Subcomitês do Onça e Arrudas elaboram propostas para lidar com enchentes em BH, em conjunto com outras entidades

18/02/2020 - 13:03

10 propostas para lidar com as enchentes em Belo Horizonte foram apresentadas à sociedade e vereadores na manhã desta segunda-feira (17), por meio de coletiva de imprensa na Câmara de Vereadores da capital mineira. As propostas foram elaboradas pelos Subcomitês dos Ribeirões Onça e Arrudas, pertencentes ao Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), em conjunto com outras 19 entidades.

Já imaginou o Ribeirão Arrudas de volta à Praça da Estação, o Córrego do Leitão correndo a céu aberto na Praça Marília de Dirceu e a Avenida Vilarinho com cursos d’água limpos? Essas e outras medidas importantes são elencadas na proposta que visa transformar a área urbana e que vão ajudar BH a fazer com que as águas gerem bem-estar ao invés de tragédia.

A representante do Subcomitê do Ribeirão Onça, Elisa Marques, explica que a mudança é possível e deve ser imediata. “Precisamos começar a pensar de forma sistêmica e buscar soluções que vão além de tratar os problemas onde eles ocorrem. A mudança é possível, mas precisamos dar urgência ao tema”, diz.

Elisa Marques acrescentou que de imediato é preciso interromper as canalizações dos cursos d’água. “Está instituído, mas temos que fazer valer. A não-canalização prevê o leito e fundo de vales naturais, sem intervenções. Rio aberto, mas com caixa de concreto em suas laterais não é um leito natural”, defendeu.

A ambientalista do Projeto Manuelzão e representante do Subcomitê Ribeirão Arrudas, Jeanine Oliveira, destacou que todos os cursos d’água na região central de Belo Horizonte devem ser descanalizados. “Belo Horizonte tem hoje cerca de 700 km de cursos d’água, sendo que aproximadamente 200 km estão canalizados. As canalizações geram impactos nos ecossistemas e potencializam os efeitos das chuvas, fazendo com que as águas cheguem mais rápido aos fundos de vale. A solução é descanalizar 100% dos cursos d’água”, esclarece.


Veja as fotos da coletiva:


As entidades entendem que o problema das enchentes é causado por múltiplos fatores, portanto, para solucioná-lo, é necessário implementar um plano sistêmico com mudança na drenagem urbana; criação de parques ciliares, mudança no paradigma viário, com incentivo ao transporte coletivo, à mobilidade ativa, desestímulo aos automóveis, segurança nas encostas e política de moradia. Tudo isso a partir de uma gestão participativa.

As propostas ainda não foram orçadas, mas as entidades pretendem apresentá-las à Prefeitura de Belo Horizonte.

As seguintes entidades assinam a proposta: Arquitetas Sem Fronteiras Brasil, Associação Coletiva da Juventude, BH em Ciclo, Coletivo às Margens, Conselho Comunitário Unidos Pelo Ribeiro de Abreu (COMUPRA), Cooperativa de Trabalho de Engenharia e Agronomia (ENGECOOP-MG), Desvelocidades.red, Escritório de Integração Puc Minas Coreu, Instituto de Arquitetos do Brasil, Instituto Pé de Urucum, Instituto Urbe Urge, Movimento Deixem o Onça Beber Água Limpa, Movimento Nossa BH, Observatório Metropolitano do Desenvolvimento Sustentável para os ODSs (Metrods-MG), Projeto Manuelzão, Rede de Apoio ao Desenvolvimento Jardim Felicidade, Sindicato dos Arquitetos de Minas Gerais (SINARQ-MG), Subcomitê de Bacia Hidrográfica do Ribeirão do Onça, Subcomitê de Bacia Hidrográfica do Ribeirão Arrudas, Tarifa Zero BH e União de Ciclistas do Brasil (UCB).


Conheça as propostas:


Chuvas em BH

O grande volume de chuvas que caiu sobre Belo Horizonte e a Região Metropolitana em janeiro de 2020, além de ter causado vários estragos, também acendeu o alerta sobre um problema histórico da capital, que data desde o início de sua urbanização entre as décadas de 20 e 30: a impermeabilização do solo.

Sem ter terra ou vegetação para ser absorvida, a água da chuva passa pelo concreto das ruas da cidade, ganhando força e velocidade e arrastando tudo o que encontra pela frente. Além do asfalto, as águas encontram, ainda, outro obstáculo de concreto pela frente: a canalização e retificação dos cursos d’água.

As chuvas de janeiro causaram destruição em várias cidades de Minas Gerais, deixando 59 mortes no estado e mais de 53 mil pessoas foram afetadas pelo período chuvoso no estado, de acordo com a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec).

 

Assessoria de Comunicação CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto e fotos: Luiza Baggio