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Segurança hídrica entra no centro do debate e acende alerta para o futuro da RMBH

05/05/2026 - 15:24

A água que sustenta milhões de pessoas na Grande BH já não pode mais ser tratada como um recurso garantido. Esse foi o tom do Seminário “Segurança Hídrica na RMBH – Desafios, estratégias e soluções para o futuro do abastecimento”, realizado nesta segunda-feira (4), que reuniu especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil em torno de uma questão urgente: como assegurar o abastecimento diante de um cenário cada vez mais pressionado.


Promovido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas), com apoio da Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), do CREA/MG (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais) e da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), o encontro consolidou-se como um espaço técnico e estratégico para discutir soluções concretas e integradas.

Logo na abertura, o presidente do CBH Rio das Velhas, Valter Vilela, deixou claro o tamanho do desafio. Segundo ele, não se trata apenas de acompanhar o crescimento da demanda, mas de entender os limites reais da oferta hídrica. “Precisamos mapear com precisão a disponibilidade de água no Alto Rio das Velhas e relacioná-la ao avanço urbano, à mineração e à atividade industrial. O que está em jogo é evitar decisões fragmentadas e construir soluções que garantam, ao mesmo tempo, preservação ambiental e abastecimento humano”, afirmou.

A dimensão do problema extrapola as fronteiras locais. Representando a SME, Patrícia Boson chamou atenção para o caráter global da crise. “A segurança hídrica é um desafio em todas as bacias. O consumo cresce, enquanto o cuidado diminui. É uma mudança cultural que precisa acontecer com urgência: a água deve ser tratada como um recurso estratégico”, destacou. Ela reforçou ainda que dados recentes da ONU apontam um cenário preocupante, com metade da população mundial já enfrentando estresse hídrico.

Planejamento como chave para o futuro

Um dos pontos centrais do seminário foi a apresentação do Plano de Segurança Hídrica da RMBH, conduzida por Fernanda Lobo, da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte (ARMBH). O plano, que orienta ações entre 2022 e os próximos anos, busca garantir o abastecimento de mais de 5 milhões de pessoas.

O diagnóstico é claro: a equação entre oferta e demanda está sob pressão. O crescimento urbano impulsiona o consumo, enquanto fatores como degradação ambiental e mudanças climáticas comprometem a disponibilidade de água. Em cenários de estiagem severa, o risco é direto — a água pode não ser suficiente para atender plenamente a população.

Entre os principais achados estão a identificação de sub-bacias críticas, a crescente dependência do sistema Rio das Velhas e a possibilidade concreta de déficit hídrico sem intervenções estruturais. Como resposta, o plano propõe medidas como expansão do saneamento, recuperação de áreas de recarga, proteção de nascentes e uso mais eficiente da água.


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Dados que acendem o alerta

Se o planejamento aponta caminhos, os dados apresentados pelo projeto De Olho no Velhas reforçam a urgência. Em estudo conduzido ao longo de 14 meses, o pesquisador Euler Cruz, do Fórum Permanente São Francisco, analisou o comportamento hidrológico do Alto Rio das Velhas e identificou uma tendência preocupante. “No ponto da Estação Honório Bicalho, em Nova Lima, houve uma redução de 13,26% na vazão nos últimos 26 anos. Esse volume perdido seria suficiente para abastecer toda a Região Metropolitana por pouco mais de 15 anos — e a tendência é de agravamento, impulsionada pelo avanço da mineração e pelo aumento de eventos climáticos extremos”, alertou.

Além da redução de vazão, o estudo revela mudanças no regime de chuvas. A estação seca está mais rigorosa, com menor precipitação e, consequentemente, menor recarga hídrica. Já o período chuvoso apresenta um novo padrão: menos chuvas intensas, mais eventos moderados e episódios extremos pontuais, capazes de provocar cheias severas.

Integração e ação como resposta

A programação do seminário também trouxe contribuições do IGAM, da Copasa e de estudos técnicos como o de Impacto Cumulativo, que avalia os efeitos combinados de múltiplos empreendimentos sobre os recursos hídricos — uma ferramenta essencial para orientar decisões mais eficazes.

Outro destaque foi a atuação do Convazão, grupo gestor responsável pelo monitoramento do Alto Rio das Velhas e pela adoção de medidas operacionais para garantir o abastecimento da RMBH.

Encerrando o evento, uma mesa-redonda multidisciplinar reuniu representantes de instituições públicas, universidades e empresas do setor, reforçando um consenso: a segurança hídrica depende de ação coordenada, planejamento de longo prazo e mudança de comportamento.

Mais do que um debate técnico, o seminário deixou uma mensagem clara: o futuro da água é um compromisso de todos precisa de soluções agora.


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Assessoria de Comunicação do CBH Rio das Velhas:
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social
*Texto: Luiza Baggio
*Fotos: Milena do Carmo