Há alguns dias a chuva não tem dado trégua na bacia do Rio das Velhas. Medições feitas pela Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) apontam que o índice pluviométrico do sistema produtor Rio das Velhas já chegou a 249 mm em 2026, superando a média do mesmo período do ano passado, quando foram registrados 211,1 mm de chuva. Isso se reflete no nível dos mananciais que abastecem os municípios da bacia.
Os dias ininterruptos de chuva contribuem para o aumento do nível dos rios e reservatórios. A água que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) provém do Rio das Velhas e do Rio Paraopeba. Ambos, já estão significativamente mais cheios. No caso do Velhas, a captação é feita a fio d’água, sem reservação. No Paraopeba, onde há grandes reservatórios, os números da Copasa comprovam que a chuva trouxe alívio para o abastecimento. Ao analisar os principais reservatórios do sistema, é possível perceber que houve aumento do nível da maior parte deles.
O Sistema Paraopeba começou o ano com 46% da sua capacidade. De lá pra cá, com a chuva, o volume de água subiu gradualmente e, no dia 22 de janeiro, chegou a 48,4%. Na represa Várzea das Flores, o reservatório começou o ano com 48,3% da capacidade e no dia 22 de janeiro chegou a 55,1%. No reservatório Rio Manso, o nível passou de 54,7% para 57,7% no mesmo período.
Realidade que traz alívio para o Grupo Gestor de Vazão do Alto Rio das Velhas (Convazão). “No período de dezembro de 2025 até o início de janeiro de 2026, as vazões monitoradas do Rio das Velhas estavam bem ruins, muito próximas da vazão de referência, o que preocupava o grupo. Com a passagem da Zona de Convergência, que provocou chuvas intensas na região, a vazão melhorou. E o mais importante é a duração e a intensidade das chuvas, de modo a recuperar as nascentes, os lençóis freáticos, para essa água ficar no território e melhorar a resiliência da bacia do Rio das Velhas”, comenta Renato Junio Constâncio, secretário do CBH Rio das Velhas e coordenador do Convazão.
No Sistema Serra Azul, em Juatuba, na grande BH, a situação é diferente, mesmo com a chuva. O nível de armazenamento no dia 1º de janeiro deste ano estava em 30,3%. E em 22 de janeiro, chegou a 29,5%, o menor desde 2018. Apesar disso, a Copasa garante que todos os reservatórios da empresa estão com água suficiente para garantir o abastecimento da população da região metropolitana.

Diversos pontos da bacia registram aumento no nível do Rio das Velhas
Recuperação do volume
Nesta sexta-feira (23), o Rio das Velhas chegou ao nível de alerta em Sabará, na grande Belo Horizonte, atingindo 2,10m acima do normal, chegando próximo ao ponto de transbordamento. A Defesa Civil monitora o rio 24 horas por dia, inclusive com uso de câmeras, em trabalho conjunto com as Defesas Civis de Nova Lima e Raposos, cidades a jusante. “Até 1,9m a gente está em situação de normalidade. Acima disso, como agora, entramos em estágio de atenção. A nossa preocupação é atingir 3,9m, o que seria estágio de emergência, quando a água começa a invadir as casas das pessoas. Estamos trabalhando em parceria com as cidades vizinhas, monitorando o Rio das Velhas, para termos tempo de agir, se for necessário”, explica Coronel Flávio Godinho, Secretário de Defesa Civil de Sabará.
Os números devem subir ainda mais, já que a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil, órgão ligado ao Governo de Minas, alertou para a previsão de mais chuvas para o estado. Só na capital o volume acumulado de chuva pode chegar a 300mm nos próximos dias. “A meteorologia aponta que, ainda este mês, uma outra Zona de Convergência deve criar condições climáticas favoráveis à ocorrência de mais chuvas significativas na região do Velhas. E esperamos que isso contribua ainda mais para a melhoria das vazões nos nossos mananciais, enchendo nossos reservatórios”, finaliza Renato.
Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Henrique Ribeiro
*Fotos: Divulgação
