Logo CBH Rio das Velhas

BH perde 68% da água, terceiro pior índice em ranking nacional

22/03/2026 - 20:29

Belo Horizonte, maior cidade da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas e capital de Minas Gerais, está entre os 10 piores municípios mais populosos do Brasil em relação ao índice de perda na distribuição de água. É o que revela o Ranking do Saneamento 2026, divulgado na última quarta-feira (18) pelo Instituto Trata Brasil. A edição deste ano analisou os 100 municípios mais populosos do país, considerando os indicadores mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), ano-base 2024, publicados pelo Ministério das Cidades.


A capital mineira ocupa a 98ª posição, com 68,29% de perda. Isto equivale a dizer que é a terceira cidade da lista com mais perdas. A média nacional é de 39,5%, e a meta estabelecida pelo governo federal é chegar a 25% até 2034.

Além da capital mineira, a Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas tem outro município na lista dos 10 piores: Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) na 92ª posição com 55,68% de perda.

Segundo o Instituto Trata Brasil, o indicador busca estabelecer uma relação entre a água produzida e a efetivamente consumida nas residências. Quanto menor a porcentagem, mais bem classificado o município está, pois a menor parte da água produzida é perdida na distribuição. O indicador médio no ranking foi de 41,51%, em 2024, o que representa uma melhora em relação aos 45,43% registrados em 2023. A média nacional divulgada pelo Sinisa, em 2024, foi de 39,5%.

A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Siewert Pretto, afirma que é incomum uma perda tão grande na distribuição de água em um município de um ano para outro. Ela destaca que no último ranking, BH registrou 41,63% de perda. Ou seja, o índice atual é quase 27 pontos percentuais maior que o último.

Luana explica que as perdas podem acontecer por vazamentos (perdas físicas) ou por gatos, furtos e erros de medição (perdas comerciais). “Geralmente, quando pensamos em perdas, 60%, aproximadamente, são físicas e 40% comerciais”, pontua.

Saneamento em Minas

O Ranking do Saneamento analisa três dimensões do saneamento básico em cada município: nível de atendimento, melhoria do atendimento e nível de eficiência. Nesta edição, quatro municípios paulistas ocupam as primeiras colocações: Franca, São José do Rio Preto, Campinas e Santos. Minas tem dois municípios entre os 20 mais bem colocados: Uberaba em 11º e Montes Claros em 14°. Já Uberlândia ocupa a 21ª posição.

A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Siewert Pretto, destaca que Minas Gerais tem oito municípios entre os 100 pesquisados. Além dos três citados acima estão: Belo Horizonte (53°), Betim (52°), Juiz de Fora (58°), Contagem (59°) e Ribeirão das Neves (65°).

“Os três municípios mais bem posicionados têm bons indicadores em relação ao acesso à água, coleta e tratamento dos esgotos. Uberaba e Montes Claros precisam evoluir um pouco, em relação à redução de perda de água, mas tem conseguido boas posições. Quando olhamos os municípios de Betim, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Contagem e Ribeirão das Neves, vemos que estão abaixo dos 50 primeiros e merecem atenção por terem algumas necessidades de avanço em relação ao saneamento básico”, analisa.

Segundo ela, em relação ao acesso a água tratada, Betim tem o desafio de ampliá-lo. “O município tem 93% apenas da população com acesso a água. Precisa chegar a 99% até 2033, segundo a meta legal do saneamento básico. Em relação à coleta de esgoto, temos um desafio em Ribeirão das Neves e Contagem para chegar aos 90%. Mas quando olhamos a média do Brasil, esse é um indicador bom”, pontua.

Outro grande problema apontado pela presidente do Instituto Trata Brasil está no tratamento do esgoto. “No caso de Juiz de Fora, apenas 25% de todo o volume de esgoto gerado é tratado. No caso dos demais municípios, esse tratamento está entre 73% e 75%, o que é um indicador bom quando avaliamos que temos até 2033 para universalizar. Temos que continuar investindo para que esse indicador de tratamento, que hoje está em torno de 70%, chegue a 90%, percentual estipulado pelo Marco Legal do Saneamento Básico.”

De maneira geral, ela avalia que Minas precisa melhorar as perdas na distribuição de água e avançar no tratamento de esgoto. “Nenhum município está entre os 20 piores. Mas o investimento em saneamento básico está abaixo da média nacional. O único que vem investindo acima da média nacional é Montes Claros, com média de R$ 239 por ano/por habitante. Todos os demais estão investindo muito abaixo de R$ 225, que é o previsto pelo Plano de Saneamento e muito abaixo da média do Brasil, de R$ 137 por ano/por habitante, do último ano. Uberaba, Montes Claros e Uberlândia estão acima da média e os demais estão na média do Brasil”, conclui.


Belo Horizonte apresenta alto índice de perda de água, segundo lista do Instituto Trata Brasil


Melhores e piores

20 melhores municípios no Ranking do Saneamento de 2026

  • Franca (SP)
  • São José do Rio Preto (SP)
  • Campinas (SP)
  • Santos (SP)
  • Limeira (SP)
  • Goiânia (GO)
  • Niterói (RJ)
  • Aparecida de Goiânia (GO)
  • Foz do Iguaçu (PR)
  • Taubaté (SP)
  • Uberaba (MG)
  • Maringá (PR)
  • São José dos Pinhais (PR)
  • Montes Claros (MG)
  • Ponta Grossa (PR)
  • São José dos Campos (SP)
  • Londrina (PR)
  • São Paulo (SP)
  • Curitiba (PR)
  • Jundiaí (SP)

10 municípios com mais perdas na distribuição (IPD)

  • Nova Iguaçu (RJ) – 96,09%
  • Parauapebas (PA) – 70,68%
  • Belo Horizonte (MG) – 68,29%
  • Maceió (AL) – 64,05%
  • Várzea Grande (MT) – 59,03%
  • Belém (PA) – 58,96%
  • Boa Vista (RR) – 57,75%
  • Santarém (PA) – 57%
  • Ribeirão das Neves (MG) – 55,68%
  • Salvador (BA) – 53,39%

Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Fonte: Instituto Trata Brasil
*Com informações do jornal Estado de Minas
*Foto: Bianca Aun; Leo Boi