O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) celebrou, na noite dessa quinta-feira (22), a conclusão das obras de implantação de soluções individuais para o tratamento de efluentes domésticos nas comunidades de Maciel e Engenho d’Água, em Ouro Preto, no Alto Rio das Velhas. Ao todo, 82 famílias foram beneficiadas pelo Programa de Saneamento Rural, que entregou 80 sistemas de tratamento e um módulo sanitário, contribuindo para melhorar as condições sanitárias das propriedades rurais e reduzir o lançamento inadequado de esgoto no ambiente.
Realizada na Associação Comunitária Artesãos e Agricultores de Maciel, a cerimônia reuniu representantes do Comitê, da Agência Peixe Vivo, da Prefeitura de Ouro Preto, da empresa executora e das comunidades beneficiadas. O encerramento marcou uma etapa importante de um trabalho iniciado em 2023, que envolveu estudos técnicos, mobilização social e execução das intervenções em cada propriedade atendida.
Soluções para cada propriedade
As intervenções foram planejadas individualmente, considerando as características de cada propriedade rural e as necessidades identificadas durante os levantamentos técnicos. Em vez de adotar uma única tecnologia para todas as famílias, o programa contemplou diferentes sistemas de tratamento e destinação de efluentes domésticos.
“Cada propriedade recebeu a tecnologia prevista no projeto, de acordo com suas necessidades. Uma empresa fez o levantamento em cada local para identificar a solução mais adequada para a instalação. Depois, contratamos outra empresa para executar as obras”, explicou Guilherme Guerra, coordenador da Agência Peixe Vivo, entidade responsável pelo apoio à execução dos projetos do CBH Rio das Velhas.
O conjunto de intervenções contempla tecnologias como tanques sépticos, filtros anaeróbios, fossas absorventes, sumidouros, valas de infiltração, círculos de bananeiras e tanques de evapotranspiração, além de soluções que combinam diferentes estruturas. Também foi implantado um módulo sanitário.
Para John David dos Santos, responsável técnico da Construtora Joamar, a conclusão representa uma conquista para as comunidades e para a empresa executora. “É uma grande satisfação estar aqui, concluindo mais essa etapa. Tivemos vários desafios durante a execução, mas contamos com o apoio da comunidade e da Agência Peixe Vivo, o que nos permitiu ampliar o alcance do projeto”, afirmou.
Benefícios para as famílias e para o rio
Para quem vive nas comunidades atendidas, o acesso às soluções de saneamento representa uma mudança concreta nas condições de vida e na relação com o meio ambiente.
Gisele Gomes, moradora beneficiada de Engenho d’Água, destacou que muitas famílias não teriam condições financeiras de custear individualmente as intervenções. “Esse projeto chegou à nossa vida de uma maneira que agrega muito para a comunidade. Muita gente aqui não teria condições de pagar por um projeto desse com o próprio dinheiro. Eu, por exemplo, não teria condições de tirar do meu bolso para fazer um projeto tão importante para o nosso Rio das Velhas”, contou.
A moradora também lembrou a situação anterior ao projeto. “Lá em casa, o esgoto era jogado diretamente no córrego, e eu sei o quanto isso impacta o meio ambiente. Esse projeto veio na hora certa e é muito importante para todo mundo aqui em Engenho d’Água, tanto para a comunidade quanto para o meio ambiente.”
Gisele espera que a iniciativa possa alcançar outras localidades da bacia. “Espero que esse projeto chegue também a outras comunidades rio abaixo, para contribuir cada vez mais para a limpeza e a preservação do nosso Rio das Velhas”, disse.
O saneamento rural integra as ações de recuperação ambiental da bacia hidrográfica, uma vez que o tratamento adequado dos efluentes domésticos ajuda a reduzir a contaminação dos cursos d’água e a proteger os recursos hídricos. Em comunidades rurais, onde nem sempre há acesso à rede pública de esgotamento sanitário, a implantação de sistemas individuais adequados é uma alternativa importante para enfrentar esse desafio.
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Participação social e gestão das águas
A escolha das intervenções também é resultado do processo de participação social que caracteriza a atuação dos comitês de bacia hidrográfica. No caso de Maciel e Engenho d’Água, a demanda foi discutida no âmbito do Subcomitê Nascentes e incorporada às prioridades de investimento do CBH Rio das Velhas.
Ronald Guerra, vice-presidente do CBH Rio das Velhas e membro do Subcomitê Nascentes, ressaltou que os comitês reúnem representantes do poder público, dos usuários de água e da sociedade civil organizada para discutir os problemas da bacia e construir soluções conjuntas. “Foi nesse espaço que se decidiu pela aprovação do projeto e por sua inclusão entre as prioridades do CBH Rio das Velhas. A partir daí, a Agência Peixe Vivo iniciou o processo de contratação para viabilizar esse e muitos outros projetos”, explicou.
Ronald também convidou os moradores a participar das reuniões do Subcomitê Nascentes, nas quais são discutidas questões locais e definidas prioridades para a gestão das águas. A participação da comunidade, nesse sentido, permite que as demandas do território sejam consideradas no planejamento e na aplicação dos recursos da bacia.
Trabalho conjunto e compromisso com o futuro
Secretário de Meio Ambiente de Ouro Preto e conselheiro do CBH Rio das Velhas e do Subcomitê Nascentes, Francisco de Assis recordou as primeiras reuniões realizadas para apresentar a iniciativa aos moradores. Segundo ele, havia desconfiança inicial por parte de algumas pessoas, o que tornou o diálogo com as comunidades fundamental para a construção de uma relação de confiança.
“Naquela época, muita gente estava desconfiada, e a gente tentava mostrar a confiabilidade dessa ação do Comitê do Rio das Velhas, uma iniciativa parceira que viria trazer mais dignidade para os moradores e fortalecer a nossa responsabilidade ambiental”, lembrou.
Francisco também destacou o cuidado em respeitar as particularidades de cada território, com encontros realizados separadamente em Engenho d’Água e Maciel, além da colaboração entre as duas associações comunitárias.
“O rio acompanhou a vida de todo mundo que está aqui, tanto em Engenho d’Água quanto no Maciel. Foi muito importante o cuidado da Agência Peixe Vivo em respeitar os territórios, para que todos pudessem participar e para que o trabalho fosse conduzido dentro da realidade de cada comunidade. As duas associações trabalhando de mãos dadas também foi muito importante. Tudo isso é um somatório de esforços”, afirmou.
Com a conclusão das obras, o secretário chamou a atenção para a importância da conservação e do uso adequado dos equipamentos entregues. “Agora vêm as nossas responsabilidades. É hora de planejar para que esses equipamentos tenham vida longa, para que sejam duradouros e continuem beneficiando cada família. Afinal, foram entregues com recursos públicos provenientes do uso da água”, ressaltou.
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Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Foto: Eduardo Bento
