Uma nova etapa do Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) teve início nesta terça-feira (6), em Pedro Leopoldo, com a realização da Reunião Inicial do projeto na microbacia do Ribeirão Urubu, no Médio-Alto Velhas. O encontro reuniu produtores rurais, representantes do Comitê e do Subcomitê Ribeirão da Mata e a equipe responsável pela execução do projeto para apresentar as ações previstas e orientar os proprietários interessados em participar.
A iniciativa busca ampliar a capacidade de produção de água na microbacia por meio de Soluções Baseadas na Natureza (SbN), combinando conservação do solo, proteção e recuperação de áreas naturais e melhorias nas condições ambientais das propriedades rurais. A proposta é atuar de forma planejada em áreas consideradas prioritárias, em parceria com os Subcomitês e em complemento a outras iniciativas já desenvolvidas no território.
No Ribeirão Urubu, o projeto deverá cadastrar propriedades rurais que possam ser beneficiadas e, a partir das características de cada uma delas, elaborar os chamados Projetos Individuais por Propriedade (PIPs). O trabalho tem previsão de encerramento em fevereiro de 2027.
Do planejamento à propriedade
O PIP é um projeto elaborado especificamente para cada propriedade rural, levando em conta suas características, necessidades e as condições ambientais identificadas durante as visitas técnicas. A partir desse diagnóstico, serão indicadas as medidas de conservação e produção de água mais adequadas para cada local. Entre as possibilidades estão a recomposição da vegetação nativa, a conservação do solo e da água, o controle de processos erosivos, a proteção de nascentes, a recuperação de matas ciliares, a adequação da drenagem superficial e ações de saneamento rural.
Segundo Laudiene Sousa, mobilizadora socioambiental do projeto, a etapa de mobilização já resultou em adesões de proprietários e agora dá lugar ao trabalho técnico em campo. “Hoje a gente vai apresentar à comunidade o detalhamento do projeto e, na sequência, a equipe técnica virá a campo para visitar as propriedades e elaborar um projeto individual por propriedade”, explicou. Segundo ela, os PIPs vão apontar as ações hidroambientais necessárias em cada propriedade para contribuir para a melhoria da quantidade e da qualidade da água na microbacia do Ribeirão Urubu.
As atividades previstas incluem visitas para cadastro e adesão, visitas técnicas às propriedades que aderirem ao projeto e elaboração dos PIPs. Também está prevista a instalação de um ponto de apoio temporário para cadastro e esclarecimento de dúvidas, além de uma reunião final para apresentação dos projetos elaborados.
Soluções para o território
As intervenções poderão combinar diferentes tipos de práticas, definidas de acordo com as características de cada propriedade.
No campo das práticas mecânicas, estão previstas possibilidades como terraceamento agrícola, construção de bacias de contenção ou caixas secas, adequação de estradas e carreadores, cordões de contorno e barraginhas. Já entre as práticas vegetativas estão o cercamento e a recuperação de matas ciliares, a restauração ecológica, os Sistemas Agroflorestais (SAFs), a conservação e proteção de nascentes, além do manejo e recuperação de pastagens.
Também poderão ser recomendadas práticas voltadas à melhoria das condições do solo, como adubação orgânica, adubação equilibrada conforme análise, calagem e gessagem. Em determinadas situações, os PIPs poderão contemplar ainda sistemas de saneamento rural, biossistemas, adequação de aguadas e bebedouros e isolamento de áreas de recarga.
Para o produtor rural Washington Barbosa, que possui uma propriedade na região da Cachoeira do Urubu, medidas como as barraginhas podem ajudar a enfrentar um problema recorrente nas áreas rurais: o escoamento da água das propriedades sobre as estradas. “O grande problema que nós temos nas estradas rurais é o volume de água que desce dos terrenos e faz uma lavagem nas estradas”, afirmou.
Para ele, a retenção desse volume de água pode contribuir também para reduzir o carreamento de materiais e os danos às vias. “Você vai fazer uma reserva de água dentro de uma barraginha que não vai descer esse volume de água nas estradas e estragar a estrada principal”, acrescentou.
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Segundo ciclo
A atuação no Ribeirão Urubu integra o segundo ciclo do Programa de Conservação Ambiental e Produção de Água do CBH Rio das Velhas. O programa tem como objetivo maximizar o potencial de produção de água nas sub-bacias da bacia hidrográfica, utilizando o planejamento e a execução de Soluções Baseadas na Natureza.
A definição das áreas prioritárias parte dos Subcomitês, responsáveis pela indicação inicial dos territórios. As propostas passam pela análise e validação técnica do Grupo de Acompanhamento Técnico (GAT), considerando as metas estabelecidas no Plano Diretor de Recursos Hídricos (PDRH), especialmente aquelas relacionadas ao manejo de recursos hídricos em áreas rurais e à conservação ambiental.
O primeiro ciclo contemplou as microbacias do rio Maracujá, nas UTEs Nascentes e Itabirito; do ribeirão Ribeiro Bonito, na UTE Rio Taquaruçu; do córrego Soberbo, na UTE Rio Cipó; e do córrego Pedras Grandes, na UTE Guaicuí.
Nesta segunda etapa, além do Ribeirão Urubu, na UTE Ribeirão da Mata, foram selecionadas as microbacias dos rios Paraúna e Bicudo e do córrego São Vicente, também na UTE Guaicuí.
Relembre outras etapas do Programa:
Um projeto construído no território
A escolha do Ribeirão Urubu representa, para o Subcomitê Ribeirão da Mata, a concretização de uma discussão iniciada há alguns anos. Coordenadora do Subcomitê, Danielle Baere destacou a participação dos produtores rurais na construção dessa nova etapa. “É um marco muito importante para o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, porque hoje está aqui sendo realizado um projeto que foi sonhado lá em 2021”, afirmou. Para ela, a iniciativa abre a possibilidade de que produtores rurais adotem medidas de conservação em suas propriedades, contribuindo para a recuperação de nascentes e áreas degradadas.
A expectativa também é que o trabalho contribua para valorizar o território do Ribeirão Urubu em diferentes dimensões. Conselheira do Subcomitê Ribeirão da Mata, Aline Dias destacou a possibilidade de conciliar a recuperação ambiental com a valorização das características naturais e culturais de Pedro Leopoldo. “A expectativa é grande para a recuperação dos solos, recuperação das nascentes, conservação das águas e poder recuperar também a importância desse território, do Ribeirão Urubu, que além de ter diversidade e muita riqueza ainda natural, a gente também tem patrimônio histórico e regional aqui da nossa cidade de Pedro Leopoldo.”
A partir da reunião inicial, o projeto entra na fase de visitas e diagnósticos das propriedades que aderirem à iniciativa. É nessa etapa que as características de cada área serão avaliadas e transformadas em propostas específicas de intervenção, buscando aproximar as ações de conservação ambiental das necessidades concretas de quem vive e produz na microbacia.
Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiz Ribeiro
*Fotos: Milenado Carmo
