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Visita técnica reforça importância do cuidado contínuo com nascentes urbanas da bacia do Ribeirão Onça

29/06/2026 - 11:15

O Subcomitê Ribeirão Onça, instância do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), realizou, na última sexta-feira (26), uma Visita Técnica de Reconhecimento às nascentes urbanas recuperadas pelo Programa de Valorização de Nascentes Urbanas na bacia do Ribeirão Onça. A agenda reuniu conselheiros, representantes da Agência Peixe Vivo e parceiros com o objetivo de avaliar os resultados das intervenções realizadas ao longo da última década, retomar o contato com os cuidadores das nascentes e reunir experiências que contribuirão para a construção do Programa de Recuperação de Mananciais Urbanos.


O roteiro contemplou três áreas emblemáticas da sub-bacia: a nascente da Escola Jardim Felicidade, a Nascente Fundamental do Onça e a nascente localizada no Quilombo Mangueiras. Além de observar o estado atual das intervenções, a visita permitiu identificar desafios, reconhecer o protagonismo das comunidades locais e discutir estratégias para garantir a continuidade das ações de recuperação e conservação das águas urbanas.

Para a coordenadora do Subcomitê Ribeirão Onça, Carla Wstane, revisitar essas áreas representa muito mais do que uma avaliação técnica. “É algo fundamental. Primeiro, para que não percamos de vista todo o trabalho já realizado. É uma forma de honrar o esforço dos cuidadores, das comunidades que mantêm esses projetos vivos e toda a mobilização construída ao longo do tempo, além de valorizar cada recurso investido.”

Segundo ela, o reencontro com os territórios permite compreender tanto os avanços quanto os desafios que permanecem. “Essas visitas também nos permitem olhar para o futuro, compreendendo de perto o que deu certo e o que ainda precisa ser aperfeiçoado.”

Carla também destacou o significado das transformações promovidas ao longo dos anos. “Acima de tudo, o projeto nos mostra que as nascentes urbanas continuam resistindo. Elas existem, seguem vivas e precisam ser protegidas. Ver a transformação desses espaços, que antes eram frequentemente associados à insalubridade ou à violência e hoje se tornaram locais acolhedores e cheios de vida, é algo realmente emocionante.”

Ela concluiu ressaltando o papel dessas iniciativas diante da crise climática. “Em um contexto de emergência climática e de eventos extremos cada vez mais frequentes, proteger e ampliar iniciativas como essa não é apenas uma escolha: é uma necessidade. É assim que construiremos a transformação urbana que desejamos, baseada na harmonia entre as cidades, os cursos d’água e as nascentes urbanas.”

Mobilização comunitária faz a diferença

Na nascente do Jardim Felicidade, os participantes puderam acompanhar de perto a evolução de um trabalho construído coletivamente ao longo dos últimos anos. A área, que antes enfrentava problemas de degradação e descarte irregular de resíduos, tornou-se um importante espaço de convivência e educação ambiental graças ao envolvimento da comunidade.

Uma das lideranças locais, Cleiton Henriques da Silva relembrou que o processo exigiu persistência e participação popular. “O processo enfrentou desafios, como a resistência de alguns moradores e a destruição inicial do espaço. Em resposta, o grupo adotou o lema da construção constante, realizando mutirões mensais e atividades de ocupação entre 2018 e 2020. O projeto culminou no fechamento oficial da rua e, posteriormente, em uma estruturação física definitiva com apoio da prefeitura. Atualmente, o espaço é amplamente utilizado de forma espontânea pelos moradores, embora ainda demande projetos públicos de manutenção contínua.”

Na Nascente Fundamental do Onça, o grupo verificou que as intervenções seguem produzindo resultados positivos, tanto na preservação da nascente quanto na valorização do território.

Idealizador do movimento Deixem o Onça Beber Água Limpa e integrante do Conselho Municipal Unidos pelo Ribeiro de Abreu (Comupra), Itamar de Paula destacou que a recuperação da nascente desencadeou mudanças que ultrapassam os aspectos ambientais. “Depois da revitalização, percebemos uma mudança importante. A nascente passou a receber mais atenção, tanto em relação ao seu entorno quanto à necessidade de protegê-la diante da forte pressão imobiliária que a região ainda sofre. Mas também ficou claro que esse trabalho precisa ter continuidade. Não basta recuperar a nascente uma vez e depois abandoná-la. É preciso acompanhar, observar e cuidar constantemente, especialmente diante das mudanças climáticas que já estamos enfrentando.”

Segundo ele, os resultados já são perceptíveis na paisagem e na relação da comunidade com o espaço. “Hoje temos árvores que antes não existiam, pessoas colhendo frutas e um espaço muito mais organizado, sem a ocupação desordenada que havia anteriormente. Tudo isso faz parte da construção do Parque Ciliar Comunitário do Ribeirão Onça. A ideia é conectar diferentes trechos até formar um parque linear de cerca de 5,5 quilômetros. Ainda há desafios e sempre haverá o que melhorar, mas é possível perceber que o espaço está bem mais cuidado. Isso mostra que, quando a comunidade participa, os resultados aparecem.”


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Avanços e preocupações

Ao final da visita, a professora e conselheira do Subcomitê Ribeirão Onça, Majô Zeferino, avaliou positivamente a agenda, ressaltando que o acompanhamento periódico é essencial para compreender a evolução de cada nascente. “Foi um dia muito positivo, e conseguimos visitar os três pontos previstos. Na nascente da dona Júlia, no Ribeirão Onça, ficamos felizes em ver que ela continua cumprindo um papel importante, levando água limpa.”

Ela também observou que a área do Jardim Felicidade segue exigindo cuidados permanentes. “Ainda são necessárias mais ações de mobilização e manutenção, principalmente em relação aos vazamentos de água e à limpeza do local, mas é bom ver que há pessoas da comunidade que continuam cuidando da área, apesar das dificuldades.”

Já a situação encontrada no Quilombo Mangueiras despertou preocupação. “A visita ao Quilombo nos deixou muito preocupados. Uma forte enxurrada abriu uma grande voçoroca e causou danos sérios.”

A presidente da Associação Quilombola de Mangueiras, conselheira do Subcomitê Ribeirão Onça e do CBH Rio das Velhas, Ione Maria de Oliveira, explicou que o problema teve início após um vazamento prolongado de esgoto, agravado pelas chuvas intensas. “O replantio foi feito de forma muito bonita e trouxe esperança para a comunidade. Infelizmente, pouco tempo depois ocorreu um vazamento de esgoto que permaneceu por vários dias escorrendo pelo barranco. Em seguida vieram as chuvas, provocando uma grande erosão que derrubou diversas mudas e cobriu a nascente com terra e barro.”

Segundo ela, os impactos ambientais foram significativos. “Hoje a situação é muito preocupante. O olho d’água ficou completamente exposto, sem a vegetação necessária para protegê-lo, e várias das espécies plantadas foram perdidas. Também identificamos fios de energia muito próximos da erosão, o que aumenta os riscos no local.”

Ione informou que a comunidade acionou os órgãos competentes e espera providências para recuperar a área. “O que aconteceu ali foi muito grave: o esgoto atingiu diretamente a nascente, causando um grande impacto ambiental. É muito triste ver um trabalho de recuperação ser comprometido dessa forma. Esperamos que as providências necessárias sejam tomadas para recuperar a nascente e evitar que isso volte a acontecer.”


Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Foto: Milena do Carmo