A Plenária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) realizou, no dia 12 de março, reunião em formato on-line para apresentar aos membros do colegiado um panorama das ações em andamento na bacia. O encontro teve caráter informativo e não contou com deliberações, sendo dedicado à atualização sobre projetos, iniciativas e atividades conduzidas pelo Comitê, pela Agência Peixe Vivo e pelos Subcomitês de bacia.
Para o presidente do CBH Rio das Velhas, Valter Vilela, o objetivo do encontro foi fortalecer o alinhamento e manter os membros atualizados sobre os avanços das ações na bacia. “Essas reuniões são importantes para compartilharmos o que está sendo desenvolvido nos territórios e nos projetos do Comitê. É uma forma de manter todos informados e de fortalecer a atuação coletiva em defesa do Rio das Velhas”, destacou.
Um dos destaques da reunião foi o Momento dos Subcomitês, espaço dedicado à apresentação de ações desenvolvidas nas sub-bacias. Na ocasião, representantes dos Subcomitês Ribeirão Onça e Ribeirão Arrudas compartilharam iniciativas e desafios relacionados à gestão das águas e à mobilização territorial.
Subcomitê Ribeirão Onça
As ações do Subcomitê Ribeirão Onça foram apresentadas por Caroline Craveiro, com foco no fortalecimento da governança e na articulação territorial. Entre as iniciativas destacadas está a criação do Grupo de Mobilização e Educação Ambiental e Sanitária (GMEA) da Bacia da Pampulha, formado em 2025 para ampliar o engajamento comunitário e promover ações de educação ambiental e recuperação da bacia. A iniciativa reúne moradores, organizações da sociedade civil e representantes das prefeituras de Belo Horizonte e Contagem.
Segundo Caroline Craveiro, o trabalho do Subcomitê tem buscado fortalecer a articulação entre diferentes atores do território. “Temos atuado para ampliar o diálogo entre comunidades, instituições e poder público, fortalecendo a governança e construindo soluções conjuntas para os desafios da sub-bacia do Ribeirão Onça”, afirmou.
Também foram apresentados temas relacionados à gestão de riscos e infraestrutura na bacia do Ribeirão Onça, incluindo questionamentos técnicos sobre a proposta de derrocagem de cerca de 1,6 km do ribeirão, com rebaixamento de quatro metros do leito natural, prevista no projeto do Parque Ciliar Comunitário do Ribeirão Onça. Diante do tema, foi apontada a necessidade de ampliar o diálogo com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), bem como de fortalecer o apoio institucional do CBH Rio das Velhas.
Durante a apresentação também foram citados o acompanhamento de intervenções hidroambientais, a interlocução com órgãos públicos sobre obras e projetos na região e a preocupação com pressões ambientais, como o avanço da especulação imobiliária em áreas sensíveis da sub-bacia.
Subcomitê Ribeirão Arrudas
As representantes do Subcomitê Ribeirão Arrudas Neide Pacheco, Laudicena Curvelo e Cecília Rute também apresentaram ações voltadas ao acompanhamento de intervenções urbanas, mobilização social e proteção de nascentes. Entre os temas destacados está a gestão de riscos e infraestrutura na bacia do Cercadinho, onde estão previstos projetos de estruturas de macrodrenagem, como bacias de detenção no leito do córrego Cercadinho, além de licenciamentos em Áreas de Preservação Permanente concedidos pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (COMAM). Nesse contexto, foi apontada a necessidade de ampliar o diálogo com a Sudecap e o próprio COMAM, com apoio do CBH Rio das Velhas.
Também foram mencionadas ações de mobilização e articulação territorial, com maior enfoque nas bacias do Cercadinho e Navio-Baleia, além do acompanhamento das mobilizações dos Núcleos Manuelzão. Outro destaque foi o projeto que deverá subsidiar estudos para a implantação de uma Unidade de Conservação na Mata da Baleia, cuja primeira licitação foi deserta, mas que já conta com mobilização social iniciada por meio de audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
No campo do monitoramento de projetos, foram realizadas duas visitas técnicas a nascentes urbanas recuperadas pelo CBH Rio das Velhas, com o objetivo de retomar o contato com cuidadores locais, avaliar os impactos das intervenções no médio prazo e refletir sobre diretrizes para o Programa de Mananciais e Nascentes Urbanos (PMNU).
Para Cecília Rute, o acompanhamento dessas ações é fundamental para fortalecer a proteção das águas em áreas urbanas. “As nascentes urbanas têm um papel fundamental para a recuperação dos cursos d’água. Quando conseguimos mobilizar a comunidade para cuidar desses espaços, fortalecemos a proteção das águas e a relação das pessoas com o território”, destacou.

Enquadramento e outras ações e projetos
Outro tema apresentado durante a plenária foi o processo de Enquadramento dos Corpos de Água da bacia do Rio das Velhas. A apresentação foi realizada por João Paulo Coimbra, da Agência Peixe Vivo.
O processo de enquadramento está em elaboração há cerca de três anos e teve seu contrato prorrogado, com vigência prevista até julho de 2026. A proposta de enquadramento dos corpos de água da bacia foi aprovada pela plenária do CBH Rio das Velhas em novembro de 2025. A próxima etapa será a elaboração do Programa de Efetivação, que deverá indicar as ações necessárias, ao longo de um horizonte de 20 anos, para garantir que as metas de qualidade da água estabelecidas sejam efetivamente alcançadas.
Já a coordenadora técnica da Agência Peixe Vivo, Flávia Mendes, apresentou o status da contratação e da execução dos projetos hidroambientais desenvolvidos na bacia do Rio das Velhas. Durante a exposição, foram detalhadas as iniciativas que já estão contratadas e aquelas que se encontram em fase de contratação.
Os relatórios atualizados sobre os projetos podem ser acessados no site do CBH Rio das Velhas, por meio do sistema de acompanhamento disponível no portal do CBH Rio das Velhas (acesse o link e confira os reports https://cbhvelhas.org.br/report-de-execucao-de-projetos/).
Balanço do Programa de Comunicação
A plenária também contou com a apresentação do balanço das ações do Programa de Comunicação e Relacionamento do CBH Rio das Velhas, conduzida por Luiz Ribeiro, coordenador do programa pela empresa TantoExpresso.
O programa de Comunicação contém ações voltadas à produção de conteúdo jornalístico e institucional, relacionamento com a imprensa, comunicação digital, campanhas de mobilização social e produção de publicações voltadas à gestão das águas na bacia. Entre os resultados apresentados estão a produção contínua de conteúdo para o site e redes sociais do Comitê, assessoria de imprensa, além da produção de revistas, informativos, cartilhas educativas, vídeos, podcasts e outras publicações institucionais.
Desde 2019, o site do CBH Rio das Velhas já publicou mais de 1.300 conteúdos jornalísticos, com média superior a 200 publicações por ano e cerca de 65 mil acessos anuais. Nas redes sociais, o perfil do Comitê no Instagram ultrapassou 32 mil seguidores, consolidando-se como um dos Comitês de Bacia com maior presença digital no país, além de manter canal ativo no YouTube e diversas iniciativas de mobilização e educação ambiental.
Segundo Luiz Ribeiro, a comunicação tem papel estratégico para aproximar o Comitê da sociedade. “Nosso objetivo é ampliar a visibilidade das ações do CBH Rio das Velhas e fortalecer o diálogo com a população da bacia, mostrando a importância da participação social na gestão dos recursos hídricos”, afirmou.
Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiza Baggio
*Foto: Fernando Piancastelli
