A programação desta terça-feira (30) da Semana Rio das Velhas 2026 evidenciou dois pilares fundamentais para a conservação dos recursos hídricos: a atuação prática nos territórios e o fortalecimento da governança participativa. Pela manhã, participantes visitaram Unidades Demonstrativas de Sistemas Agroflorestais (SAFs) da Unidade Territorial Estratégica (UTE) Rio Taquaraçu, em Nova União. À tarde, em Santa Luzia, a 132ª Reunião Plenária do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) celebrou os 28 anos de atuação do colegiado, reunindo representantes do poder público, da sociedade civil, de instituições parceiras e dos usuários de recursos hídricos.
As atividades integram a Semana Rio das Velhas 2026, que, ao longo de seis dias, percorre diferentes territórios da bacia para promover Educação Ambiental, mobilização social e debates sobre os desafios da gestão das águas.
SAFs unem recuperação ambiental e desenvolvimento rural
A visita técnica em Nova União levou os participantes a conhecer uma experiência de restauração socioambiental desenvolvida pelo projeto Bosque Modelo Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e o Subcomitê Rio Taquaraçu.
A iniciativa demonstra, na prática, como os Sistemas Agroflorestais podem contribuir simultaneamente para a recuperação ambiental, a proteção dos recursos hídricos e a geração de oportunidades para os produtores rurais.
Segundo João Paulo Sarmento, analista ambiental do IEF, integrante do Subcomitê Rio Taquaraçu e da Diretoria Ampliada do CBH Rio das Velhas, o projeto amplia o conceito tradicional de restauração. “Quando falamos em restauração, precisamos pensar não apenas no meio ambiente, mas também nas comunidades que fazem parte dele. Os sistemas agroflorestais unem conservação ambiental e desenvolvimento das pessoas que vivem no território.”
Ele explica que o modelo implantado pode ser adaptado às diferentes realidades da bacia. “O sistema agroflorestal mantém o solo permanentemente coberto, aumenta a infiltração da água, reduz os processos erosivos e promove diversos serviços ecossistêmicos. Além de recuperar áreas degradadas e melhorar a qualidade e a disponibilidade da água, esse trabalho também promove qualidade de vida para quem vive na bacia.”
Um produtor que escolheu produzir água
A propriedade visitada pertence ao produtor rural Lorenzo de Almeida e sua companheira, Marina, que transformaram uma antiga área de pastagem degradada em um Sistema Agroflorestal.
A iniciativa nasceu de uma parceria com o IEF e hoje busca recuperar o solo, ampliar a biodiversidade e favorecer a produção de água. “Queríamos transformar essa realidade e trazer mais vida para o sítio. Implantamos o sistema seguindo os princípios da agrofloresta, mantendo o solo sempre coberto e diversificando os cultivos. É um trabalho que exige dedicação, mas também traz muita satisfação.”
Para Lorenzo, a visita promovida pelo Comitê reforça a importância da troca de experiências entre os diferentes atores da bacia. “Também queremos ser produtores de água. Ao implantar um sistema agroflorestal, buscamos conservar a umidade do solo, favorecer a infiltração da água e criar condições para que o ambiente recupere sua capacidade de produzir e proteger as nascentes. É um trabalho voltado à preservação da água, da natureza e da vida.”
Plenária comemora 28 anos de atuação do Comitê
À tarde, a programação seguiu para Santa Luzia com a 132ª Reunião Plenária do CBH Rio das Velhas, realizada em caráter comemorativo pelos 28 anos de criação do colegiado. Além dos informes institucionais e deliberações administrativas, a plenária reuniu representantes de instituições públicas e parceiras para discutir investimentos, programas e perspectivas para a revitalização da bacia.
Entre os destaques estiveram a apresentação dos investimentos do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima na Bacia do Rio das Velhas e do Plano Nacional de Adaptação às Mudanças do Clima; os resultados do Programa Produção de Água na Microbacia do Rio Maracujá e a entrega do Projeto da UTE Nascentes; além de apresentação do Movimento Viva Água no Alto Rio das Velhas, da Fundação Grupo Boticário.
O encerramento foi marcado pela homenagem a personalidades que contribuíram para a história do Comitê, com a entrega da Medalha Rio das Velhas a Márcio Roberto Lima, Maria de Lourdes Amaral, Heloísa Cavallieri, Tarcísio de Paula Cardoso, José de Castro Procópio, Leandro Vaz Pereira e Russlan Abadjieff – além do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), representado pela figura de Altino Rodrigues, vice-presidente do colegiado.
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Novos investimentos para a revitalização da bacia
Durante a Plenária, a secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Anna Flávia de Senna Franco, destacou o anúncio de aproximadamente R$ 44,3 milhões destinados a ações de recuperação ambiental na Bacia do Rio das Velhas, com foco na recomposição de matas ciliares, proteção de nascentes e controle de processos erosivos, especialmente na microbacia do Rio Maracujá.
Segundo ela, a trajetória do CBH Rio das Velhas demonstra a efetividade da gestão participativa. “O Comitê consolidou-se como uma referência nacional na gestão dos recursos hídricos. O CBH Rio das Velhas representa, para o Brasil, a demonstração de que é possível colocar em prática uma política de gestão das águas de forma descentralizada, participativa e fundamentada em conhecimento técnico e científico.”
Parcerias ampliam os resultados
Outro destaque foi a apresentação do Movimento Viva Água no Alto Rio das Velhas, desenvolvido pela Fundação Grupo Boticário em parceria com o Comitê e diversas instituições.
Para Ike Weber, responsável pelas relações institucionais da Fundação, o sucesso da iniciativa depende da articulação entre diferentes organizações. “Nossa expectativa é construir um impacto duradouro. A ideia é somar esforços às iniciativas locais, fortalecendo projetos que já estão em andamento ou que serão implantados para contribuir com a melhoria da qualidade da água e da conservação ambiental na bacia.”
Um modelo de gestão para outras bacias
Ao celebrar os 28 anos do CBH Rio das Velhas, representantes destacaram a capacidade do Comitê de integrar investimentos, políticas públicas e participação social.
O vice-presidente do CBH Rio das Velhas, Ronald Guerra, ressaltou que a revitalização depende da atuação conjunta dos diferentes setores. “Os recursos da cobrança pelo uso da água, sozinhos, não são suficientes. É fundamental fortalecer as políticas públicas em todas as esferas de governo. É justamente essa articulação que podemos celebrar nesta Plenária: a capacidade de reunir diferentes instituições, governos e representantes da sociedade civil em torno de um objetivo comum.”
O vice-presidente do CBHSF, Altino Rodrigues, destacou o protagonismo do Rio das Velhas no cenário nacional. “O CBH Rio das Velhas é uma grande inspiração para o trabalho que desenvolvemos em prol das bacias hidrográficas. Sua experiência em governança, o diálogo permanente com os territórios e a capacidade de transformar planejamento em ações concretas são referências importantes para todos nós.”
Programação continua até sábado
A Semana Rio das Velhas 2026 prossegue até o próximo sábado (4), levando ações de Educação Ambiental, seminários, diálogos regionais e atividades de mobilização a diferentes territórios da bacia hidrográfica.
Nos próximos dias, a programação passa pelo Monumento Natural Estadual Serra da Piedade, pelo Parque Estadual da Serra do Cabral, pelo Parque Estadual Cerca Grande e por municípios como Ouro Preto e Jaboticatubas, reunindo estudantes, representantes dos Subcomitês, instituições parceiras e comunidades locais em torno da conservação das águas e da biodiversidade.
O encerramento acontecerá no sábado, com uma caminhada aberta ao público na Serra do Curral, em Belo Horizonte. O ato simbólico reafirmará o compromisso coletivo com a proteção de um dos patrimônios ambientais mais emblemáticos da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas e de Minas Gerais.
Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Fotos: Milena do Carmo
