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No Dia do Rio das Velhas, estudantes vivenciam a biodiversidade da Serra do Cipó na abertura da Semana Rio das Velhas

29/06/2026 - 13:08

Celebrado em 29 de junho, o Dia do Rio das Velhas foi marcado pelo início da Semana Rio das Velhas 2026, promovida pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas). A programação começou no Parque Nacional da Serra do Cipó, na região do Médio-Baixo Rio das Velhas, com uma atividade de Educação Ambiental voltada a estudantes do ensino médio da Escola Estadual Dona Francisca Josina, de Santana do Riacho.


Alinhada ao tema “Rio das Velhas, Eu Faço Parte: Terra de Vida e Diversidade”, a ação proporcionou uma imersão nos campos rupestres da Serra do Espinhaço, um dos ambientes mais biodiversos e singulares do país. Ao longo de uma trilha interpretativa, os estudantes foram convidados a observar a paisagem, compreender o funcionamento da bacia hidrográfica e refletir sobre a relação entre conservação da natureza, disponibilidade de água e mudanças climáticas.

Um dos destaques da atividade foi o encontro com a canela-de-ema-gigante (Vellozia gigantea), espécie endêmica encontrada principalmente no Parque Nacional da Serra do Cipó. Conhecida pelo crescimento extremamente lento – cerca de um centímetro por ano – , a planta pode alcançar até seis metros de altura e viver por vários séculos, tornando-se um verdadeiro símbolo da resistência e da biodiversidade dos campos rupestres.

Além da trilha guiada, os estudantes participaram da oficina “Minidocumentário da Trilha”, registrando, por meio de fotografias, vídeos e entrevistas, suas percepções sobre a biodiversidade, a paisagem e os desafios para a conservação do território. A proposta buscou estimular um olhar investigativo sobre o ambiente e fortalecer o vínculo dos jovens com o patrimônio natural da região.

Para o biólogo, mestre em Ecologia e mobilizador social do CBH Rio das Velhas, Leonardo Ribeiro, a experiência permitiu apresentar aos estudantes uma pequena amostra da riqueza biológica existente na bacia. “Conhecemos a população de canelas-de-ema-gigantes, uma das espécies mais emblemáticas dos campos rupestres. Também observamos diversas espécies endêmicas da Serra do Espinhaço, além de orquídeas, bromélias e outras epífitas que utilizam a canela-de-ema-gigante como suporte. Foi uma atividade muito rica, realizada em parceria com a equipe do parque, os estudantes e os conselheiros do Subcomitê Rio Cipó.”

Leonardo destaca que conhecer esse patrimônio natural é um passo essencial para sua conservação. “A Serra do Espinhaço abriga um número expressivo de espécies endêmicas, muitas delas ameaçadas de extinção, como a própria canela-de-ema-gigante. Somente por meio do conhecimento e da sensibilização será possível formar novas gerações comprometidas com a conservação desse patrimônio natural.”

Professora de Geografia da Escola Estadual Dona Francisca Josina e conselheira do Subcomitê Rio Cipó, Carolina Noronha ressaltou o envolvimento dos estudantes durante toda a atividade. “Foi um momento muito rico e especial. Percorremos essa trilha pelos campos rupestres da Serra do Cipó com um olhar atento para a biodiversidade da região. Foi uma proposta muito bem conduzida, que conseguiu engajar todos no processo de observação e aprendizagem.”
Segundo ela, ações como essa fortalecem o sentimento de pertencimento dos jovens em relação ao território. “Esse tipo de atividade valoriza o território, aproxima os estudantes da riqueza natural da Serra do Cipó e desperta o cuidado com esse patrimônio. Tenho certeza de que eles saem daqui como defensores da canela-de-ema-gigante e da conservação da nossa biodiversidade.”


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A experiência também deixou marcas entre os alunos. Para o estudante Felipe Ferreira, de 16 anos, conhecer de perto uma espécie exclusiva da região ampliou sua percepção sobre a importância da conservação ambiental. “Estar aqui transmite uma sensação de paz, porque a gente consegue sair um pouco da rotina corrida da cidade e conhecer um lugar com pouca interferência humana. Tivemos a oportunidade de ver de perto uma espécie que existe apenas nesta região, o que mostra como esse patrimônio natural merece ainda mais atenção e cuidado.”

Felipe também destacou a produção audiovisual realizada durante a trilha como uma ferramenta de sensibilização. “Produzir vídeos e registros da atividade é uma forma de despertar a curiosidade de outras pessoas e incentivar que elas conheçam e valorizem essas belezas naturais. Foi uma experiência muito importante para a nossa formação, porque reforça a necessidade de dar mais valor à natureza e entender que a preservação faz parte das nossas atitudes no dia a dia.”

Semana Rio das Velhas segue até sábado

A atividade na Serra do Cipó abriu uma programação que se estende até o próximo sábado (4), reunindo ações de Educação Ambiental, diálogos regionais, seminários, visitas técnicas e mobilizações em diferentes territórios da bacia.

Ao longo da semana, estudantes visitarão outras importantes Unidades de Conservação, enquanto representantes dos Subcomitês e instituições parceiras participarão de encontros voltados ao fortalecimento da gestão participativa das águas. O encerramento acontecerá em Belo Horizonte, com uma caminhada aberta ao público na Serra do Curral, em defesa da biodiversidade e da conservação da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas.


 

Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Foto: Milena do Carmo