ser compatibilizada com a conservação dos recursos naturais e os diferentes usos da água. “A gente está pronto para conviver com a mineração, com o progresso, mas precisa ter equilíbrio, porque a água é o bem mais precioso que nós temos. A água é sinônimo de tudo: da própria vida, do alimento, do lazer. A gente tem que vestir essa camisa”, defende.

Pressão sobre áreas protegidas

A preocupação também se estende às unidades de conservação. Coordenador do Subcomitê Rio Cipó, Rogério Dayrell destaca a pressão exercida pela mineração sobre a Área de Proteção Ambiental (APA) Morro da Pedreira, que circunda o Parque Nacional da Serra do Cipó. “Ela já tem hoje 55 decretos minerários registrados. Sendo que, inclusive, na questão do quartzito, nós temos cinco mineradoras hoje com lavra proposta”, afirma. Para ele, o cenário reforça a necessidade de unir esforços entre os diferentes territórios.

A mobilização conjunta, segundo Dayrell, busca fortalecer a atuação dos subcomitês na defesa dos rios e dos territórios diante do avanço da mineração. “A gente veio aqui fortalecer essa discussão e essa união entre os Subcomitês para achar algumas soluções que sejam viáveis, para que a gente tenha um Rio das Velhas em que se possa nadar e pescar. Essa é a nossa preocupação”, explica.

A questão do ordenamento territorial aparece como um dos principais desafios. Para os participantes, é necessário avaliar não apenas os impactos de cada empreendimento isoladamente, mas também os efeitos provocados pela concentração de diferentes atividades minerárias em um mesmo território.

Conselheiro do Subcomitê Rio Paraúna, Alex Mendes ressalta que a região reúne atributos naturais, culturais e turísticos que precisam ser considerados nas decisões sobre o uso do território. “A gente está na cordilheira do Espinhaço, a única cordilheira do Brasil, e por ser uma cordilheira ela tem muitos projetos”, observa.

Entre eles estão iniciativas de reconhecimento e valorização do território, além da implantação de trilhas de longo curso, como a Transpinhaço. Nesse contexto, Alex chama atenção para os impactos visuais e paisagísticos provocados pela mineração, especialmente pela exploração de rochas ornamentais. “O impacto visual e também cênico que está sendo trazido pelas minerações causa um impacto muito grande para aquele que quer caminhar e, de repente, se encontra com uma montanha de rejeitos”, afirma.

Segundo ele, além do impacto sobre a paisagem, a destinação dos rejeitos e os efeitos cumulativos de diferentes empreendimentos também são motivo de preocupação. “São várias minerações em vários pontos e você não tem ordenamento. Ninguém está pensando em ordenar onde pode, onde não pode. A mineração é importante, mas a grande questão é: onde pode, onde não pode e onde a gente vai preservar?”, questiona.

Água no centro do debate

A preocupação com a mineração está diretamente relacionada à proteção dos cursos d’água que atravessam o Espinhaço e contribuem para o Rio das Velhas. Ao final da reunião, parte dos participantes visitou a foz do Rio Paraúna, no ponto de encontro com o Velhas.

O contato com o rio reforçou, entre os presentes, a importância de preservar a qualidade das águas e de acompanhar de perto as transformações no território. O Paraúna é um dos principais afluentes do Rio das Velhas e integra um território marcado por áreas naturais preservadas, comunidades tradicionais, atividades rurais e crescente interesse turístico.

Para os representantes dos Subcomitês, a discussão sobre mineração, portanto, não pode ser dissociada do debate sobre a água e sobre os diferentes usos e valores atribuídos ao território.

Alex também chama atenção para a existência de sítios arqueológicos e outros elementos do patrimônio ainda pouco conhecidos e estudados. “É uma região muito inexplorada ainda, muito sem estudos por parte dos governos e das universidades. A gente não tem conhecimento do que é o Espinhaço ainda. E, com isso, vem essa destruição que está nos deixando muito preocupados, atingindo fauna e flora”, afirma.


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Articulação entre os Subcomitês

Como encaminhamento da reunião, os participantes propuseram a criação de um grupo de discussão e ação, formado por pessoas mais engajadas de cada um dos três Subcomitês. A proposta é que o grupo mantenha encontros periódicos, possivelmente a cada três ou quatro meses, para aprofundar os debates, acompanhar demandas e fortalecer a atuação conjunta.

A articulação deverá contemplar não apenas a mineração, mas também outras questões comuns aos territórios, como os incêndios florestais. A ideia é ampliar a troca de informações e experiências entre os Subcomitês e construir ações articuladas diante de problemas que ultrapassam os limites de cada território.

Transparência institucional

Esta publicação decorre do dever de transparência da administração pública e apresenta, de forma objetiva, informações sobre atividade ordinária da rotina institucional do CBH Rio das Velhas, em conformidade com as orientações vigentes para o período eleitoral.


Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Fotos: Fernando Piancastelli