O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas) realizou, na última terça-feira (6), o Seminário de Encerramento do Programa de Saneamento Rural nas comunidades de Pau de Cheiro e Tronqueiras, em Funilândia, no Médio-Alto Velhas. O encontro marcou a conclusão da implantação de 23 sistemas individuais de tratamento de esgoto, desenvolvidos com soluções de saneamento ecológico adaptadas à realidade das propriedades rurais.
Realizado na Igrejinha de Pau de Cheiro, um dos pontos de referência da comunidade, o seminário reuniu moradores, técnicos, representantes do CBH Rio das Velhas e autoridades municipais para apresentar os resultados da iniciativa e reforçar a importância da participação das famílias na manutenção dos sistemas implantados.
Executado pelo CBH Rio das Velhas, com apoio técnico da Agência Peixe Vivo e recursos provenientes da Cobrança pelo uso da água na bacia, o Programa de Saneamento Rural busca ampliar o acesso ao tratamento adequado de esgoto em áreas onde a implantação de redes convencionais nem sempre é viável.
Em Funilândia, a iniciativa adotou soluções descentralizadas, com tecnologias que utilizam processos biológicos e a vegetação no tratamento dos efluentes domésticos. Os sistemas foram dimensionados de acordo com as características das propriedades e combinam biodigestores e tanques de evapotranspiração (TEVAPs).
A secretária-adjunta do CBH Rio das Velhas, Poliana Valgas, destacou que a implantação dos 23 sistemas representa mais uma ação financiada com recursos da cobrança pelo uso da água voltada à melhoria das condições ambientais da bacia. “Estamos aqui realizando mais uma entrega importante do Programa de Saneamento Rural. Aqui, entregamos 23 sistemas em residências, evitando que o esgoto sem tratamento seja lançado no solo e nos recursos hídricos.”, afirmou.
Soluções adaptadas à realidade rural
O tratamento ocorre de maneira descentralizada, dentro das próprias propriedades. As chamadas águas negras, provenientes dos vasos sanitários, são encaminhadas aos biodigestores, onde a matéria orgânica é decomposta na ausência de oxigênio, em um processo anaeróbico.
Durante o tratamento, a parte líquida passa por diferentes etapas, enquanto o material sólido se concentra na forma de lodo. Após a secagem e a aplicação de cal, conforme as orientações técnicas do projeto, o material pode ser destinado à fertilização de jardins e árvores frutíferas.
Já as águas cinzas, provenientes de pias, chuveiros e outras atividades domésticas, recebem tratamento por meio de estruturas que utilizam a vegetação para auxiliar na absorção da água e dos nutrientes. Entre as espécies utilizadas estão bananeiras, taiobas e inhames.
Nesse sistema, conhecido como círculo de bananeiras, parte da água é infiltrada no solo e outra retorna à atmosfera por meio da evapotranspiração das plantas. A solução permite aproveitar processos naturais no tratamento das águas residuárias e, ao mesmo tempo, adequar o saneamento às características das propriedades rurais.
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Para o prefeito de Funilândia, Zé da Gurita, a conclusão do programa representa um avanço para as famílias atendidas e para a proteção ambiental do município. “É uma entrega fundamental para a nossa comunidade de Pau de Cheiro. Com essa iniciativa, evitamos que o esgoto não tratado continue sendo descartado de forma inadequada no solo e nos recursos hídricos, garantindo mais saúde para as nossas famílias e contribuindo para a preservação ambiental do município”, afirmou.
O engenheiro sanitarista Alvânio Ricardo Neiva Júnior, da Mais Ambiente, responsável pela execução técnica, explica que os 23 sistemas implantados nas comunidades de Pau de Cheiro e Tronqueiras foram divididos entre tanques de evapotranspiração e biodigestores.
Segundo ele, a localização das comunidades reforça a importância da iniciativa para a proteção dos recursos hídricos. “Esta região contribui diretamente para a calha do Rio das Velhas, de modo que essa intervenção impacta positivamente tanto na quantidade quanto na qualidade da água”, explicou.
Alvânio também ressaltou o envolvimento dos moradores durante a execução do projeto. “Encerramos esta etapa ao lado de uma comunidade extremamente participativa, acolhedora e engajada em melhorar continuamente o meio ambiente, uma medida cada vez mais necessária diante dos cenários atuais de mudanças climáticas”, acrescentou.
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Cuidado que continua em casa
Com o encerramento do programa e a entrega dos sistemas, começa uma etapa igualmente importante: o cuidado cotidiano por parte das famílias beneficiadas. Embora o manejo seja simples, a manutenção periódica é necessária para garantir o funcionamento adequado das estruturas e a eficiência do tratamento.
As caixas de gordura devem ser limpas a cada seis meses para evitar o acúmulo de resíduos provenientes da cozinha. Já as caixas de inspeção precisam ser verificadas a cada três meses. O leito destinado à secagem do lodo do biodigestor também deve ser acompanhado periodicamente, considerando ciclos de secagem de aproximadamente seis meses.
Outra recomendação aos moradores é evitar o descarte de materiais não biodegradáveis nos vasos sanitários, como papéis, absorventes e preservativos. O cuidado ajuda a prevenir entupimentos e problemas no funcionamento das tubulações e dos sistemas de tratamento.
Mais do que marcar a conclusão de uma obra, o Seminário de Encerramento do Programa de Saneamento Rural em Pau de Cheiro e Tronqueiras reforçou a importância de soluções adequadas às diferentes realidades da bacia. Em Funilândia, a adoção de tecnologias descentralizadas amplia as possibilidades de tratamento de esgoto no meio rural e contribui para reduzir o lançamento inadequado de efluentes no solo e nos cursos d’água.
Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Caio Pacheco
*Fotos: Caio Pacheco
