A qualidade da água que chega às torneiras e a segurança do abastecimento mobilizaram moradores, especialistas e representantes de instituições nesta quinta-feira (22), no distrito de Curimataí, em Buenópolis, no Baixo Rio das Velhas. Realizado pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) e pelo Subcomitê Rio Curimataí, o I Seminário Água e Saneamento promoveu o diálogo sobre os desafios locais e a construção de alternativas para melhorar o abastecimento de água e as condições de saneamento na comunidade.
O encontro reuniu representantes de diferentes áreas para discutir questões relacionadas à conservação dos recursos hídricos, à saúde pública e à qualidade de vida. A programação contou com palestras de Maíra Lima, gestora da IGR Serra do Cabral; Valter Vilela, presidente do CBH Rio das Velhas; Ana Maciel, hidrogeóloga da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); e Vitor Carvalho Queiroz, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental de Minas Gerais (ABES-MG).
Água de qualidade para a comunidade
Um dos principais desafios debatidos foi a situação do abastecimento em Curimataí. Atualmente, a água utilizada pelos moradores é captada diretamente de uma cachoeira, sem tratamento, o que reforça a necessidade de buscar soluções que garantam sua qualidade e reduzam o desperdício.
Presidente do CBH Rio das Velhas, Valter Vilela destacou a importância do seminário para ampliar a compreensão sobre os problemas enfrentados pela população e estimular a participação comunitária na busca por alternativas. “Tivemos um importante seminário sobre saneamento básico. A população local enfrenta problemas no abastecimento de água. A água é captada na serra, mas não recebe tratamento e há muito desperdício”, afirmou.
Na avaliação de Vilela, o encontro permitiu compartilhar conhecimentos e ideias que podem contribuir para a melhoria da situação. Ele ressaltou, ainda, que a comunidade deve ter protagonismo na definição dos caminhos a serem seguidos. “Acho que o seminário foi muito bom, com grandes ideias e boas palestras. Agora, esperamos que a própria comunidade possa decidir o que pretende fazer para melhorar essa situação”, completou.
A participação dos moradores foi um dos pontos centrais da iniciativa. Para Gilma Magalhães, presidente da Associação de Desenvolvimento Comunitário da Vila Curimataí, o diálogo com a população é essencial para identificar necessidades e construir soluções que atendam à realidade local. “Hoje, nossa comunidade recebeu o CBH Rio das Velhas para discutir a questão da água. Atualmente, recebemos água diretamente da cachoeira e precisamos encontrar uma solução para garantir a qualidade da água e evitar que falte abastecimento”, relatou.
Gilma também ressaltou a relação direta entre o acesso à água de qualidade, a saúde e as condições de vida da população. “O curso foi aberto ao diálogo com a comunidade e, a partir dessa discussão, pretendemos encontrar soluções para melhorar a qualidade de vida, a saúde e o abastecimento de água em Curimataí.”
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Diálogo e encaminhamentos
A articulação entre a comunidade, os especialistas e as instituições presentes foi destacada por Vitor Queiroz, presidente da ABES-MG. Para ele, o seminário contribuiu para compreender melhor a situação do abastecimento e identificar possibilidades de atuação conjunta. “Foi uma iniciativa muito importante que envolveu a comunidade para a gente entender qual que é o status do abastecimento de água, que tem que ser mostrado cada vez um desafio maior aqui no distrito, e discutindo com várias entidades, vários especialistas e a população algumas possíveis soluções e quais os próximos passos para que esse assunto seja resolvido”, avaliou.
Queiroz enfatizou que o abastecimento precisa ser tratado como uma questão de direito e saúde pública, considerando tanto a disponibilidade quanto a qualidade da água oferecida à população. “Afinal, a questão do abastecimento de água é um direito humano e é fundamental que ela seja distribuída numa qualidade suficiente para a população, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo”, afirmou.
O presidente da ABES-MG também ressaltou que as discussões resultaram em sugestões iniciais para dar continuidade ao trabalho. Segundo ele, a associação comunitária, a prefeitura, o CBH Rio das Velhas, a ABES-MG e as demais instituições envolvidas poderão colaborar na construção dos próximos passos.
A realização do I Seminário Água e Saneamento reforça a importância de aproximar a gestão dos recursos hídricos das demandas das comunidades da bacia. Em Curimataí, o desafio agora é avançar na articulação entre moradores e instituições para transformar as discussões em encaminhamentos que contribuam para um abastecimento seguro e para a melhoria das condições de saneamento no distrito.
Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Foto: Vagner Ribeiro
